O Instagram ainda vale a pena?

Já faz algum tempo que eu, Gabriel Bellia, não produzo mais conteúdo no Instagram, e durante todo esse período fiquei me questionando se valia a pena retornar.

Lá no Instagram eu comecei o Tá Difisio e depois a Grambélia, por quase um ano eu produzi conteúdo seis vezes por semana, sem parar. Já cheguei inclusive a gerenciar cinco contas ao mesmo tempo, sendo uma delas de um cliente e as demais eram projetos meus.

Eu tenho até um artigo aqui no site falando sobre os nove motivos para estar no Instagram, justamente por acreditar no potencial da rede, e então parei toda a minha produção.

Como e por que um especialista em comunicação integrada no Instagram decidiu repensar sua presença na sua rede de especialização? Fica comigo que eu te conto!

Instagram X TikTok

Essa história começa no dia 30 de junho de 2021, quando Adam Mosseri, chefe do Instagram, fez uma publicação nas suas redes sobre as principais mudanças que poderíamos esperar para a plataforma.

Fonte: Adam Mosseri (Twitter)

Nisso, ele confirmou uma suspeita já antiga entre os usuários: o Instagram decidiu priorizar os conteúdos em vídeo para rivalizar com TikTok e YouTube.

O Instagram no início era uma plataforma de fotos, que acabou aceitando conteúdo em vídeo no feed, limitado a 1 minuto. Depois disso lançaram o IGTV, em 2018, que permitia mais tempo de duração, e mais recentemente os Reels, agora em 2020.

E a rede já mostrava um comportamento predatório, como a implantação dos Stories em 2016 para ultrapassar o Snapchat, depois de não conseguir comprar a empresa. O IGTV foi pensado para derrubar o YouTube, enquanto os Reels tinham o propósito de tirar mercado do TikTok.

O mesmo modus operandi do Snapchat: a empresa se nega a vender suas ações para o grupo Facebook, então eles lançam uma ferramenta similar e a promovem intensamente nas suas plataformas.

Contudo, o TikTok cresceu de uma forma que o Instagram não conseguiu acompanhar, e com isso todo o foco da rede caiu sobre o Reels. O próprio Adam cita isso em seu vídeo:

“Nós não somos mais um aplicativo de compartilhamento de fotos, ou um aplicativo de compartilhar fotos quadradas. […] Porque sejamos honestos, há realmente uma grande competição agora. TikTok é enorme, YouTube é ainda maior, e existem muitos outros iniciantes também.”

Adam Mosseri

E com isso ele afirma que o Instagram agora estará focando nos conteúdos em vídeo. O que ele não conta é que isso significa tirar o alcance dos conteúdos estáticos para dar visibilidade aos Reels.

Tanto que mudaram a interface da página inicial do app, colocando a aba Reels no lugar do botão de Enviar Conteúdo, a região de maior destaque da tela. Isso não foi feito à toa.

Mas qual é o grande problema disso?

O TikTok nasceu e cresceu como uma plataforma de vídeos curtos, o Instagram não. Sua especialidade eram as fotos, tanto que o nome do app vem de instant telegram, uma rede de fotos instantâneas.

Por mais que o Instagram inseriu vídeos e outros recursos, ele ainda era reconhecido como uma plataforma de fotos desde 2011, e depois de criar essa reputação sólida por nove anos, a rede jogou tudo para o alto para se tornar um aplicativo de vídeos similar aos que já existem.

O Instagram era soberano entre as redes de fotografias, e agora luta para se assemelhar às redes de vídeos que já estão consolidadas. O grupo destruiu o que havia de mais poderoso no Instagram: sua identidade.

Quem usava o Instagram, usava pelas fotos. Quem se encontrou no TikTok, foi pelos vídeos.

Achar que um público de fotos vai se tornar um público de vídeo, e que um grupo que já está familiarizado por um app de vídeos vai trocá-lo por outro similar, não foi uma aposta inteligente. Simples assim.

E isso leva a outro problema.

E se eu não gostar de vídeos?

Imagina que você começou a fazer faculdade de Administração. Você viu a proposta do curso, se identificou com a grade curricular, e tomou a decisão de seguir a área.

Porém, a instituição percebe que o curso de Veterinária está em alta, e resolve transformar o curso de Administração em Veterinária para surfar essa onda. Ela pode atrair mais pessoas interessadas no segundo curso, mas e quem tinha a vontade de ser administrador?

Essas pessoas vão largar o curso e procurar outra instituição, concorda? Pois é basicamente isso que tem acontecido com o Instagram.

Quando você muda a sua identidade, formato e objetivos sem consultar o seu público, está correndo o risco de perdê-lo.

Porque quem acreditava no Instagram desde o começo, estava familiarizado com conteúdo visual. Alguns podem saber o básico ou até mesmo gostar de produção de vídeos, mas não dá para garantir que todos vão seguir o mesmo caminho.

E se a plataforma que eles acreditavam deixa claro que a prioridade é um conteúdo totalmente diferente do que o consagrou, e muito diferente do que estavam acostumados e especializados, uma possibilidade é aproveitar esse conhecimento em outro lugar ao invés de mudar a sua produção.

Afinal, é mais fácil você cursar Administração em outra faculdade do que aprender Veterinária, não acha?

Dessa forma, vale a pena pensar se você realmente quer produzir no Instagram ou buscar outra plataforma.

O algoritmo ajuda ou atrapalha?

Alguns vão rever seu formato de conteúdo para se adaptar às novas políticas do Instagram, outros vão preferir migrar para novas plataformas. Não tem como prever, apenas entender o comportamento dos criadores.

Mas existe outro porém nessa história, que já vem sendo discutido há bastante tempo: o algoritmo do Instagram.

O Adam publicou um artigo no blog oficial do Instagram em junho desse ano sobre o funcionamento do algoritmo. Ele cita que na verdade não existe um algoritmo, e sim vários, que juntos entendem o tipo de conteúdo que cada usuário prefere.

Mas como o resultado final é o mesmo, pouco importa os detalhes, então podemos chamar de Algoritmo numa boa.

O algoritmo é um conjunto de códigos e processos que detectam as preferências do usuário e entregam aquilo que se assemelha aos seus favoritos. E por ser formado por códigos, o algoritmo não é bom nem ruim, e sim eficaz ou não.

Segundo o Adam, o Instagram tem como um dos critérios a sua interação com as contas. Quanto mais você curte, comenta e compartilha as publicações de um usuário, mais chances desse conteúdo aparecer no seu feed.

Com isso já temos um problema: e se eu sou do tipo de pessoa que vê as publicações, mas não comenta nem compartilha? O Instagram vai entender que esse é o meu perfil comportamental ou vai simplesmente inferir que esse conteúdo não me agrada?

Outro ponto é a frequência de postagem. Como a plataforma abandonou o feed cronológico pelo alto volume de publicações, nem tudo vai chegar para você. O Adam cita no artigo que eles evitam “mostrar muitas publicações sucessivas da mesma pessoa”, mas qual seria o número exato para isso?

Se você posta muito — e aqui não temos ideia do que seria esse muito — o Instagram não vai entregar tudo. E se você posta pouco — mais uma vez, não sabemos o que seria esse pouco — as pessoas interagem menos, já que existe uma avalanche de postagens diariamente.

Por isso, o artigo mostra que o algoritmo não entrega o seu conteúdo para todos os seus seguidores.

Cerca de 10% dos seus seguidores verão as suas postagens no feed, os outros 90% não terão conhecimento delas. Quando você tem 100 mil seguidores, 10 mil receberão as publicações, mas para quem tem 100, apenas 10 vão saber que tem conteúdo novo.

E quantos desses 10 vão curtir, comentar e compartilhar? É difícil prever.

Para contornar esse problema, o Instagram oferece o impulsionamento de postagens, em que você promove um post para alcançar mais pessoas, inclusive pessoas que não te seguem.

Mas você percebe que, no fundo, é preciso colocar dinheiro no Instagram para que as pessoas que te seguem — por livre e espontânea vontade e interesse — possam receber o que foi postado dentro da própria rede?

É difícil afirmar que o algoritmo do Instagram é eficaz com todas essas particularidades.

O que você produz X o que o Instagram oferece

Eu disse lá atrás que agora você pode escolher entre começar a produzir vídeos ou migrar de rede, mas a verdadeira pergunta é bem mais complexa do que isso: o Instagram é de fato a melhor plataforma para você?

Falando da minha experiência como produtor de conteúdo, meu ponto forte sempre foram os textos. Eu me expresso muito melhor na escrita, consigo organizar melhor minha linha de raciocínio e ser mais didático escrevendo.

Mas o Instagram não é o melhor lugar para textos, pois temos um limite de 2.200 caracteres, e o seu foco é audiovisual. Se eu quiser escrever, preciso postar uma foto ou vídeo junto.

Se eu quiser montar um artigo completo como esse, não tenho como fazer no Instagram, será preciso achar fotos e vídeos para postar com o texto, e fragmentá-lo para caber em diversas postagens.

Eu sempre bolei meu conteúdo primeiro em texto e depois em imagens, e isso não faz sentido. Ao invés de encontrar fotos que se adequem ao texto, eu poderia postar o artigo em um lugar específico para isso, e talvez ilustrar com imagens.

Detesto fazer vídeos, já tive várias experiências como videomaker que não foram agradáveis para mim, inclusive um vlog no YouTube muitos anos atrás.

Eu me incomodo com a forma como não consigo focar na câmera, se a iluminação não estiver 100% boa, com o cenário, a produção e edição do vídeo, a minha imagem e o que eu estou usando… Se eu me forçar a produzir vídeos, não vou garantir um bom trabalho, já que odeio fazer isso.

É a mesma coisa de quem odeia academia: é melhor insistir na musculação, que você não gosta, ou buscar outro tipo de exercício que te agrada?

Foi assim que eu encontrei o podcast. Eu posso montar o texto para o blog e depois transformar em áudio, sem me preocupar com todos aqueles pontos do vídeo. Assim eu posso explorar outros formatos sem ter essa rigidez de me prender a algo que eu não gosto.

Se você não quer trabalhar com vídeos — o foco do Instagram agora — sugiro encontrar a plataforma que se adeque melhor aos seus interesses.

Para textos, Facebook, LinkedIn, Tumblr, Twitter e Medium são boas escolhas. Para vídeos, YouTube, TikTok e Kwai são alguns exemplos.

Para podcasts, o Anchor vale muito a pena para você que é produtor. É o que eu uso atualmente e te permite publicar em várias mídias, incluindo o Spotify. Mas se você só quer consumir, tente Spotify, Deezer e SoundCloud, entre outros.

E para as imagens, existe o Pinterest, Behance, Tumblr, Twitter, DeviantArt, ArtStation, Snapchat, e por aí vai. Cada rede tem sua especificidade, e você pode encontrar a que mais se adequa ao seu perfil.

Mas os meus seguidores estarão nessas plataformas?

Olha, nem sempre, mas cada rede tem o seu público definido, e pode receber novos usuários todos os dias. Você prefere ter 5.000 seguidores no Instagram que não interagem com o seu conteúdo, ou 100 em outra plataforma que estão sempre engajando com o seu trabalho?

É tudo uma questão de pontos de vista.

Então eu devo desistir do Instagram?

Seria ótimo eu responder essa pergunta com “sim” ou “não”, né? Mas não é tão simples assim, é preciso pensar em vários detalhes, e o principal é: você quer continuar no Instagram?

Eu tenho os meus motivos para me posicionar sobre o Instagram, você pode ter os seus, e os nossos contextos podem não se cruzar. Inclusive, esse é um grande problema dentro do meio de comunicação digital, é muito influencer e guru dando ordens sem conhecer a sua trajetória.

Eu posso sair do Instagram, encontrar outra plataforma e fazer muito sucesso, mas isso não garante que você vai ter o mesmo resultado. Ou então você decide continuar no Instagram, e dá muito mais certo do que eu já consegui.

Você precisa refletir sobre tudo isso que eu apresentei aqui e tirar as suas próprias conclusões, pois somente você poderá definir o que é melhor para você. 

Eu, Gabriel Bellia, decidi não mais ser um produtor de conteúdo no Instagram, vou apenas movimentar as minhas redes esporadicamente, porque eu prefiro investir meu tempo e energia nas redes em que eu possa explorar o que eu faço de melhor: áudios e textos.

