Por que nós temos tanto medo de sermos taxados de influenciadores?

Você segue ao menos um influenciador digital nas redes, isso é uma afirmação. Não adianta dizer que não conhece nenhum, eles fazem parte da sua vida.

Alguns usam as redes para divulgar seu trabalho, outros passaram a trabalhar com as redes, produzindo conteúdo e fazendo publicidade em seus perfis. Mas todos possuem algo em comum: eles te inspiram a tomar ações e você gosta de acompanhar o trabalho deles.

Mas você tem medo de ser associado a esse universo, e isso te intimida tanto ao ponto de você deixar de colocar o seu projeto nas redes sociais para não correr o risco de “virar blogueirinha”.

Vamos falar sobre isso?

Gente como a gente.

Você provavelmente pula os anúncios que surgem no YouTube ou saltam nas páginas que navega, mas interage em publicações nas redes sociais de pessoas que você admira. Muitos são artistas e celebridades consagrados, outros são pessoas que nós conhecíamos antes da fama, ou quando não tinham tanto alcance nas redes.

Nos sentimos próximos destes, afinal, são pessoas iguais a nós, que trabalham, estudam e se divertem. Elas só compartilham o que sabem e vivem conosco, e nós gostamos de acompanhar essas pessoas que divulgam o seu trabalho nas redes.

E isso pode ser um problema, porque os influenciadores deixam de ser os artistas inalcançáveis que jamais teriam qualquer tipo de contato conosco. Eles são pessoas reais, que poderiam estudar na sua escola, morar na sua rua, até trombar contigo no supermercado.

Isso tira a ilusão que temos sobre a fama, de serem deuses que nunca se misturam com os humanos. Não, os influenciadores são gente como a gente, se bobear, são tão ferrados na vida quanto você.

E isso traz um problema que nós conhecemos muito bem: a comparação.

A grama do vizinho sempre é mais verde.

Nós gostamos de acompanhar grandes influenciadores, comentamos  e compartilhamos os seus posts, mas quando se trata do seu vizinho youtuber ou a sua colega no Instagram, sentimos desprezo.

Muito disso é a nossa sensação de que, quando as pessoas ao nosso redor começam a se destacar, nós estamos perdendo em uma competição que nunca existiu.

Uma coisa é você acompanhar aquela atriz que sempre achou fantástica e nunca vai saber da sua existência, a outra é ver a sua prima conquistar o seu espaço no meio digital. Se ela conseguir, você vai ter que admitir que ela foi capaz e você não, algo que supostamente é “fácil”.

Já passou da hora da gente entender que não estamos em uma competição, e que o sucesso do outro devia ser motivo de alegria, não de inveja. Não faz sentido nós apoiarmos tanto as celebridades que não conhecemos e querer o fracasso das pessoas que convivemos a vida inteira.

Caso a sua vizinha ganhe dinheiro com a internet, ela não é melhor nem pior do que você, ela continua sendo a sua vizinha. Você é que precisa parar de querer que as pessoas ao seu redor continuem na mesma situação que você para que se sinta melhor.

Vale a pena conversar com pequenos influenciadores sobre o assunto, pois a maioria deles passou exatamente por isso: a mudança de comportamento dos conhecidos quando passou a ter relevância na internet.

Esse, aliás, é outro ponto importante para discutirmos, e entender a raiz do nosso desconforto com a influência digital.

Você é pago pra isso?

Quantas vezes você achou que era “vida fácil” trabalhar com o Instagram, gravando vídeos e postando fotos? E realmente parece um absurdo ver pessoas ganhando dinheiro apenas produzindo conteúdo.

Mas a pessoa ganha dinheiro com a produção de conteúdo porque aquilo que ela produz traz algum valor para as pessoas, um conhecimento adquirido pelo trabalho, estudo e vivências dela.

Com a pandemia, muita gente teve que aprender a usar as redes sociais para conseguir manter seu trabalho, e alguns se saíram tão bem que ganharam muita visibilidade, ao ponto de ter uma audiência legal e fazer dinheiro com isso.

