Manifesto conteudista: morte ao fast content e união da classe produtora

Esse texto é um desabafo, mas também um manifesto: produzir conteúdo é esgotante, e muitos de nós já não aguentam mais.

Talvez você possa pensar que essa ideia é um tanto derrotista da minha parte, já que os gurus nos ensinam a persistir e não desistir, estudar enquanto eles dormem, produzir enquanto eles descansam, e por aí vai.

Derrotista ou não, essa é uma realidade. Eu mesmo zerei a minha criação nos meus projetos, e há muito tempo não vejo mais os meus colegas se dedicarem aos seus perfis. Será uma coincidência, ou apenas as consequências do fast content?

Para quem desconhece o termo, fast content se refere ao método de produção em massa, estimulando criadores a postar 7 vezes por semana, aparecer nos stories, gravar vídeos, fazer lives e tudo mais o quanto antes, ou a sua audiência não vai se fixar em você.

Obviamente, essa cultura não é nada sustentável, já que produzir conteúdo leva tempo e esforço, e quando feita às pressas costuma dar ruim. Aliás, produzir conteúdo é um trabalho, e muito mau remunerado.

Por trás de toda pessoa que pede para que os seus produtores atualizem com mais frequência, existe alguém acabado que já não sabe mais como inovar e como se manter financeiramente em seu projeto. Isso é desgastante.

Eu tô usando o tempo para focar no meu trabalho fora da internet, já que fazer posts 6x por semana no Instagram não tem pago as minhas contas. Isso significa que desisto? Claro que não, apenas cheguei à conclusão que esse ritmo é absurdo e impossível de manter.

Aliás, recomendo esse texto da Sue Coutinho sobre a falência do fast content. Apesar de ser curtinho, ele sintetiza tudo o que eu penso sobre o assunto, então te convido à leitura.

No último episódio do podcast eu comecei a falar sobre slow content, e agora aproveito a deixa para prosseguir: nós devemos repensar essa cultura de alta velocidade com alta performance.

Tornou-se uma obrigação criar uma Monalisa por dia para manter o engajamento, mas ninguém consegue entregar essa expectativa tão alta, ainda mais fazendo totalmente de graça.

Ou você faz um trabalho bem feito ou você faz rápido e constantemente. Os dois juntos? Só pagando muito bem. Está disposto a isso?

Você que exige mais atualizações, já pensou em colaborar financeiramente com o seu produtor? Se ele puder bancar as contas com o trabalho dele, é mais fácil produzir com maior constância e qualidade.

Já você, produtor, tem buscado monetizar o seu conteúdo? Porque essa é a melhor forma de contornar essa situação e valorizar os seus corres. Eu também tenho pensado mais nisso, não é vergonha ou arrogância querer viver do seu projeto digital, e na atual circunstância, dinheiro é sempre bem-vindo.

Mas também devemos pensar que, se ainda não conseguimos monetizar o nosso trabalho, ou não o suficiente, não é hora de fazer mil e um investimentos nem nos desdobrar em trinta para produzir mais, ao contrário do que os gurus estão nos enchendo o saco para fazer.

Nem sempre aquele curso milagroso de “apenas” 10 parcelas de R$200,00 que te promete desbloquear o algoritmo e ganhar 1000 seguidores por dia é o que você precisa. Pode ser apenas umas férias mesmo, e tu ainda gasta bem menos.

É preciso pensar de forma inteligente, pois você pode até querer se desdobrar em trinta para manter suas redes atualizadas, mas o seu organismo aguenta isso até certo ponto.

Faça um trabalho pensado, não pesado. Pega a visão.

Slow content deveria ser o modelo a seguir, já que por anos os meios de comunicação apostam em formatos mensais para dar conta da qualidade. Por que não trazer essa cultura de volta?

Até mesmo repensar se as redes sociais de fato são o melhor ambiente para isso, ao contrário dos blogs e vlogs, que foram deixados de lado na última década. Era uma época boa, quando a gente podia publicar no nosso ritmo, em um espaço que era nosso, sem cobranças nem um algoritmo safado. Nós poderíamos voltar a produzir dessa forma, apenas pelo prazer de se comunicar na internet.

E se você acha que nunca vai crescer dessa forma, porque o algoritmo jamais prioriza um produtor que valoriza mais a qualidade das suas postagens do que a quantidade, a resposta é simples: colaborar é melhor do que competir.

Essa frase da Efeito Orna me acompanha desde o momento em que conheci as ideias das irmãs Alcântara, e mais do que nunca passei a refletir sobre o real significado dessa ideia.

Nem todo mundo precisa ser produtor de conteúdo, e nem todo produtor quer ou consegue manter um ritmo frequente. Mas nós fazemos isso porque compramos a ideia de que todo mundo tem que usar as redes para divulgar o seu trabalho.

Ao invés de ter várias pessoas diferentes se matando para produzir posts isolados, seria mais inteligente unir forças em uma direção só, para que a união de conteúdos gerasse a constância necessária.

Isso significa que você deixa de trabalhar a sua marca pessoal? De forma alguma, porque o que foi feito por você tem a sua essência e o seu toque, aposte sempre na sua forma única de fazer o que outros já fazem.

Mas não tenha medo de colaborar com um grupo de criadores, pode ser o que você precisa nesse momento. Sem medo nem forçar os seus limites, respeitando o seu ritmo de criação.

Eu decidi abrir as portas da Grambélia para quem quiser contribuir com esse universo da Comunicação Digital. Se você sabe sobre o assunto, quer se tornar uma autoridade na área, mas não tem tempo nem saco para manter consistência nas redes, vamos trabalhar juntos.

Produtores de conteúdo de todas as redes, uni-vos! Porque não podemos mais nos render a essa necessidade doentia de produzir freneticamente como se não houvesse um amanhã.

O amanhã existe, e talvez as redes que escravizam o nosso tempo nem farão parte dele, mas você continuará tendo todo esse potencial escondido aí dentro, que poderia ser mais bem aplicado dentro de um ecossistema inteiro, ao invés da solidão do seu perfil.

Desde já, desejo um feliz natal e um excelente ano novo, que em 2022 você decida guilhotinar de vez o fast content e tornar o seu projeto um centro de satisfação e retorno, até mesmo financeiro, ao invés de uma simples obrigação compulsiva.

Um abraço, e a gente se lê por aí!

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