Ainda existe vida no Instagram, não podemos negar, e a forma como você se dedica ao seu projeto é um grande indicador de como você vai crescer, independente da plataforma escolhida.

O que eu quero te fazer pensar é: o Instagram não é a única escolha, fazer diversos Stories todos os dias não é regra, e gravar dancinhas para o Reels não é necessário, se você não quiser.

E se me permite um conselho, assista esse vídeo da Nátaly Neri, falando sobre algoritmo das redes, fluxo de conteúdo e saúde mental. Vale MUITO a pena.

Fonte: Nátaly Neri (YouTube)

E é isso. Um abraço, e até mais!

Referências:

Como o suposto inventor do telefone inspirou a minha empresa

Pensa rápido: Graham Bell é famoso por inventar o que?

Não foi a lâmpada, essa é de Thomas Edison. Também não foi o avião, apesar dessa ser óbvia, né?

Nosso amigo é creditado como o inventor do telefone, sua obra inspirou a área da Comunicação muito mais do que você imagina, mas ele não foi o primeiro a inventar o telefone. E ainda de quebra inspirou a Grambélia.

Você quer ser edificado por essa fofoca histórica? Então chega mais.

Inventor do telefone?

Alexander Graham Bell é um inventor escocês e o responsável pela invenção do telefone. Nascido em 3 de março de 1847 em Edimburgo, ele é associado ao avanço do setor de comunicações, já que o maluco criou o aparelho que permitiu ao ser humano falar com as pessoas mais distantes em tempo real.

O impacto da invenção de Bell foi tão grande que hoje não vivemos sem um telefone celular na mão. E por incrível que pareça, o que menos fazemos com os telefones é falar por voz, mas ainda sim estamos nos falando cada vez mais.

Mas se eu te disser que Graham Bell não foi o inventor real do telefone, e que sua vida foi uma mentira, você acredita? Ok, a sua vida provavelmente não foi uma mentira, mas dizer que Graham Bell foi o primeiro a inventar o telefone sim.

Bem, para entender melhor essa treta, é importante falar sobre o contexto histórico.

Tudo começa pelo começo

Bom, tudo começa em 1830, quando Samuel Morse inventa o telégrafo elétrico. Essa engenhoca transmitia sinais por meio de uma corrente elétrica, de forma a conectar EUA e Europa.

E sim, ele também desenvolveu o Código Morse.

O problema do telégrafo era estar restrito às cabines de transmissão, não era algo que qualquer um poderia ter em casa, e também não transmitia sons. Thomas Edison fez umas melhorias, mas ainda queriam uma versão que pudesse ser falada, até porque a Western Union tinha o monopólio dos telégrafos.

Guarde essa informação.

O primeiro cientista a desenvolver um protótipo nessas condições foi o alemão Johann-Philipp Reis, que apresentou em 1861 um aparelho que, segundo ele, representava como o ouvido humano funcionava.

Sem querer ele inventou o telefone, mas como só estava interessado em seus estudos em Anatomia, não achou grande coisa.

A disputa de Bell e Gray

Graham Bell trabalhou por anos nesse projeto, até apresentá-lo em 1876 e patentear o invento. Daí pra frente foram apenas glórias e muitos dinheiros na conta do escocês, afinal, ele inventou o telefone, certo?

Bem, digamos que no mesmo dia em que Bell registrou a patente, aproximadamente duas horas depois, o estadunidense Elisha Gray também registrou a patente do mesmo aparelho.

Parece uma incrível coincidência o escocês ter registrado a invenção às pressas, muito pouco tempo antes de Gray, quase como se alguém tivesse sussurrado ao nosso colega que outro inventor estava para vencer a corrida. Suspeito.

Até porque Bell e Gray eram rivais, ambos estavam trabalhando no protótipo do telefone, mas até aí você ainda pode considerar que foi apenas uma questão de velocidade no registro. E é aí que entra nosso querido Antonio Meucci.

Bell roubou pão na casa de Meucci

O italiano se mudou para Cuba em 1835 para fugir das questões políticas na Itália, e em 1856 concluiu os seus estudos no aparelho que transmitia sons à distância por cabos. Ele o batizou de teletrofono, e em 1871 solicitou o registro provisório de patente.

Infelizmente, quando o registro venceu em 1874, Meucci não tinha dinheiro para pagar a renovação, que seriam 10 dólares, e passou a buscar investidores para o seu invento.

E quem supostamente foi um dos ouvintes do projeto? Ela mesma, a Western Union, que não se interessou. Mas a empresa não retornou os registros do invento ao italiano, dizendo que havia sido perdido. E em 1876, o não tão amado escocês registra o invento, incrivelmente similar ao de Meucci.

A história diverge um pouco nesse ponto: alguns creditam à Western Union o furto do projeto para fazer um acordo com Bell, enquanto outros dizem que o escocês enviou o seu próprio projeto para a empresa, e ela não se interessou.

Porém, outra informação interessante é que Graham Bell tinha o apoio de Gardiner Greene Hubbard, um advogado e empresário estadunidense, e ele teria relações com o Escritório de Patentes.

Isso explicaria como Graham Bell teve acesso aos arquivos de Meucci e de quebra saberia sobre Elisha Gray.

Uma batalha judicial com um desfecho pouco justo

Meucci processou Bell por fraude, mas morreu durante o processo e assim Graham Bell foi declarado o inventor do telefone. A justiça estadunidense reconheceu o trabalho de Meucci na Resolução 269 de 2002, apesar do Canadá ter feito uma moção contra essa decisão dez dias depois.

Os registros não são muito claros com relação a todo esse processo envolvendo os inventores: uns dizem que a justiça estava pendendo para Meucci, outros que o processo demorou por influência da Western Union.

Mas não há como negar que Graham Bell teve várias condições inexplicáveis que o colocaram na frente da corrida, portanto, não é realmente justo dar a ele o título de “o inventor do telefone”.

Entretanto, o trabalho de Bell para a área de comunicação foi muito rico, e é sobre isso que devemos falar.

O lado pouco conhecido sobre a obra de Graham Bell

Já sabemos que Bell era cientista e inventor, mas poucos sabem que ele era fonoaudiólogo, e que sua família tem um grande histórico na área.

Sua mãe, Eliza Bell, era surda. O pai, Alexander Melville Bell, professor de fonética e instrutor de surdos. O avô, Alexander Bell, também era da área: começou como sapateiro e se tornou professor de elocução.

Melville Bell foi um dos precursores da leitura labial, por meio dos seus treinamentos, e a condição de Eliza motivou Graham Bell a cursar Medicina para descobrir formas de ajudá-la.

A família se mudou para o Canadá em 1870, e em 1871 Bell foi convidado no lugar do pai a ministrar treinamentos para surdos em Boston. Isso o fez conhecer Gardiner Greene Hubbard, pois sua filha era surda, e então Graham Bell se casou com Mabel Hubbard. Esse conjunto de fatores o levaram a desenvolver o telefone, e o resto da história você já sabe.

Podemos ter um Complexo de Édipo nessa questão entre Bell e Mabel? Possivelmente, junto com a ideia de se unir a um homem bem sucedido para financiar suas pesquisas.

Graham Bell influenciou muito mais do que imaginamos

O trabalho do escocês para a comunidade surda nos EUA foi muito importante. Ministrou aulas de Fisiologia Vocal e Elocução na Universidade de Boston, abriu sua escola de instrução para surdos e fundou a Associação Americana de Ensino de Surdos e Mudos.

Também é cofundador da Sociedade Geográfica Nacional, responsável pelo National Geographic Channel, e também da Science, a revista científica de maior renome mundial. Teve sua própria empresa de telefonia, a Bell Telephone Company.

Porém, Graham Bell também possui um lado negro que precisa ser dito: ele foi favorável à eugenia da população com deficiência, inclusive a comunidade surda, e suas ideias inspiraram alguns dos experimentos nazistas.

Ele chegou até mesmo a defender a esterilização de surdos para impedir que eles disseminassem sua “falha genética”, fazendo com que a comunidade surda hoje não considere o legado de Graham Bell como algo positivo para a história.

E como a Grambélia entra nesse meio?

Você está vendo o nome Graham Bell tantas vezes que já deve ter se tocado, mas caso ainda não teve o lampejo de inspiração do seu neurônio solitário, presta atenção aqui:

Graham Bell se pronuncia “Gram Bél”. O meu sobrenome é Bellia, apesar de frequentemente as pessoas pronunciarem como “Bélia”, algo que eu jamais entenderei.

Juntou as peças agora?

Pois é, quando estava fazendo um processo de ideação para definir o nome da minha empresa, Grambélia surgiu ao me lembrar de Graham Bell e seu legado na criação do telefone.

Porém, depois de fazer isso, fui pesquisar sobre a história dele, para saber com o que de fato ele contribuiu ao longo da história, e meu primeiro choque foi descobrir essa treta toda.

Graham Bell não foi o real inventor do telefone, apesar de sempre termos aprendido isso. Isso me faz pensar que a Comunicação muitas vezes é muito diferente do que pensa o senso comum, e se você não estudar e pesquisar muito, corre o risco de estar sempre errado em sua abordagem.

Mas Bell teve uma carreira muito maior que ninguém sabia, como fonoaudiólogo. Ele aplicou os conceitos de saúde em suas estratégias de comunicação e revolucionou a história da educação de surdos. E eu, enquanto fisioterapeuta e assessor de comunicação, penso o mesmo.

Não é à toa que muitos profissionais da saúde não crescem, porque nós não aprendemos o básico sobre comunicação com os pacientes e familiares, quem dirá sobre comunicação digital.

E como eu quero me especializar na área de Comunicação em Saúde, essa trajetória de Graham Bell me fez pensar que é o caminho certo.

Resumindo a obra: Graham Bell era um safado

Você deve ter pego antipatia dele pelo furto de ideias, depois simpatia pela sua dedicação à comunidade surda dos EUA, e no fim voltou a sentir desprezo pelo seu pensamento eugenista.

Como um cientista e professor de eloquência para surdos defendia que eles eram falhas genéticas e não deveriam se reproduzir?

Este é o grande X da questão: sem consciência social, qualquer pauta e trabalho corre o risco de cair no obscurantismo.

É por isso que muitos surdos não o consideram como um legado positivo, já que no fim ele defendia a esterilização dos surdos e embasou em boa parte a política nazista.

A comunicação digital precisa ser tão real quanto virtual

Honestamente, eu tô de saco cheio de ver esse tanto de guru do marketing sem um pingo de noção de realidade. Não adianta convencer as pessoas que o Instagram é a resposta para tudo, enquanto 25% da população brasileira não tem acesso à internet, segundo a PNAD 2020.

O que eu mais vejo pelas redes são os tais gurus vendendo cursos que garantem que a pessoa será bem sucedida nas redes, mas ao analisar o conteúdo, você percebe que é vazio.

Vendem fórmulas mágicas e se sustentam disso, porque todo mundo está tão desesperado por ganhar dinheiro com a internet que só percebem a cilada depois de pagar “apenas” 12 parcelas de R$ 300,00.

Portanto, esses valores me guiam enquanto profissional de comunicação, e meu objetivo com a Grambélia é ajudar os profissionais autônomos, da saúde e produtores de conteúdo a entender melhor os aspectos da comunicação digital e como aplicá-los em seus negócios.

Prometo a você enriquecimento em menos de seis meses? Obviamente não, porque isso não existe. Para você lucrar tanto em tão pouco tempo, várias pessoas precisam perder dinheiro, o capitalismo funciona assim.

Mas ao entender a comunicação digital e como ela pode te ajudar a construir sua imagem pública, assim como conhecer as ferramentas que a internet te oferece, eu posso te mostrar por onde começar e como chegar lá.

Sendo assim, bem vindo à Grambélia! E se precisar de ajuda profissional, me mande um e-mail e vamos conversar.

Referências:

O caso Luísa Sonza: precisamos falar sobre Violência Digital

Se você não conhece a Luísa Sonza, ela é uma das maiores cantoras pop brasileiras da atualidade. Entre os seus inúmeros hits, Braba foi a música que mais emplacou nas rádios e mídias sociais.

Clipe da música “BRABA”, de Luísa Sonza.

Nessa semana a equipe de Luísa Sonza informou que a artista precisou deixar o país e as redes temporariamente. O motivo? Uma onda de comentários raivosos e ameaças de morte à cantora nas redes sociais.