Outras pessoas apenas compartilham assuntos que gostam ou vivem, e depois de muito tempo sem visibilidade, hoje conseguem usar o que fazem para complementar a renda ou até mesmo pagar as contas.

Você é contra que jogadores de futebol recebam dinheiro para representar o seu time? E que os atores sejam pagos para encenar as suas novelas e filmes preferidos? Então qual é o problema de um pequeno influenciador ganhar dinheiro com o conteúdo que ele produz e te agrada?

E convenhamos que produzir conteúdo não é fácil. É preciso muito estudo e dedicação para produzir um único texto, quem dirá montar edições de imagens, fazer um vídeo, gravar um podcast.

Parece fácil até você começar a fazer o mesmo. Pois quando se dá conta que aquele reels incrível que você até compartilhou pode durar horas de gravação e edição, você começa a entender que é justo ganhar dinheiro com isso.

Tem tanto influenciador péssimo fazendo sucesso…

Claro, eu não poderia continuar esse artigo sem falar dos terríveis inimigos do riso e do bom senso, que geralmente são os influenciadores mais famosos nas redes sociais.

Não vou citar ninguém aqui pra não rolar o não tão querido processinho, mas eu tenho certeza que você já deve ter pensado em alguns nomes. São pessoas que ninguém entende porque fazem sucesso, já que não possuem talento, carisma, e muito menos conteúdo.

Existe um questionamento muito grande sobre o que é ou não é conteúdo, e isso inclui muitos criadores que fazem sucesso apenas com selfies e dancinhas. Para simplificar as coisas: considere como conteúdo tudo que é produzido na internet que possui valor, conhecimento e propósito.

Se você apenas posta fotos suas e se considera influenciador, talvez seja melhor reconsiderar. Mas se você é modelo, artista, estilista, dançarino, ou tenha qualquer função que apresente um propósito pelo qual está fazendo essas fotos, é super válido.

Você vai encontrar centenas de pessoas que não agregam em nada na internet, mas ganham fama por estar dentro de um padrão de beleza ou financeiro, essa é a parte menos digna da influência. Nem sempre é justo.

Porém, profissional ruim você encontra em qualquer área, e dentro dos influenciadores é a mesma coisa. Você não enxerga a classe médica como inútil ou pouco profissional por causa dos que são ruins, então não enxergue os influenciadores como tal por causa desses seres pouco iluminados.

Além disso, comece a se questionar porque esse tipo de gente faz sucesso. Quantos do tipo você segue e acompanha fielmente, mesmo achando que seu conteúdo é superficial? Se ninguém der palco, maluco não faz show.

Será que eu consigo fazer isso?

Beleza, vamos recapitular: você não se alegra com as conquistas do outro, não quer que as pessoas ao seu redor sejam mais bem sucedidas do que você, acha que trabalhar com a internet não é trabalho de verdade e enxerga os influenciadores como fúteis.

Mas em um determinado momento, você muda a sua mentalidade e resolve arriscar, divulgando o seu trabalho e as suas ideias nas redes sociais. Sabe o que acontece agora? Você precisa lidar com todas as outras pessoas que pensam igual a você.

Nós temos medo de gravar um stories ou produzir um conteúdo mais elaborado sobre o conhecimento que temos ou o trabalho que fazemos, por saber que muita gente vai torcer o nariz com isso.

“Olha lá, tá se achando a blogueirinha!”

“Tá com tempo de sobra pra ser influencer, né?”

“Agora só quer essa vida boa de influenciador.”

Quantas vezes você disse ou pensou isso de alguém? E agora é você quem está ouvindo essas frases agressivas simplesmente por ter dado a cara a tapa.

É uma mudança brusca, e isso intimida mesmo. Você começa a perceber que produzir conteúdo não é fácil, expor a sua imagem na internet, menos ainda. E lidar com críticas e haters então? Caramba, como os influenciadores conseguem?

Como eu vou conseguir lidar com tudo isso? Simples, lembrando do primeiro item desse artigo: influenciadores são gente como a gente.

