Exposição antiética não é jornalismo

Neste sábado (25/06/2022), a atriz Klara Castanho veio ao seu Instagram trazer uma carta aberta para revelar a informação que, em segredo, havia sido estuprada, engravidou em decorrência do abuso sofrido, realizou o parto e entregou a criança para adoção

E tudo isso veio a público graças ao desserviço causado pelo — suposto — jornalista Léo Dias.

Não é de hoje que o jornalista tem seu nome envolvido em escândalos pelo vazamento antiético, e até mesmo ilegal em alguns casos, para sua coluna de fofocas e redes sociais.

Na situação de Klara, Léo teve acesso aos dados por funcionários do hospital em que a atriz realizou o parto, da Rede D’Or em Santo André. Ele teria coagido Klara para publicar a matéria, consentiu em não fazê-lo, mas usou os seus recursos para trazer a história à mídia.

Em uma entrevista no dia 16 deste mês ao programa The Noite, do Danilo Gentili, Léo Dias afirma saber de uma história chocante envolvendo uma atriz. Sem citar nomes, ele afirma que se sente pessoalmente revoltado, assumindo que “o carma vai ser grande” e que “envolve vidas”. Quando Gentili afirma que se trata de “uma atriz que se faz de santinha”, ele concorda.

A parte em questão pode ser vista aos 11:37 da transmissão.

Não satisfeito, Léo teria entrado em contato com Antônia Fontenelle, que nesta sexta (24/06), fez uma live divulgando o caso em suas redes, até mesmo acusando Klara de abandono de incapaz por ter optado pela adoção. Contudo, assim como na entrevista, ela não citou o nome da atriz diretamente.

O que colocou o nome Klara Castanho no caso foi a semelhança do ocorrido com a trama da sua personagem na série “Bom dia, Verônica”. Apontado inicialmente como marketing, o tópico alcançou grande repercussão no Twitter, e no sábado, o suposto profissional lançou uma matéria no Metrópoles com informações sensíveis sobre o caso, incluindo o nome da atriz, nome do hospital, data do procedimento e também o sexo do bebê. 

Link antigo da reportagem: https://www.metropoles.com/colunas/leo-dias/estupro-gravidez-indesejada-e-adocao-a-verdade-sobre-klara-castanho 

Pouco tempo depois, Klara publicou uma carta aberta contando tudo o que aconteceu; em resposta, Léo Dias publicou uma nota nas suas redes, dizendo que a ocasião foi uma oportunidade de “repensar”. A iniciativa foi tão criticada que ele apagou a publicação e o portal de notícias tirou a matéria do ar.

Resumindo a história: 

  • uma jovem foi violentada, descobriu uma gestação decorrente do estupro, realizou o parto e entregou a criança para adoção;
  • os funcionários do hospital passaram as informações sigilosas do procedimento para jornalistas e ameaçaram a atriz;
  • jornalistas tiveram acesso ao caso, contataram a jovem dentro do hospital, e pela gravidade da situação, todos consentiram em não publicar;
  • um suposto jornalista, que teve acesso a essas informações, usou as suas conexões para divulgar o caso indiretamente;
  • uma pessoa levemente conhecida nas redes sociais fez uma live tendenciosa falando sobre o caso, gerando discussões na internet que atrelaram o caso a uma atriz;
  • aproveitando a audiência, o colunista publicou o caso em um grande veículo de comunicação;
  • coagida pela pressão do suposto jornalista e da pessoa levemente conhecida, a atriz teve que expor o próprio trauma para encerrar o caso.

Quero frisar mais uma vez: isso foi causado por um suposto jornalista, pois qualquer profissional formado na área — até mesmo o mais incompetente — tem plena consciência sobre ética na comunicação. Coisa que Léo Dias não possui.

Léo Dias tem um histórico questionável de desavenças com famosos e exposições inconsequentes, como as polêmicas envolvendo Bruna Marquezine e Danielle Winits, vazou a gravidez de Bianca Andrade na sua coluna antes da empresária revelar a notícia para os familiares e amigos, e ainda teria coagido Anitta tirando dela furos de reportagem em troca de não vazar polêmicas da cantora.

Esse caso precisa, mais do que nunca, deixar de ser um alerta e se tornar uma decisão: o jornalismo não pode tolerar falta de ética nos seus procedimentos. Alguém que se diz jornalista não pode usar da sua posição para extorquir vítimas em troca de audiência.

Quanto ao Léo Dias, siga os códigos de ética do jornalismo ou mude de profissão. Jornalismo é coisa séria, e tais atitudes não condizem com as boas práticas de reportagem.

Um abraço, e a gente se lê por aí.

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