Luísa se casou com Whindersson Nunes em 2018, e em abril de 2020 se separaram. Na época, começaram os rumores que ela só se casou para crescer na carreira e teria largado o humorista. Mas em junho ela lançou o clipe “Flores” com Vitão, os usuários apontando nas redes que Luísa teria traído Whindersson.

Luísa e Whindersson na praia.
Fonte: Jovem Pan.

Ela começou o seu processo de negar os boatos, sem sucesso, até que em setembro eles assumiram o namoro, e Whindersson começou a namorar a estudante Maria Lina em novembro. A partir disso a história ficou mais complexa.

Maria engravidou pouco tempo depois, e em maio deste ano uma discussão entre Luísa e Whindersson veio à tona, começando com uma crítica da cantora ao governo. Quando um usuário a acusou, novamente, de ter traído o comediante, ela se manifestou e em seguida Whindersson confirmou que Luísa não o traiu e que foi ele quem rompeu o casamento, não a cantora.

Já nessa época, Luísa afirmava que ela e o namorado estavam sofrendo ataques não só nas redes sociais, mas também nas ruas, por causa desse boato de traição. Vitão já foi assediado em shows drive-in e também por um trio de rapazes que pediram um vídeo com o artista. A família de Luísa também estava recebendo ameaças de morte pelas redes sociais.

No dia 31 de maio, Maria Lina perdeu o bebê, que nasceu prematuro no dia 29, e aqui se inicia a fase mais sombria da história de Luísa Sonza: ela foi culpada pela morte do bebê, por usuários, nas redes sociais.

As redes sociais de Luísa Sonza foram bombardeadas de insultos e ameaças de morte, como divulgou o Fantástico no dia 06 de junho. Entre os áudios e comentários, ela foi chamada de “assassina” e que seria “desossada e queimada viva”. Recebeu imagens de armas com a indicação de que ela e os familiares seriam mortos.

Vale lembrar que Luísa desenvolveu depressão e síndrome do pânico nesse período.

Pessoas se uniram em um coro virtual para agredir uma figura pública, mulher, por boatos. Muitos fãs do humorista criaram a missão pessoal de infernizar a cantora de todas as formas possíveis por um rumor que foi negado pelo próprio Whindersson, e mesmo assim Luísa segue sendo agredida e responsabilizada pela morte do seu filho.

Não é de hoje que a internet vem se tornando um espaço sangrento, mas essa jornada da Luísa Sonza é um indício máximo de que precisamos mudar nosso comportamento digital.

O que garante que um desses usuários faça um atentado contra a cantora por causa de um boato já desmentido por ambas as partes? Ou que Luísa, fragilizada pelo seu estado psicológico, cometa suicídio por não aguentar a pressão?

O mais assustador é saber que existem pessoas na internet contando com uma dessas possibilidades, e dispostas a torná-las realidade.

Se você acredita que não se iguala aos usuários maníacos que estão promovendo esse linchamento virtual, questione-se: nas suas redes há comentários e mensagens raivosas direcionadas à pessoas que não te agradam? Você diz coisas desrespeitosas e agressivas na internet por indignação ou entende que o seu direito termina onde o direito do outro começa?

É preciso fazer um pacto pelo fim desse tipo de conduta na internet. Violência digital diz respeito a todos nós, e pode acontecer com qualquer um. Internet não é terra sem lei, então caso se depare com situações do tipo, denuncie.

Será que você aguentaria passar por tudo isso que a Luísa vem enfrentando?

O mito do bom profissional da saúde prejudica a comunicação digital

Se você é um profissional da saúde, provavelmente já se deparou com o mito do “bom profissional da saúde”. Uma figura etérea, onipresente e até mesmo sagrada, que fazem os estudantes e formados seguir cegamente, sob risco de fracassar na profissão.

Porém, você também deve ter começado a usar mais as redes sociais para divulgar o seu trabalho durante a pandemia. Talvez esteja mais familiarizado, talvez ainda não se adaptou a esse universo.

Mas sabe quem atrapalha diretamente a sua presença digital e te faz não ser bem sucedido nas redes? Ele mesmo, o mito do bom profissional da saúde, e quanto mais cedo você se desprender dele, mais fácil será a sua trajetória no meio virtual.

Ficou curioso sobre o assunto? Chega comigo que eu te explico!

O bom profissional da saúde precisa ser sério

Segundo relatos, o bom médico e o bom fisioterapeuta — assim como os demais profissionais da saúde — devem ser sérios, formais, ter boa postura e agir como se tivessem controle total da situação. Devem chamar o paciente por nome e sobrenome, não cultivar a intimidade nem amizade, afinal somos profissionais, por favor.

E acima de tudo, ser impessoais.

O que foge dessa regra é visto como pouco profissional e está fadado ao fracasso, pois se você não é sério, não passa credibilidade, ainda mais sendo recém-formado.

Eu vivi isso na prática clínica: fui taxado de pouco profissional por ser afetuoso com os pacientes, por deixar a terapia mais leve e agir com bom humor quando necessário.

Para os pacientes a estratégia deu muito certo. Essa atitude ajudou muito no tratamento, pois os fazia se sentir mais confortáveis, segundo o retorno que eles me traziam e a evolução mostrava.

Contudo, não foi visto com bons olhos por professores e colegas, porque não parecia ser muito profissional. No fundo, ainda impera esse comportamento dentro da saúde: se você não age com frieza e formalidade, jamais será um profissional valorizado.

Fonte: Pavel Danilyuk (via Pexels)

Uma das origens desse comportamento vem da herança médica, que ainda é visto como o líder das equipes de saúde. O médico, na maior parte das lembranças coletivas, é o senhor imponente e autoritário, silencioso, que não se envolve com o paciente e aparenta ter todas as respostas na ponta da língua.

Provavelmente não sorri nem chama o paciente pelo nome, já que não possuem intimidade, e desde o início somos ensinados a temê-los.

Quem nunca ouviu a mãe dizer “obedece o doutor!” ou “o doutor vai te dar injeção se você não se comportar!”? Ir ao médico era visto como um castigo, o lugar onde você só vai quando as coisas estão ruins.

Fonte: Gustavo Fring (via Pexels)

As pessoas associam a imagem do médico a um senhor com cara de poucos amigos que vai receitar um remédio amargo e um tratamento rigoroso. Anos depois, ainda cultivamos essa imagem mental e enxergamos em cada profissional da saúde aquele senhorzinho maligno que nunca sorri.

Ao ver uma pessoa te atendendo que foge totalmente desse estereótipo, é como se nossa mente entrasse em curto e dissesse: “pera aí, certeza que esse cara é médico de verdade?”.

O bom profissional da saúde não posta vídeos no TikTok

Essa figura do bom profissional é tão onipotente por um grande motivo: a própria classe reforça esse estereótipo. Tenho o exemplo perfeito para ilustrar o caso.

Em 2020, o Conselho Federal de Medicina (CFM) de Rondônia emitiu uma nota dizendo ser “falta ética” os médicos postarem vídeos com danças e simulações nas redes sociais, por considerar “falta de decoro profissional”.

A nota em questão estava diretamente relacionada ao TikTok, aplicativo de vídeos curtos que cresceu muito na pandemia.

Fonte: cottonbro (via Pexels)

Autopromoção e divulgação de serviços na área da saúde segue todo um conjunto de critérios fixados nos manuais de ética e conduta. Porém, considerar como falta de decoro um médico usar memes e tendências virais para combater desinformações em plena pandemia?

Existem prós e contras de ambos os lados, mas o que o lado contrário defende é que esse tipo de conteúdo prejudica a imagem do médico enquanto profissional, que o faz ser visto com menos prestígio por usar uma abordagem popular.

Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

Quando você diz que esse tipo de conteúdo não condiz com a medicina, está dizendo que o médico não pode produzir conteúdo na internet como uma pessoa normal.

Ver um médico fazendo um vídeo descontraído nos choca, pois ele desce do pedestal que nunca deveria ter sido colocado e passa a estar no mesmo nível que eu e você.

Fonte: Tima Miroshnichenko (via Pexels)

O TikTok é uma rede que favorece o conteúdo mais espontâneo e divertido. Você pode ter uma abordagem mais formal, mas como o público majoritário são adolescentes, eles buscam por usuários que falem a sua língua. Não pensamos nisso, mas a saúde precisa ser entendida pelo paciente, não o contrário.

Se você trabalha com pediatria, vai ter que desenvolver uma estratégia de comunicação para se aproximar desse paciente. Ao lidar com pacientes pouco instruídos, é preciso simplificar a sua linguagem para se fazer entender.

Uma abordagem descontraída gera um vínculo de confiança com o paciente, porque dessa forma ele percebe que você não é o “Doutor Todo Poderoso”, e sim “gente como a gente”.

Postar vídeos para conscientizar a população também é uma estratégia de prevenção e promoção de saúde.

Será então que o mito do bom profissional da saúde também não está atrelado a um sentimento arcaico de superioridade, e até mesmo arrogância? Outras carreiras não tão prestigiadas não correm o risco de parecer menos profissionais por produzir conteúdo informal. O médico sim.

Já outros profissionais da saúde podem não sofrer esse tipo de represália, por incrível que pareça. Como o médico é visto como o “chefe” e as demais áreas como “auxiliares”, são vistas como profissionais de menor importância, então tanto faz gravar esse tipo de vídeo na internet.

Isso explica porque só o conselho de Medicina se opôs à adesão dos seus profissionais no TikTok. Porém, isso não significa que apenas o médico é assombrado pelo fantasma do bom profissional da saúde.

Para estes, recai outra problemática ainda mais complexa.

O bom profissional da saúde tem medo de se expressar

Além do TikTok, as Lives também cresceram muito na pandemia, principalmente no Instagram. Nesse período, vários profissionais da saúde fizeram vídeos ao vivo para conscientizar o seu público e se afirmar como autoridades no assunto, o que é bem positivo.

Fonte: Karolina Grabowska (via Pexels)

Colegas meus de faculdade fizeram as suas lives e algumas delas eu acompanhei. Se eu fosse apenas fisioterapeuta teria achado excelente, já que o conteúdo era rico, bem abordado e havia profundidade no assunto, não eram pessoas quaisquer falando de um assunto que não dominam.

No entanto, eu assisti também como comunicólogo, e assim identifiquei um padrão: todos eles assumiram uma personalidade neutra para falar com seu público. O mesmo tom de voz, mesma postura, mesmos gestos corporais, mesmas expressões faciais.

Era como se lives diferentes de áreas e temas diversos fossem feitos pela mesma pessoa, e isso é muito ruim quando falamos em comunicação e marca pessoal. Porque o profissional perde a sua identidade nesse processo, o que vai de fato fazer com que ele se diferencie e se torne uma autoridade no meio digital.

O que essa experiência me lembrou foi a nossa defesa de TCC: a forma como se expressavam nas lives era a mesma forma que se portavam ao defender o seu trabalho para a banca. Sabiam que estavam sendo julgados enquanto profissionais, e por isso buscavam a neutralidade na comunicação.

Ou seja: profissionais da saúde são constantemente julgados pela sua comunicação e comportamento, e assim desenvolvem mecanismos para validar o seu profissionalismo. Principalmente na forma de se expressar.

Fonte: Thirdman (via Pexels)

Isso não é exclusivo da saúde, outras áreas também passam por processos semelhantes, mas os profissionais da saúde precisam provar a todo momento que estão aptos a realizar o seu trabalho

O que não é tão difícil de imaginar, já que devemos analisar dois fatores:

  • É uma área que lida diretamente com a fragilidade do outro, algo que não mostramos a qualquer um;
  • Profissionais jovens causam medo e estranheza, pois não aceitamos que alguém mais novo saiba mais do que nós mesmos.

Sendo ou não da saúde, todo jovem recém formado passa pela experiência de ver seus familiares mais velhos discutindo sobre a sua área de formação.

Para muitas pessoas é inconcebível que alguém com menos de 40 anos tenha mais competência e conhecimento sobre um assunto do que ela mesma. Ainda que a pessoa em questão não saiba absolutamente nada daquilo.

Essa é outra herança social que carregamos: nós sempre nos consideramos mais sábios e mais aptos do que os mais jovens.

Nós temos experiências e vivências a mais, aprendemos alguns truques nesse processo, mas a nível profissional e científico, conhecimento está relacionado ao estudo e à prática, não ao envelhecimento.