Não existe dom divino, herança mística ou berço de ouro que separa pessoas comuns de influenciadores, no final somos todos pessoas como qualquer outra. O motivo pelo qual nos identificamos com esses produtores é justamente nos enxergarmos neles.

E se eles conseguem, por que nós não?

Penso, logo influencio.

“Ok, influenciadores digitais são gente que nem a gente, não existe nada de especial neles, são apenas pessoas comuns que dão duro para produzir conteúdo legal. E eu entendo que eu posso ser um deles também.”

Exatamente, porque você já é um influenciador, mesmo que não tenha se dado conta disso. Todo mundo exerce influência sobre o seu meio, alguns mais do que outros, mas todo mundo pode incentivar as pessoas a tomar decisões, baseado no que dizem e fazem.

Se as pessoas do seu meio não prestam muita atenção em você, é porque o seu público está lá fora, e para encontrá-lo você precisa continuar se arriscando e compartilhando com o mundo o que você faz de melhor. Quanto mais você persistir, mais chances terá de encontrar as pessoas que querem ouvir o que você tem a dizer.

E isso dificilmente acontece do dia pra noite. Muitos dos influenciadores que eu sigo estão na internet há anos, quando nós nem falávamos em produção de conteúdo e influência digital.

Eles não alcançaram a sua audiência do dia para a noite, foi preciso muito trabalho sem qualquer perspectiva de que um dia isso poderia ser remunerado. E hoje eles chegaram lá, então não pense que em algumas semanas você será uma autoridade digital.

Seja paciente e persistente, continue focado em compartilhar o que você sabe e quer dividir com o público, cultive bons relacionamentos com o seu público e outros influenciadores, pois ninguém cresce sozinho na internet.

Mas saiba que nas redes sociais, sempre terá ao menos uma pessoa te ouvindo. Se apenas uma pessoa tomar uma decisão graças ao que você disse, e essa pessoa te procurar para agradecer por isso, será que você já não está influenciando digitalmente?

Afinal, qual é o problema em ser influenciador digital?

Sete em cada dez pessoas que falam mal do surgimento dos influenciadores digitais não sabem explicar o motivo de os detestarem. Essa porcentagem sobe se você estiver no Twitter.

Trabalho fácil? Vimos que não é. Não é trabalho de verdade? Muitos não vivem apenas disso, outros conseguem se sustentar com as publicidades que fazem. São fúteis? Nem sempre, muito pelo contrário. Não é justo ganhar dinheiro com isso? Por que não?

Se você quer compartilhar com o mundo o seu trabalho, seus projetos e ideias, vai fundo. Você vai encontrar pessoas que querem ouvir o que você tem a dizer, e isso é uma relação ganha-ganha.

Você tem dúvidas sobre comunicação digital, eu trabalho com isso e produzo conteúdo para te explicar o que você quiser sobre o assunto. Você pode me seguir e interagir com o que eu posto, outras pessoas fazem o mesmo e eu cresço como profissional, assim como você ao ter novos conhecimentos que podem ser aplicados no seu trabalho.

E se nesse processo tanto eu quanto você nos tornarmos influenciadores digitais de sucesso, qual é o problema?

Ao invés de demonizar a influência, como um antro de futilidade e dinheiro mal gasto, pense que quanto mais você cresce, mais pessoas terão a oportunidade de conhecer o seu trabalho, os seus ideais e a sua história, e podem se beneficiar do que você faz.

Eu acredito muito nisso, é por isso que estou aqui te escrevendo esse artigo, para que você não tenha medo de começar o seu projeto na internet. Fama é consequência, influência é resultado.

E para finalizar, quero te recomendar o episódio “Competitividade versus Colaboração”, do podcast “Dia de Brunch”, conduzido pela Ana Paula Passarelli e pela Issaaf Karhawi. Elas falam TUDO o que eu penso sobre formação de coletividade para influenciadores e criadores, com uma didática tão massa que você vai se apaixonar.

Vamos juntos desbravar o mundo da produção de conteúdo e influência digital?

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