Imagine um senhor de 65 anos indo ao fisioterapeuta para tratar uma hérnia de disco que negligenciou há décadas, e no consultório encontra uma moça com idade para ser sua neta, que se apresenta como a profissional que irá resolver o problema.

Muitos não aceitariam a ideia, então para convencer que este paciente pode confiar na sua competência, a jovem terapeuta buscará artifícios para parecer mais profissional. Entre eles, usar uma linguagem mais formal e um tom de voz neutro ou imponente.

Aliás, não para parecer mais profissional, já que o conhecimento ela possui, e sim para parecer mais experiente e confiável.

O bom profissional da saúde, no fundo, luta para ser reconhecido

Resumindo a ópera: o mito do bom profissional da saúde foi construído ao longo do tempo por diversos fatores socioculturais, como a visão do médico como topo da hierarquia, e um ser maléfico que impõe medo.

Pela área da saúde lidar com a fragilidade humana, automaticamente entramos na defensiva quando o profissional que nos atende aparenta ser tão humano quanto nós. Isso nos deixa ainda mais inseguros, e se ele for jovem, pior ainda.

É um erro acreditar que um profissional da saúde não tem competência porque ele não atende aos padrões de comportamento que nós criamos.

O fantasma do bom profissional se alimenta do medo causado pela nossa visão distorcida de como um trabalhador da saúde deve se portar, e a primeira forma de combater isso é mudando a nossa mentalidade.

Se dizemos aos adolescentes que com 15 anos eles precisam decidir qual carreira seguir, por que agimos com desconfiança quando esse mesmo adolescente se forma e começa a trabalhar aos 21? 

Até porque muitas pessoas mais velhas adoram se vangloriar por terem começado a trabalhar aos 11, 12 ou 13 anos. Um jovem começando a vida profissional aos 21 não é profissional, mas você aos 13 era?

Por que supervalorizar o médico se os profissionais da saúde atuam em conjunto? Como continuar com essa crença de que um profissional da saúde precisa ser um intelectual convicto se ele é tão humano quanto eu e você?

Fonte: Thirdman (via Pexels)

Não adianta negar, a internet hoje faz parte das nossas vidas. Mesmo os mais conservadores vão usar os serviços digitais em algum momento, por isso a área da Saúde precisa, mais do que nunca, acompanhar a evolução.

Mas como a era digital é recente, começando a se estabelecer no Brasil no início dos anos 2000, temos a ideia de que a internet é coisa de jovem, e o jovem ainda não é visto como um bom profissional.

Quando o trabalhador de saúde está na internet, divulgando seu trabalho nas redes sociais, e usando recursos como vídeos engraçados que os jovens costumam usar, o fantasma do bom profissional recai sobre ele, e assim começa o julgamento por se arriscar no meio virtual.

O profissional da saúde não precisa ser sério nem velho para ser bom no que faz. Ele pode — e deve — usar as redes sociais para divulgar seu trabalho e compartilhar seus conhecimentos com os usuários.

Não precisa sentir medo de se expor nem se sentir menos profissional por usar uma linguagem mais acessível, muito menos por gravar vídeos no TikTok.

Fonte: Negative Space (via Pexels)

O mundo está em constante mudança, basta pensar em como tudo se transformou de cinco anos para cá, e daqui a cinco anos viveremos uma realidade totalmente nova.

A Saúde precisa acompanhar esse movimento, aproveitar o poder das redes para disseminar aquilo que aprendeu na faculdade e na prática clínica, para que todos tenham acesso aos princípios básicos de saúde e cuidado.

Afinal de contas, o bom profissional da saúde é aquele que se faz entender, seja dentro do seu consultório ou atrás de uma tela. As tecnologias e redes sociais são aliadas, e sua maior força é a sua personalidade, seja ela como for.

Porque na era da informação, o conteúdo é rei. E o conteúdo precisa ser autêntico, livre de mitos e padrões pré-definidos.

Um abraço e até a próxima.

Referências

Clubhouse: Exclusividade ou Segregação?

Se você ainda não ouviu falar do Clubhouse, saiba que é a rede social do momento, que ganhou destaque depois que personalidades como Elon Musk aderiram à rede.

Imagine uma rede social onde você pode entrar em salas virtuais com pessoas que você conhece, pessoas que você não conhece, e até mesmo algumas celebridades. A única forma de interagir com essas pessoas é por áudio, onde nada fica gravado e você precisa estar lá para acompanhar tudo o que for discutido.

Esse é o Clubhouse, prazer.

Até então essa ideia pode ser muito interessante para algumas pessoas, já que você pode se conectar não apenas com assuntos do seu interesse profissional, mas também com os maiores nomes daquele segmento. Parece uma grande oportunidade de fazer networking, e networking qualificado.

Porém, nem tudo são flores, e o Clubhouse possui dois problemas: só está disponível para iOS — por enquanto — e você só pode participar da rede com convite de algum usuário que está lá dentro.

Olhando de forma positiva, isso dá ao aplicativo a sensação de exclusividade, pois você só pode entrar com convite, e não são todas as salas que qualquer um pode participar. Mas ao mesmo tempo que esse modelo pode despertar o interesse de muita gente, no meu caso me emitiu um alerta: 

É realmente ético uma rede social limitar o acesso dos usuários ao seu conteúdo?

Com relação à exclusão do Android, isso é fácil de entender pela disparidade entre os sistemas, e a própria empresa se manifestou sobre estar em fase de testes para colocar o Clubhouse na Play Store. Agora, sobre a restrição aos usuários convidados, segue a discussão.

Talvez a ideia seja realmente filtrar para quem se interessa em conversar ao vivo com pessoas diferentes sobre qualquer assunto, até mesmo com celebridades e influenciadores. Porém, indiretamente é uma forma de segregação digital, onde deixamos claro quem pode e quem não pode fazer parte do nosso grupo.

Como forma de aumentar essa sensação, você é responsável pelos seus convites. Se um dos seus convidados ferir os termos do app, vocês dois são banidos. Mais uma forma de dizer que não é um lugar para qualquer um, e que você não deve convidar qualquer um.

Mas quem não seria esse “qualquer um”, e teria direito a entrar?

Além disso, muitas pessoas estão correndo para vender convites, lucrando com a ideia de que nem todo mundo pode fazer parte da rede. A plataforma acha problemático que qualquer um faça parte, mas não que isso se torne mais uma forma de explorar financeiramente?

E vale lembrar que isso só acontece pelo mecanismo que a própria plataforma promove: o FOMO, “Fear Of Missing Out”, ou o medo de estar perdendo algo.

As pessoas entram em desespero com a ideia de não fazer parte desse clube seleto e perder o que está acontecendo lá. E como nada pode ser gravado, você precisa estar 100% presente para não perder nada, porque senão todos estarão a par do que foi discutido na sala, e você não.

Inclusive, isso abre espaço para outra problemática: isso não seria uma estratégia consciente de “viciar” os usuários no seu conteúdo? E sejamos honestos, é irreal manter essa cultura de que você precisa estar 100% conectado, afinal nós temos uma vida fora das redes.

Duas das matérias que mais formaram o meu caráter foram Ética e Educação em Saúde, onde estudamos os processos de exclusão social e sua relação com a saúde. Eu trago essa visão acadêmica de que toda vez que você limita o acesso de pessoas a um lugar, você promove segregação baseada em algum critério.

A questão é entender qual é esse critério e porque ele é importante.

Essa não é a primeira vez que uma rede social funciona por convites, o Orkut em seu início operava da mesma forma. Além disso, o app está em sua versão beta, é difícil dizer se essa característica vai se manter ou não. Entretanto, para mim isso ainda é preocupante.

Falar em redes sociais também é falar sobre comportamentos coletivos e a influência desse comportamento entre os usuários. Muitos deles são adolescentes, suscetíveis à influências do coletivo que impactam diretamente sua auto-imagem.

E mesmo que o  Clubhouse tenha atraído usuários de faixas etárias mais elevadas, esse sentimento de inadequação também continua fazendo estragos, já que agora a moeda de troca são as relações de networking profissional.

Que mensagem você passa para a pessoa ao dizer que ela só pode fazer parte da sua rede se alguém a convidar? Talvez que ela não seja boa o bastante para estar ali, que não tem importância ou algo a contribuir. E principalmente, que ali pode não ser o seu lugar. Principalmente a nível profissional, algo que mexe muito com a autoafirmação de muita gente.

Eu já fui convidado para o Clubhouse e preferi recusar. Enquanto não sair a versão para Android nem tenho como fazer parte, mas não sinto vontade de estar lá, já que a mensagem passada pelo Clubhouse me soa muito clara: esse lugar não é para qualquer um.

E não acho que uma rede tem o poder e o direito de dizer que eu sou qualquer um.

Como usar o Spotify para fortalecer sua marca

Se você nunca pensou em usar uma plataforma de streaming de músicas a favor da sua marca, comece a pensar já!

O Spotify liberou recentemente a Retrospectiva 2020 para os seus usuários, onde podemos conferir quais foram as músicas, artistas e podcasts mais ouvidos no ano, assim como gêneros e artistas novos que descobrimos, entre outras informações.

Isso se tornou uma tendência nas redes, onde vários dos seus amigos provavelmente devem ter compartilhado os resultados, assim como eu fiz no meu perfil. Até mesmo celebridades e figuras públicas, como o Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, postou a sua retrospectiva spotify no seu Facebook.

Você já deve ter percebido que o Spotify é uma realidade cada vez maior. Como já citei em outro artigo meu, o Spotify é uma das principais redes sociais aqui no Brasil, e você pode — e deve — usar essa plataforma a seu favor.

Quer saber como? Fica comigo que eu te explico!

Por que o Spotify?

Fonte: https://programadoresbrasil.com.br/2020/11/como-mudar-de-plano-no-spotify/

Antes de mais nada, talvez você deve se perguntar o porquê de eu ter escolhido essa plataforma, já que existem muitas outras no mercado.

Além do Spotify, podemos citar a Deezer, SoundCloud, Youtube Music, iTunes e Apple Music, Tidal, entre outras. Todas elas possuem seus prós e contras, além de suas particularidades que as tornam mais ou menos populares. 

No geral, podemos dizer que o Spotify se tornou a plataforma mais popular para o público. Entre os principais motivos, podemos destacar a possibilidade de criar uma conta gratuita e facilidade de acesso, disponível tanto na versão desktop quanto na versão mobile, para Android e iOS.

O ponto negativo é a impossibilidade de escolher uma música específica para ouvir, é preciso selecionar a playlist onde a música se encontra e deixá-la no modo aleatório, assim como a quantidade limitada de vezes que se pode pular faixas

Essa característica acontece no aplicativo, no desktop é possível ter esses comandos.

A conta gratuita também está sujeita a anúncios entre as músicas. Para eliminar os anúncios, pular as músicas de forma ilimitada, escolher faixas específicas para tocar, e ainda baixar músicas para ouvir offline, você pode assinar um plano Premium, a partir de R$ 16,90.

O Deezer é muito semelhante ao Spotify: conta com as mesmas características descritas e preços. As únicas diferenças é que o Deezer sai ganhando na qualidade de áudio e tem parceria com a TIM, onde os usuários da rede podem fechar pacotes de acesso gratuito ao Deezer.

Em compensação, o Spotify possui um algoritmo muito melhor para recomendação de músicas, formando playlists exclusivas toda segunda-feira baseado nas músicas que você e seus amigos ouvem. 

Fonte: https://edm.com/news/soundcloud-twitch

Ao contrário das outras plataformas, o SoundCloud é focado em armazenamento de áudio-conteúdo, e recentemente lançou seu próprio serviço de streaming, o SoundCloud Go. Entretanto, é necessário assinar um plano pago ou ser produtor de conteúdo nessa plataforma para usá-la.

Fonte: https://www.tecmundo.com.br/internet/134802-google-lanca-guia-evitar-cobranca-dupla-youtube-music-play-musica.htm

O Youtube Music segue a mesma pegada: foi uma aposta do Youtube para entrar no universo do streaming musical. Também foi uma forma de atender o pedido de muitos usuários, sobre tocar as músicas em segundo plano, sem precisar estar com o aplicativo ligado.

Assim como o SoundCloud Go, é preciso assinar um plano pago para usar.

Fonte: https://mundodamusicamm.com.br/index.php/digital/item/500-amazon-music-lanca-versao-gratuita-suportada-por-anuncios.html

O Amazon Music é um serviço dos assinantes da Amazon Prime, que possuem acesso ao streaming de filmes e séries, de músicas e também descontos e frete grátis nas lojas virtuais. 

O plano é pago, mas é o mais barato de todos ao comparar o custo-benefício: R$ 9,90 por mês ou R$ 99,00 na assinatura anual.

Fonte: https://tecnoblog.net/187682/apple-music-android-download-hands-on/

O Apple Music, assim como o iTunes, fazem parte do pacote iOS, apesar de serem bem distintos: o iTunes é um catálogo online de músicas, enquanto o Apple Music é o serviço de streaming da Apple

As faixas do iTunes estão disponíveis apenas para usuários iOS, enquanto o Apple Music disponibiliza essas faixas para qualquer um que tenha o app, até mesmo para Android.

Porém, o grande problema é que nem todas as faixas do iTunes estão disponíveis no Apple Music.

Fonte: https://tidal.com/

Por fim, temos o Tidal, aplicativo que tem como proprietário o Jay-Z. Sua interface, funções e preços não são muito diferentes dos outros apresentados, mas não possui conta gratuita, permite mais facilidade para montar e organizar suas playlists e o algoritmo do Spotify para recomendar músicas é um pouco melhor.

Sendo assim, o Spotify acabou sendo mais popular no país devido a esses requisitos. Não significa que os outros não são bons, mas se você quer alcançar um maior público e ter usuários mais engajados, o Spotify é a melhor escolha no momento.

Como usar o Spotify?

O aplicativo é bastante simples e intuitivo. Para criar conta você pode se cadastrar com seu e-mail ou com sua conta no Facebook, que facilita para encontrar seus amigos no Spotify.

Fonte: https://open.spotify.com/

Na barra de busca você pode encontrar artistas, usuários, playlists e podcasts. É possível seguir artistas para acompanhar suas músicas, seguir usuários para ver suas playlists, favoritar músicas, playlists e podcasts, assim como montar suas próprias playlists.

Fonte: https://open.spotify.com/

Ao entrar no perfil de um artista, é possível ouvir álbuns inteiros ou apenas pedir para tocar todas as suas músicas. Você pode selecionar o modo aleatório ou em ordem clicando em um botão, assim como repetir faixas

Fonte: https://open.spotify.com/

É possível ainda filtrar os resultados nas playlists — nome da música, nome do artista e nome do álbum — em ordem alfabética ou temporal, para tornar mais fácil a busca dentro da playlist, e também reorganizar a ordem das faixas em sua playlist.

Fonte: https://open.spotify.com/

As playlists oficiais do Spotify são divididas não apenas por gênero, mas também por estado de espírito e atividade. Caso seja fã de sertanejo, você pode buscar por playlists só com o gênero, assim como pode procurar playlists animadas para limpar a casa.

Fonte: https://open.spotify.com/

Existem também playlists só com artistas específicos e organizadas de acordo com os seus interesses, isso te ajuda a conhecer mais músicas dos artistas que gosta e dos artistas semelhantes.

Fonte: https://open.spotify.com/

Por fim, o Spotify também é uma rede social, que te permite ver o que os seus amigos estão ouvindo, assim como compartilhar as suas músicas em outras redes.

E como eu uso o Spotify no meu negócio?

Se você tem um negócio físico, como lojas e academias, ter música ambiente por si só já seria o bastante, já que você não precisaria depender de rádio, youtube ou músicas no pendrive para entreter os seus clientes.

Uma dica inclusive é ter um plano premium mais em conta só para não ter que lidar com os anúncios, caso preferir.

Porém, você que tem uma marca pessoal, como produtores de conteúdo, e profissionais autônomos também podem — e devem! — utilizar as ferramentas do Spotify de forma estratégica.

Vamos pontuar alguns exemplos:

  1. Crie playlists baseadas na sua marca.

Qualquer estabelecimento pode pegar playlists prontas para tocar ao longo do dia, mas e se você criasse playlists baseadas na identidade da sua marca?

Por exemplo: você tem uma barbearia, e você é uma pessoa que gosta muito de Jazz, Blues e Bossa Nova. São estilos diferentes que normalmente as pessoas não ouvem juntas, mas os seus clientes mais antigos já sabem que são a sua cara. 

Então ao invés de pegar uma playlist pronta, monte uma com as suas faixas preferidas. Isso gera identidade, pois os seus clientes vão passar a associar essas músicas a você e seu negócio.

No meio do atendimento começa a tocar sua música preferida do Tom Jobim, e você passa a conversar com o cliente sobre a música. Se ele gostar, vocês podem falar sobre o assunto durante o atendimento. Se ele não conhecer, será apresentado a uma experiência nova, e quando ouvir essa música em algum lugar, vai lembrar de você. 

Pode acontecer ainda do cliente marcar o seu perfil em páginas que trazem essas músicas e até mesmo sentir vontade de te apresentar as músicas preferidas dele nos próximos atendimentos, ou também mostrar músicas que lembram do seu negócio para saber se você conhece ou gosta. 

Isso gera uma conexão tão forte a ponto dos seus clientes começarem a enxergar a sua marca nas músicas que ouvem. Muito melhor do que apenas colocar um som qualquer para tocar, não acha?

Você também pode criar playlists para os seus clientes ouvirem ao longo do dia, baseadas nas músicas que tem a ver com o seu negócio. 

Um exemplo bem legal disso é a bunker, uma marca de cuecas do Rio de Janeiro que se destaca pela sua presença descontraída nas redes sociais. Eles criaram uma conta no Spotify para compartilhar playlists únicas, como “de bunker na estrada”, “de bunker no churrasco”, “de bunker na corrida”, “de bunker indo trabalhar”, e até mesmo a playlist “de bunker no dia das mães”.

Fonte: https://open.spotify.com/user/b7ed7ih4lxqkxjzhlg9g2osqe

As músicas não são escolhidas ao acaso, elas possuem estilos semelhantes que conversam com a proposta da playlist — como reunir samba, funk e pagode na playlist de churrasco, enquanto na playlist do dia das mães vemos músicas dos anos 80 — e conversam também com a marca

Marcas pessoais também podem usar esse artifício, um exemplo fantástico é o Gabriel Picolo, pseudônimo de Gabriel Bertasoli, artista gráfico brasileiro. Ele ficou conhecido pelas suas artes de Jovens Titans e foi convidado pela DC Comics a ilustrar as revistas em quadrinhos da saga.

O Picolo também criou sua conta no Spotify para divulgar playlists baseadas nos personagens da série. São tão boas que me inspiraram pessoalmente em uma das minhas histórias e até mesmo a criar uma playlist minha!

Fonte: https://open.spotify.com/user/12128432993/playlists
  1. Faça playlists colaborativas.

Um recurso muito legal no Spotify são as playlists colaborativas. Basicamente, você cria uma playlist e abre para que outras pessoas possam adicionar suas músicas nela.

Isso aconteceu no antigo box de crossfit que eu treinava. O box tinha uma playlist que deixava tocar nos treinos, sem muito preparo, até que um dia tiveram a ideia de abrir a playlist para que os alunos pudessem colocar as suas músicas preferidas.

Nem preciso dizer que foi um momento de muito entrosamento, não é? Os alunos gostaram muito da ideia e passaram a colocar várias faixas, eu inclusive, e ficou esse sentimento legal de ir para o treino com a expectativa de ouvir algumas das músicas que nós adicionamos.

O lado negativo é que por serem pessoas com gostos diferentes, a lista se torna bastante misturada, além de você precisar tomar cuidado com as músicas escolhidas para saber se não aparece nada impróprio lá. Porém, é uma ferramenta de integração muito boa, e você pode criar uma playlist à parte só para isso.

Para quem lida com atendimento ao usuário, como academias, cursos, lojas, lanchonetes, bares e afins, pode ser uma estratégia fantástica de identidade de marca e integração entre os clientes.

  1. Invista em playlists exclusivas.

Além das playlists transmitirem o estilo da sua marca, você também pode fazer com que apenas seus clientes tenham acesso às suas playlists.

Imagina que você está lançando um curso sobre Marketing Digital para profissionais da saúde. Você pode investir em conteúdos exclusivos, como apostilas e vídeos, assim como listas de músicas. 

Você muda as configurações dessa lista para deixá-la secreta, e então compartilha com quem comprar o seu curso. Se você for um produtor de conteúdo, pode oferecer uma playlist exclusiva para os seus seguidores, ou até mesmo trabalhar com a comunidade de amigos próximos no Instagram.

Isso causa um efeito de exclusividade no seu público, que vai se identificar e engajar ainda mais com a sua marca.

  1. Produza podcasts para o seu público.

Se você produz conteúdo, uma das formas que podemos usar é o audiovisual, ou apenas áudio, e o Spotify permite que os usuários possam enviar seus podcasts para a plataforma.

Um exemplo que eu gosto muito são as irmãs Alcântara, do blog Tudo Orna. Elas trabalham com empreendedorismo e comunicação digital, possuem marcas de roupas, cosméticos, uma cafeteria em Curitiba e uma escola de branding e mídias sociais. 

Uma das plataformas onde distribuem o seu conteúdo é no Spotify, tendo um podcast próprio. Inclusive, é o meu preferido.

Fonte: https://open.spotify.com/show/6TFfHHHcitQ7IktZ6K1ctm

O Geronimo Theml é outro bom exemplo. Coach e palestrante, ele tem seu podcast no Spotify, o Sai da Média, que eu também gosto muito.

Fonte: https://open.spotify.com/show/1nuFSa15qyDWQ4kY9kOwRD

A Marina Iarte, estilista e consultora de estilo em Presidente Prudente, também começou um podcast sobre moda e estilo, o Dizem as Más Línguas

Fonte: https://open.spotify.com/show/5ggwheTZ6wJqPq6xqps2Z4?si=F8DbFNXISuiZxpHSRy92yw

Isso mostra que você não precisa ser uma celebridade ou uma grande empresa para investir neste formato de conteúdo.

Você vai encontrar vários outros blogueiros e produtores de conteúdo no Spotify, até mesmo empresas e instituições. O Crefito-3, conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo, tem seu podcast no Spotify sobre notícias da nossa área, o Fisio e T.O. em Movimento.

Fonte: https://open.spotify.com/show/5sWlYV6xsBdHJR4QZrQk1f

Ter um podcast é uma forma legal de se comunicar com o seu público, mas vale a pena avaliar se você tem estrutura, tempo e recursos para investir e manter esse conteúdo. Caso sim e achar interessante, vai fundo.

  1. Personalize as suas playlists.

Você já criou as suas listas de músicas baseadas no estilo da marca, mas não deve se preocupar apenas com as músicas escolhidas, mas também com a formatação da playlist.

O Spotify permite que você coloque título, descrição e capa em cada uma das suas playlists. Geralmente as pessoas se importam apenas com o título e esquecem o resto, mas se você cuidar dos três elementos, pode se destacar ainda mais.

Eu sempre montei playlists que tinham a ver comigo, e quando eu decidi me profissionalizar, as minhas playlists também foram personalizadas. Em cada playlist eu montei um título e uma descrição mais descontraídas, por combinar com o meu estilo pessoal, e fiz um modelo de capa unificado, usando as cores do meu estúdio.

Se você for ver o meu perfil no Spotify, vai ver que as playlists têm todas o mesmo estilo visual e textual, e isso não foi feito à toa: é para estabelecer uma identidade marcante dentro do Spotify, conversando com a identidade visual das minhas outras mídias.

Fonte: https://open.spotify.com/user/12184550016/playlists

Eu inclusive montei o design das capas usando uma imagem de identificação, meu nome, o título da lista e a descrição, tudo dentro da capa. 

Uma coisa que eu fiz e gostei bastante foi separar as playlists por gênero e estilo, como já mencionei lá atrás, mas também fiz playlists temáticas para os dias da semana. Era uma ideia minha que resolvi compartilhar com os meus seguidores, para que a cada dia da semana você tivesse um estilo diferente para ouvir.

Fonte: https://open.spotify.com/user/12184550016/playlists

Isso é tudo por hoje! Espero que tenha gostado desse artigo, agora me fala: você já usa o Spotify em sua marca e/ou empresa? Conta para mim nos comentários.

Um abraço e até a próxima!

Referências:

A Moda como ferramenta de branding pessoal

Moda. Essa palavrinha de quatro letras sempre fez com que eu me sentisse um ET, já que nunca foi meu forte ou mesmo meu interesse. Mas de uns anos para cá eu fui me interessando muito por um termo bem atual: branding.

Branding nada mais é do que o processo de construção e gestão de uma marca. É como uma empresa trabalha para ser vista e lembrada, mas o branding não está restrito às grandes empresas, ele também serve a pessoas como eu e você, que podem trabalhar a sua marca pessoal para se posicionar como profissional

Em outras palavras, branding significa comportamento e imagem, e o que mais pode representar a imagem pessoal do que a moda? Até porque moda é comportamento, sempre em constante mudança.

Comecei a estudar mais sobre o assunto para entender como posso usar a moda a meu favor, e consequentemente, te ajudar com esse processo. Mas eu entendo de fisioterapia e mídias sociais, não desse universo, então contei com o apoio de uma pessoa muito especial que vai falar um pouco com a gente sobre o assunto.

Recebam então o Rogério Duarte, publicitário e consultor de estilo aqui de Pompeia, responsável por cocriar este artigo comigo e nos explicar a relação entre moda e marca pessoal.

Vamos lá?

GB: Como você se envolveu com moda, Rogério?

Rogério: Desde pequeno gostei muito da área, mas na região que moro não tinha nenhum curso de Moda, então fiz Publicidade e Propaganda por orientação do meu pai. Ele me disse para começar com essa graduação por ter aqui onde moro e possuir alguma ligação com o setor, e quando estivesse mais estabilizado eu poderia enfim fazer o curso que queria. E, de fato, me identifiquei com a Publicidade.

Em 2008 visitei um ateliê de noivas em Curitiba, pois era casamento de uma prima e eu havia desenhado o vestido dela. Lá vi um anúncio que precisavam de um estilista. Fui convidado a trabalhar com eles, e me senti um pouco inseguro, já que sabia apenas desenhar, não tinha habilidades em corte e costura. 

Recebi a proposta de ficar um mês em experiência para ver como eu me saía. Passado esse período, fiquei mais 60 dias e depois disso fui efetivado. Nesse período, fiz minha inscrição para o curso de Técnico em Moda, no Senai Curitiba, e passei então dois anos trabalhando no ateliê durante o dia e à noite fazia o curso. 

Formei em 2010 em Moda, a partir disso trabalhei por seis anos lá no ateliê, com a produção de vestidos para noivas e festas, com editoriais de moda, foi um período bem bacana para mim. 

Depois desses seis anos eu saí e fui trabalhar como consultor de estilo na Versace, uma grife italiana. Isso me deu a oportunidade de conhecer o setor de Moda de Luxo, algo bem diferente da minha experiência no ateliê.

GB: O que te fez decidir a trabalhar com moda e estilo?

Rogério: Eu sempre gostei da parte artística e desenhar, tanto que desde os nove anos eu desenhava vestidos de noiva no caderno. Recebia até bilhetes dos professores, falando que eu não fazia a tarefa, só desenhava. 

Fui aperfeiçoando com o tempo, e minha mãe sempre me estimulou muito, assim como meu pai. Ela me comprava materiais de desenho, como lápis e papéis, enquanto meu pai me dava dicas de como melhorar os meus desenhos.

Minha família sempre deu muito apoio, mesmo não enxergando como uma profissão. Nem eu enxergava, a princípio. Fui entendendo com o passar do tempo que poderia profissionalizar esse meu talento

O incentivo e a valorização da minha família sobre a minha arte foi o que me incentivou a decidir por esse rumo.

GB: Além de consultor de estilo você também é publicitário. Você costuma trabalhar com esses dois setores separados ou consegue uni-los?

Rogério: Para mim funciona muito bem. Meu primeiro contato foi com Publicidade e Propaganda, que é venda. Você precisa acreditar naquilo para que você possa vender

Depois, quando eu fiz o curso técnico, eu precisava montar um catálogo de moda para o trabalho de conclusão de curso, e alguns alunos tercerizaram por não possuírem esse conhecimento de layout, arte e gráfica. O curso de Publicidade me deu isso, a chance de unir minhas duas experiências em publicidade e moda foi perfeito, pois consegui fazer exatamente como idealizei.

Atualmente, quando vou trabalhar com editoriais de Moda, não é só combinar sapatos ou que tipo de cabelo, enfim, não é apenas a parte estética. Existe um cuidado minucioso em conversar com o contratante para entender qual é a imagem que ele quer passar, o objetivo que pretende atingir com aquele editorial. 

Então é feito todo um estudo mercadológico, de conteúdo e produto, para depois desenvolvermos o trabalho artístico, que na verdade é isso que todo mundo vê nas revistas, nos sites e no Instagram. Eu costumo dizer que a beleza e o glamour são apenas o pico do iceberg, mas por baixo do nível existem várias outras coisas que, na verdade, é o que sustenta esse trabalho. 

Como diz Nizan Guanaes, um publicitário brasileiro, “Publicidade é mais transpiração do que inspiração”. Temos que trabalhar muito, pesquisar muito, para estruturar esse trabalho, para que esse glamour não venha vazio, e sim cheio de conteúdo.

GB: Sabemos que a gestão de marca leva em consideração vários fatores, que vão muito além do logotipo. A moda pode ser usada como estratégia de construção da marca e da identidade visual?

Rogério: Sim, mas é preciso analisar primeiro, pois para construir uma marca, você vai utilizar de várias estratégias de acordo com aquele segmento. A moda pode ser usada, desde que seja um segmento voltado para ela. 

Existe um estigma de que moda é luxo, o que não é verdade, pois existem várias vertentes da moda, e o luxo é apenas uma delas. A moda pode ser inserida em outro segmento, desde que ela esteja ligada com o perfil do produto que se deseja vender.

Por exemplo, o lançamento de um condomínio luxuoso pode buscar associar a imagem de poder e riqueza, e assim você vai colocar na propaganda pessoas bem vestidas, com um cabelo bem produzido, joias. Fazemos todo um trabalho de moda para passar essa mensagem, como seriedade, glamour, imponência.

A moda acaba tendo a função de ser uma embalagem, mas para que isso funcione, o produto precisa ter um conteúdo coerente com a mensagem transmitida.

GB: É mais fácil pensar na moda ao falarmos de modelos e influenciadores. Mas como micro influenciadores, produtores de conteúdo e até mesmo empreendedores e profissionais autônomos podem usar a moda para construir sua marca pessoal?

Rogério: A moda pode, deve e está sendo usada no meio corporativo. As pessoas contratam o personal stylist para traçar qual é perfil desse profissional e auxiliar a construir a sua aparência. 

E no mundo atual, a aparência é muito importante no meio corporativo, você deve estar sempre bem vestido. Porém, estar bem vestido não significa necessariamente usar uma grife ou uma roupa cara. O personal stylist vai traçar um perfil de acordo com a sua personalidade e desenvolver um estilo que tenha a ver com você

É muito bacana o relato das pessoas com quem fiz esse trabalho: a forma como o profissional muda, os elogios que recebo, como me olham diferente. Isso mexe com a autoestima da pessoa, consequentemente o trabalho melhora e rende mais. 

GB: Como pessoas comuns podem usar a moda para construir sua identidade no cotidiano?

Rogério: Gosto de enxergar essa divisão entre celebridades e pessoas comuns, porque é legal você se inspirar em alguém, mas é essencial buscar a sua própria identidade

Entender se você prefere estampas ou cores mais neutras, por exemplo. Se você vive em um lugar quente, você vai procurar roupas que tenham a ver com esse clima, com a sua personalidade e com o seu local de trabalho. Mas você também precisa levar em consideração o que faz você se sentir bem.

A construção de estilo é gradativa, você não acorda um dia como especialista. É aos poucos, percebendo com os comentários das pessoas, com o próprio espelho e como você se sente com aquilo. 

Ao mesmo tempo, essa construção depende também de muita observação e leitura, buscar informações e ler a respeito é muito interessante. Quando alguém quer mudar o visual, essa pessoa começa a pesquisar referências, e automaticamente já começa a pensar diferente na forma de escolher uma camisa ou planejar um corte de cabelo.

Falando assim pode parecer muito superficial, mas não é. A moda, quando usada de forma estratégica, é um verdadeiro efeito dominó. Ela reflete na sua autoestima, no seu trabalho e nos frutos que você colhe dele.

GB: Você acredita que a moda possui uma função social além da estética?

Rogério: Com certeza. Nós estamos acostumados a ver a moda como objeto de consumo, conceito esse que se iniciou com o fast fashion, através de lojas como Zara, Riachuelo, Renner, entre outras.

Depois dessa criação, todo mundo passou a se sentir um pouco estilista, ao ver as peças expostas e criar suas próprias combinações. O que pode gerar certos deslizes (e falo deslizes porque não acredito em certo e errado na moda), mas essa concepção ajudou a popularizar a construção de estilo em camadas sociais mais baixas.

A Zara é uma loja de departamento que eu gosto muito, outras lojas seguiram essa linha posteriormente, onde colocam um pessoal que entende do assunto, o visual merchandising, para montar as vitrines e deixar os modelos prontos para o consumidor. 

No início do fast fashion, as pessoas não estavam preparadas para isso, já que a moda conceitual e ter um estilo estava restrito à classe A, apenas. Hoje, o fast fashion levou a moda até outras classes, como B, C, D. Essas classes aprenderam a consumir moda através desse conceito.

Outro detalhe muito legal sobre o assunto é a questão da moda sustentável. Cada vez mais vemos tecidos ecologicamente corretos e a preocupação das marcas com o meio ambiente

A Osklen, por exemplo, é uma marca muito legal nesse aspecto. Ela trabalha com tecidos tecnológicos e tecidos naturais, é muito bacana. E se formos aprofundar no assunto, existem várias outras marcas que se preocupam com o meio ambiente e sustentabilidade. 

Eu gosto muito de frisar com esses exemplos de que moda não é futilidade, existe uma função social muito importante por trás dessa área.

GB: Quais dicas você dá para as pessoas que querem trabalhar com moda e estilo?

Rogério: Para falar sobre isso, preciso fazer uma analogia: a pessoa gosta de animais e decide fazer veterinária, mas ela gosta dos animaizinhos bonitos e saudáveis, e vai ser preciso lidar com animais doentes também.

A moda é a mesma coisa. Você pode gostar de consumir moda, de desfiles e revistas, mas trabalhar com moda vai além disso. Você precisa estudar muito, fazer pesquisa de mercado, que é muito exaustivo e trabalhoso. Para trabalhar com criação de coleções, você também vai pesquisar bastante sobre tecidos e cores.

As pessoas acreditam que trabalhar com moda é apenas dar dicas do que combina com o que, mas essa é apenas uma parte da moda. Eu digo que é a cereja do bolo, antes disso tem muito trabalho e estudo.

Eu cometi muito esse erro quando fiz faculdade. Como não gostava de matemática, fiz Moda por acreditar que não teria contato com a área. Mas para estudar costura e modelagem tive que saber sobre formas geométricas, e consequentemente, muita matemática. Só que a paixão pela moda era muito maior, então fui superando esses desafios.

Meu conselho então para aqueles que querem seguir esse estudo: procure se aprofundar, ler a respeito de como a moda surgiu. 

A História da Moda tem assuntos deliciosos para você aprender e conhecer a evolução da moda. As décadas de 1920, 1930 e 1940 são as que eu mais gosto, pois as pessoas lá se viravam com o que tinham. As modelagens eram mais bonitas e estruturadas devido aos únicos tecidos disponíveis na época, vindo dos uniformes militares. Usava-se cortes mais retos, tecidos mais estruturados… 

Enfim, o caminho é esse. Procurar se informar e estudar, para depois inserir o seu estilo dentro desse conhecimento, e assim você desenvolve a sua marca e sua identidade. É isso que vai fazer diferença no mercado.


Essa foi a primeira cocriação aqui na GB, com o Rogério Duarte nos dando uma aula sobre moda e construção de estilo. Não sei vocês, mas eu amei e tô doido para aplicar esse conhecimento na minha marca pessoal.

Se ficou alguma dúvida sobre o assunto, deixe aqui nos comentários que a gente te responde. Quero agradecer ao Rogério pela disponibilidade e pela ajuda incrível neste artigo!

E você, começou a ver a moda com outros olhos? Conta pra mim o que achou.

Um abraço e até a próxima!

As protagonistas de Coisa Mais Linda e o perfil empreendedor dos quatro temperamentos

Quando eu vi o trailer da série Coisa Mais Linda, da Netflix, eu me encantei logo de cara. E ao ver que eram apenas duas temporadas com sete e seis episódios mais ainda, já que eu detesto séries muito longas.

Coisa Mais Linda fala sobre a jornada de quatro mulheres no Rio de Janeiro nos anos 50, uma época marcada pelo surgimento da Bossa Nova, e também pelo modelo patriarcal da sociedade. 

Coisa Mais Linda: série brasileira da Netflix sobre empreendedorismo, feminismo e bossa nova no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.
Arte oficial da série com as quatro protagonistas. Da esquerda para a direita: Lígia, Thereza, Malu e Adélia.

Na série, Malu se muda para o Rio com a ideia de abrir um restaurante com seu marido, e ao chegar na capital descobre que ele fugiu com seu dinheiro, deixando-a com absolutamente nada.

A história mostra o renascimento de Malu ao decidir inaugurar um clube de bossa nova no prédio onde seria o restaurante, e a luta para se firmar em uma sociedade onde as mulheres não tinham voz nem direitos

Quando você assiste a série, percebe que são quatro mulheres totalmente diferentes que decidem crescer profissionalmente na década de 50. E ao ver a trajetória de cada uma, não consegui deixar de enxergar na história um conceito importante na Psicologia: os Temperamentos.

Talvez você já deve ter ouvido falar desse termo, mas caso não conheça o assunto, os temperamentos são traços de personalidade que determinam tendências de comportamento. Uma pessoa de determinado temperamento tende a agir de uma forma específica em cada situação.

Meu objetivo neste artigo não é te transformar em um especialista no assunto, mas te mostrar algumas características que discutimos nesse meio e sua relação com a série

A história de Coisa Mais Linda foca muito no empreendedorismo e empoderamento feminino, dois assuntos que eu também gosto muito. Por isso eu quero te mostrar como os temperamentos podem indicar o perfil empreendedor de cada pessoa, baseado nas quatro protagonistas da série.

Curioso, não acha? Fica comigo que eu te explico essa mistura!

O que são os temperamentos humanos?

Apesar de parecer recente, esse conceito é muito antigo, vindo da Grécia Antiga. Hipócrates foi o primeiro a falar sobre o assunto, em 400 a.C, entendendo que o ser humano pode ser definido por quatro tipos de temperamentos.

A Filosofia, a Psicologia e a Neurociência se apropriaram do estudo sobre os temperamentos e o desenvolveram ao longo do tempo. Hoje se entende que os temperamentos são itens da inteligência emocional, definida por Daniel Goleman, pois indica como as pessoas tendem a reagir através do seu perfil temperamental.

Contudo, os temperamentos não são fixos, cada pessoa possui traços de um ou mais deles, e também é importante frisar que eles não definem o indivíduo. Goleman defende que a inteligência emocional depende de vários fatores e pode ser desenvolvida.

E quais são os temperamentos e como se conectam com as protagonistas de Coisa Mais Linda? Eu te explico:

Malu é colérica

Malu, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Maria Casadevall.
Malu, personagem de Maria Casadevall.

O temperamento colérico torna as pessoas naturalmente confiantes e determinadas. Pessoas coléricas tendem a ser muito criativas, impulsivas, naturalmente empolgadas e com aptidão para liderança. Gostam de tomar a frente e fazer as coisas acontecer, sem pensar muito nas consequências.

Assim é a Malu, a paulistana que largou tudo para construir um restaurante com o marido no Rio de Janeiro. Medo de dar errado ou de não ser o que ela pensava? Muito pelo contrário, a Malu mergulhou de cabeça nessa ideia. 

E ao se dar conta de que não tinha mais nada, decidiu fazer algo que ninguém jamais tinha feito naquela cidade.

Ela é uma mulher bastante corajosa e expansiva, tem ótimas ideias e não pensa muito antes de agir, prefere abrir caminho e ver o que acontece. Acaba atropelando os outros no caminho, age com exageros e acredita que tudo gira a seu redor.

Do ponto positivo, o temperamento colérico traz muita iniciativa, o que é fundamental para o empreendedor. É preciso coragem para tirar as ideias do papel, e mais ainda para seguir em frente mesmo sem saber exatamente por onde anda

Muitas vezes o empreendedor precisa aprender fazendo e fazer aprendendo, pois se esperar até o momento ideal, ele pode nunca acontecer. É uma característica muito forte da Malu, ao longo da série ela vai testando e aprendendo, todos os dias.

Do ponto negativo, a pessoa colérica pode meter os pés pelas mãos pela falta de planejamento. Apesar de ser tentativa e erro, você precisa ter um estudo prévio para entender o que precisa saber antes de sair desbravando, para que o seu negócio seja sustentável, e não uma série de faíscas desordenadas.

Além disso, empreendedores coléricos possuem uma dificuldade em separar o profissional do pessoal, a tão necessária inteligência emocional. Quando as coisas dão errado a Malu se desespera e acaba incendiando tudo e todos ao seu redor. 

E por ser altamente focada em si mesma, age como se fosse o centro do mundo, o que dificulta as relações interpessoais. Sente como se nada mais importasse além do que as suas vontades, pisando em todos para se encontrar no mundo.

Se você que é colérico quer empreender, seja assertivo e proativo, não tenha medo de errar ou não saber o que fazer, mas trace um plano bem definido antes de começar, e não leve as adversidades para o lado pessoal

Saiba ouvir e enxergar o outro, e entender que nem sempre as coisas serão da forma como você quer, e sim como precisam ser. Colaborar é melhor do que competir.

Adélia é fleumática

Adélia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Pathy Dejesus.
Adélia, personagem de Pathy Dejesus.

O temperamento fleumático representa os indivíduos realizadores e pacíficos. Pessoas fleumáticas são pragmáticas, analíticas e resilientes, sabem observar o que acontece ao seu redor e possuem uma paciência inerente.

Da mesma forma, Adélia é a personagem mais pé-no-chão da série. Sócia de Malu no clube, foi a primeira a dar ouvidos à paulistana e ajudá-la a construir o Coisa Mais Linda. 

Mesmo sendo empregada doméstica, mãe solteira, analfabeta e moradora da favela, Adélia acreditou na proposta, se permitiu sonhar e deu todo o suporte que precisavam para tirar os planos do papel. 

Quando era preciso botar a mão na massa, era a negra quem fazia o que precisava ser feito. Sempre paciente e persistente, tem seu ritmo próprio e mostra que devagar se chega longe. Principalmente com trabalho duro.

Para conquistar um empreendedor fleumático é preciso tempo, fatos concretos e números. Eles são racionais e disciplinados, agem com a lógica e valorizam mais o planejamento e diplomacia

São gentis e sonhadores, apesar de preferirem focar no agora e no que é concreto, e altamente confiáveis. Gostam de tratar bem o próximo e são sempre muito solícitos.

Um ponto negativo importante é a sua lentidão para tomar decisões, assim como sua tendência à inércia. São pessoas que pensam tanto que acabam deixando oportunidades passar por insegurança, e se arrependem depois por falta de proatividade. 

Podem ter dificuldade em receber críticas e expôr suas ideias, optando pelo silêncio para não precisar se posicionar diante do outro.

Por outro lado, fleumáticos lidam muito bem com as adversidades, são ótimos planejadores e costumam ser vistos como o pilar que sustenta os demais em suas empreitadas.

Se você é uma pessoa fleumática e quer empreender, meu primeiro conselho é: arrisque, você vai ter que aprender no caminho. Mas a sua capacidade analítica é sua maior aliada, então esteja sempre traçando metas e criando objetivos para se guiar

Não tenha medo de se expor nem de tomar iniciativas, você não precisa abaixar a cabeça a todo momento nem se colocar um degrau abaixo. Sua voz tem muito poder, não tenha medo de usá-la.

Theresa é sanguínea

Thereza, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Mel Lisboa.
Thereza, personagem de Mel Lisboa.

O temperamento sanguíneo traz leveza e dinamismo nas relações humanas. Pessoas sanguíneas são mais comunicativas e curiosas, gostam de lidar com pessoas e expressar suas ideias. São inquietas e gostam de chamar a atenção por onde passam.

Quando você vê a Theresa pela primeira vez, isso fica nítido. É a mais libertária do grupo, sempre se considerou feminista, e a única que trabalha em um posto de destaque. 

Ao contrário da Adélia, que era doméstica, Theresa é colunista em uma revista, e a única mulher na redação. Começa a história como colunista, resolve escrever um livro e depois se torna radialista, sem deixar de lado a vida social. 

É naturalmente expansiva e eclética, sempre está disposta a fazer amizades e fala muito bem em público, costuma ser vista como anfitriã mesmo sendo apenas uma convidada.

Como podemos ver, os empreendedores sanguíneos possuem múltiplas habilidades e adoram explorar as diversas possibilidades. Eles podem ter uma empresa de tecnologias, dar aulas de violão, fazer uma faculdade de saúde e escrever artigos no tempo livre, tudo ao mesmo tempo. 

Adaptáveis, tendem a trabalhar com comunicação ou áreas que permitem lidar com pessoas, como o comércio. Eles sabem dialogar com vários públicos e trabalhar com vários formatos e canais.

Porém, sua natureza multipotencial também revela uma dificuldade em focar no que é importante. Fazem tantas coisas ao mesmo tempo que largam muitos projetos no caminho. 

Impulsivos, podem simplesmente enjoar do que fazem e pular para outra ideia sem pensar com clareza, é um grande risco no empreendedorismo. 

Além disso, passam a ideia de superficialidade e exagero, pois sabem muito sobre diversos assuntos ao invés de se aprofundar em poucos e essenciais. O empreendedor precisa sim saber um pouco de tudo, mas é fundamental construir uma base em alguns pontos estratégicos.

Para os empreendedores sanguíneos, busque trabalhar perto de pessoas e para pessoas, já que sua personalidade magnética é sua arma mais poderosa. Mas é preciso sair da bolha e se aprofundar no que é mais importante para o seu negócio, para que ele possa se sustentar com as adversidades. 

Vale a pena frear os impulsos e cultivar o foco para não se perder no processo, entendo onde você está e onde quer chegar. O lenhador que gasta mais tempo amolando o machado corta mais árvores com menos esforço.

Lígia é melancólica

Lígia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Fernanda Vasconcellos.
Lígia, personagem de Fernanda Vasconcellos.

O temperamento melancólico representa as pessoas sensíveis e introspectivas. Os melancólicos são complexos, intuitivos, sensíveis e desconfiados, pessimistas convictos, mas podem se tornar incrivelmente leais ao conquistar sua confiança.

E dentro do quarteto, Lígia é a mais melancólica. Valoriza as amigas e a família acima de tudo, é doce, sensível, carinhosa e amável. Tem paixão pela música, apesar de sentir medo de se arriscar nesse meio, por isso vive no conflito de  seguir seus sonhos ou manter sua vida “perfeita”.

Com a ajuda das amigas, Lígia se permite expressar sua paixão pela voz, e conforme ganha destaque nos palcos, se sente mais viva. Vive reprimindo suas paixões, além de sofrer repressões em seu casamento, o principal motivo pelo qual passou tantos anos ignorando seu sonho de ser cantora.

O maior perigo para os empreendedores melancólicos é a insegurança, por serem pessoas sensíveis tendem a se fechar em seus próprios sentimentos para não se magoar. É difícil lidar com a rejeição, então ao invés de abrir um negócio e se colocar em posição de vulnerabilidade, podem optar por uma vida pacata.

Além disso, são pessoas altamente desconfiadas que não gostam de depender do outro, tendem a buscar carreiras onde possam lidar sozinhos. Trabalhar em equipe não é o ponto forte desse temperamento, agindo de forma rígida com as pessoas para não transmitir fraqueza 

São muito críticas e duras consigo mesmas, acabam se cobrando tanto a ponto de ser um grande obstáculo a superar. Em contrapartida, esse tipo de pessoa é altamente dedicada e detalhista, buscam a perfeição em tudo o que fazem, por isso sempre entregam um excelente trabalho. 

E sua veia artística não deve ser menosprezada. Muitos podem buscar empreender na arte, seja na pintura, música, design, arquitetura, dança, teatro, redação. Ou então procuraram despertar beleza com seu negócio.

Para o empreendedor melancólico, valorize o seu potencial e não se diminua, acredite no seu potencial e não tenha medo de se expor. Use a sua sensibilidade para dar voz aos seus clientes e trazer para a sociedade o que você faz de melhor. 

E saiba que confiar no outro não é uma fraqueza, aprenda a trabalhar junto para somar as diferentes expertises e assim contribuir para que seu negócio seja mais completo. Quem vai acompanhado chega mais longe.


E você, conseguiu se identificar com uma das protagonistas e seus temperamentos? Conta pra mim nos comentários. E mais uma vez recomendo essa série incrível da Netflix.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências

Nove motivos para estar no Instagram

Não tem como falar de redes sociais sem falar do Instagram, devido à relevância que o aplicativo construiu ao longo dos anos. Já publiquei um artigo aqui na GB sobre as principais redes sociais da atualidade, e como podem conferir, o Instagram está posicionado na lista.

Mesmo tendo me aprofundado em Gestão de Mídias Sociais como um todo, estudando sobre as diversas plataformas que permitem interação aos usuários, optei por me especializar no Instagram. Muito disso se deve à minha preferência pessoal pela rede, mas também pela infinidade de recursos que o Instagram oferece.

Eu gosto de dizer que o Instagram hoje é um verdadeiro universo digital, com várias funcionalidades e oportunidades, tanto para pessoas comuns, quanto para empresas.

Se você ainda não está no Instagram, ou não conhece muito sobre a rede, fica comigo que você não vai se arrepender!

Como surgiu o Instagram

Antes de te dizer as vantagens da plataforma, faz sentido para mim contar a história do Instagram. E essa história é bastante simples.

Tudo começou com dois engenheiros de software, chamados Kevin Systrom e Mike Krieger. O Mike é brasileiro, inclusive. Eles criaram um aplicativo chamado Burbn, inicialmente, que possuía várias funcionalidades. 

Para simplificar o app, eles decidiram focar na publicação de fotos, e assim surgiu o Instagram. O nome veio da fusão de instant camera e telegram, indicando que a função do aplicativo era compartilhar fotos instantâneas, como se fossem polaroids digitais.

O Instagram foi lançado para iOS no dia 6 de outubro de 2010, e no mesmo dia foi considerado o mais baixado pelos usuários, atingindo 1 milhão de usuários ainda em 2010. Em 2012 foi lançado para Android e comprado pelo Facebook por 1 bilhão de dólares.

Com isso já podemos pensar que o Instagram foi um sucesso desde a sua origem, pois se chamou a atenção do Facebook, uma das maiores empresas do mundo, é porque ele tem seu valor.

E quais são os principais pontos positivos dessa rede? Vamos conferir!

  1. Uma das redes mais usadas no Brasil

Segundo dados da Social Media Trends 2019, o Instagram teve a marca de segunda rede social mais usada no Brasil, com 89,4% de empresas e 92,5% de usuários nessa rede, segundo a pesquisa. 

Ou seja: se você não está no Instagram, saiba que seus amigos, familiares e até possíveis clientes provavelmente estão.

Para quem tem uma empresa, um negócio local ou é um profissional autônomo, é a chance de falar com vários possíveis clientes. Para pessoas físicas, é a certeza de encontrar seus amigos e familiares para manter contato.

  1. Oportunidade de ter um perfil comercial

Falei rapidamente sobre a oportunidade de empresas buscarem clientes no Instagram, e para isso, pode ser interessante ter uma conta profissional. A plataforma permite que qualquer pessoa possa criar uma página comercial para o seu negócio, e assim se comunicar com seu público.

Mas isso não se limita a empresas: profissionais autônomos e até pessoas comuns podem transformar sua conta pessoal em comercial, facilitando a gestão da sua marca. Ao contrário do Facebook, onde você precisa criar uma página separada do seu perfil, no Instagram você pode usar uma conta única.

E para gerenciar as contas, caso queira separá-las, também não tem segredo: você pode criar um perfil profissional atrelado à sua conta pessoal. Para alterar de uma para outra basta clicar em um botão e pronto, sem precisar de login e senha diferentes.

  1. Uma das redes com maior taxa de engajamento

Engajamento é a capacidade de um perfil criar envolvimento e interações com os usuários, que irão interagir espontaneamente com a conta. 

Para você que tem uma conta comercial, estar em uma plataforma com alto engajamento significa mais chances de fazer o seu negócio ser conhecido e se comunicar com seus clientes

E para quem quer apenas ter um perfil pessoal, isso também é interessante, já que estar em uma rede com poucas pessoas para interagir é muito desestimulante. Aqui você tem mais oportunidades de manter contato com as pessoas que você conhece e fazer novas amizades. 

Diferentemente do Facebook, você não precisa solicitar ou aceitar amizade com alguém para interagir com esse usuário. As pessoas podem ver suas publicações, se você quiser, e você pode conhecer e conversar com outros usuários em postagens que você comentar, aumentando sua rede de relacionamentos.

Outro ponto a favor da interação de usuários são os Stories: fotos e vídeos que desaparecem depois de 24 horas. Nos Stories é possível montar enquetes, abrir caixas de perguntas e comentários, enviar músicas e também indicar perfis e localizações físicas

A chance de receber respostas ao usar um recurso interativo nos stories é muito grande.

  1. Algoritmo integrado aos seus interesses

O Instagram é uma rede bastante visual, focada em fotos e vídeos, mas o aplicativo não te entrega conteúdo ao acaso. Existe um algoritmo incrivelmente complexo que analisa o que você gosta e te apresenta aquilo que se adequa aos seus interesses.

As pessoas com quem você mais interage tem preferência na sua linha do tempo. Por exemplo, se você curte e comenta com muita frequência as fotos dos seus filhos e netos, as postagens deles aparecem mais para você. Já nos stories, as pessoas que você mais interage aparecem para você com maior frequência.

Mesma coisa com marcas e influenciadores. Quanto mais você se envolve com o perfil — curtindo, comentando e compartilhando esse conteúdo — mais você vê as postagens nos primeiros lugares da linha do tempo e stories.

Na seção Explorar não é diferente. Se você curte muitas páginas e posts sobre viagens, ao entrar nessa seção você terá mais conteúdo envolvendo viagens. 

  1. Alinhado com as principais tendências mundiais

Se algo faz muito sucesso nas outras redes, pode ter certeza que estará no Instagram. Isso se não veio do próprio Instagram.

O conceito de Stories começou no Snapchat, e ao ver o potencial da ferramenta, o Instagram lançou a funcionalidade no app. Mais recentemente vimos a explosão do TikTok com os vídeos rápidos, fazendo o Instagram lançar as Cenas nos stories e o Reels, uma seção dedicada a esse formato de vídeos.

Deixando o questionamento moral e ético de lado, o Instagram sempre foi muito assertivo em analisar tendências e oferecê-las aos seus usuários. Estar no Instagram significa estar sempre perto das principais novidades e interesses do mundo inteiro.

  1. Integração com outros aplicativos e redes

Se você quiser compartilhar uma página da internet nas redes sociais, pode ter certeza que o Instagram será uma opção. 

Muitas redes sociais permitem que você integre seu perfil com a conta no Instagram, mostrando a relevância dessa plataforma entre as redes. Quando postar um story ou uma foto no seu perfil, e quiser postá-lo também no Facebook, conseguirá publicar nas duas plataformas dentro do Instagram. 

Recentemente saiu uma integração com o Messenger, o aplicativo de mensagens do Facebook, facilitando ainda mais a conexão entre as redes do grupo Facebook.

  1. Possibilidade de vender produtos pelo seu perfil

Com o Instagram Shopping, você pode criar uma loja virtual dentro do seu perfil, facilitando muito o trabalho de comerciantes e também pessoas físicas. O Instagram exibe o produto no seu perfil, você pode marcá-lo em publicações e o usuário pode efetuar a compra pelo próprio aplicativo.

É preciso ter uma conta comercial para ativar essa função, que não é nenhum segredo. É bastante rápido para criar um novo perfil comercial ou mudar sua conta para profissional.

E o melhor: você não paga absolutamente nada por esse recurso!

  1. Você pode fazer anúncios dentro do Instagram

Independente se você tem uma loja no perfil ou não, qualquer publicação sua pode ser anunciada. Desde um post que você queira promover para alcançar um público maior, até criar uma campanha publicitária completa dentro da rede.

O Instagram Ads é uma plataforma simples e completa, que te permite segmentar as campanhas por gênero, faixa etária, localização, gostos e interesses, e por aí vai. O custo é mais baixo do que anunciar no Google e outras mídias físicas, tendo assim um custo-benefício muito interessante.

  1. Ferramentas para analisar o desempenho da sua conta

Tendo uma conta comercial, o Instagram te oferece uma série de gráficos e métricas para que você saiba exatamente quem é o seu público e como criar estratégias para ele.

Análises completas de gênero, faixa etária e localização mais comum entre seus usuários, quantas pessoas visualizam seus stories, quantas e quais ações são tomadas pelo seu conteúdo (cliques no link, visitas ao perfil, taxas de comentários), e muito mais.

Informações que costumam estar disponíveis apenas em softwares e aplicativos especializados, estão dentro do seu perfil, disponibilizadas pelo próprio Instagram.


Esse foi o artigo de hoje, espero que tenha te dado uma boa visão sobre o Instagram. Se você ainda tem dúvidas sobre a plataforma, sobre como usá-la e que outros benefícios ela pode te trazer, me chama nos comentários que terei o maior prazer em te ajudar.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências

Quais são as principais redes sociais da atualidade?

Não sei dizer exatamente quando foi que entrei nesse universo das redes sociais, mas já passei horas conversando no MSN e participando de comunidades no finado Orkut

Descansem em paz.

Assim como já tive outras redes menos conhecidas, como Fotolog, Myspace, Google+, Ask.fm, Vine, entre muitas outras que nem me lembro mais dos nomes.

O fato é que as redes sociais estão cada vez mais presentes em nossas vidas, e a tendência é aumentar. Em 1999 Bill Gates disse “Haverá dois tipos de negócios no século 21: os que estão na internet e aqueles que já não existem“.

E uma das melhores formas de criar presença digital é o bom uso das redes sociais. Tanto para pessoas quanto para empresas.

Você provavelmente deve conhecer apenas algumas delas, ou talvez nem saiba direito como explorar todo o potencial das redes sociais a seu favor. Isso quando não pede para seu filho, sobrinho ou neto te ensinar a mexer, não é?

Sendo assim, esse artigo é para você entender o básico sobre as redes sociais mais conhecidas e quais são os principais objetivos de cada rede, para que possa entender quais são melhores para você.

Vem comigo que é sucesso!

O que são as redes sociais?

Por definição, uma rede social é um conjunto de pessoas conectadas pelos seus laços e relacionamentos. O seu grupo de trabalho ou classe é uma rede social. Seus familiares e amigos também são. E quando essas redes são construídas na internet, aí temos o conceito de redes sociais digitais, ou simplesmente redes sociais.

Com isso, podemos entender que o principal objetivo de uma rede social é promover relacionamentos entre pessoas através de uma plataforma digital.

Mas você ainda pode encontrar o termo mídias sociais por aí, que apesar de ser bem semelhante, não é um sinônimo para redes sociais. 

Pensa aqui comigo: enquanto uma rede social foca em criar relacionamentos e conectar pessoas, uma mídia social se preocupa apenas em promover e distribuir conteúdos através de uma plataforma digital.

O e-mail é uma mídia social, pois vai apenas te entregar conteúdo de um destinatário. Não é objetivo dele fazer com que você interaja com outros usuários. 

Já o Facebook vai promover conteúdos e também permitir que as pessoas estejam conectadas. 

E porque usamos as redes sociais?

Cada pessoa tem um motivo específico para estar nas redes sociais, mas podemos definir em um termo geral: conexão.

As redes sociais permitiram que nós possamos nos conectar verdadeiramente com as pessoas, mesmo por trás de uma tela. Quando você tem amigos e familiares que moram longe, era muito mais difícil manter contato antigamente, onde dependíamos de cartas e telefonemas.

Hoje essa presença é muito mais facilitada. Você pode manter contato com pessoas que moram até mesmo em outros países, e interagir ao vivo. Você pode acompanhar a rotina de amigos e familiares, assim como de empresas e pessoas públicas.

Tente pensar na possibilidade de falar com atores e cantores famosos há 20 anos. Praticamente impossível, certo? Hoje, por outro lado, você pode comentar em uma rede social dessa celebridade, e receber uma resposta da mesma pessoa. 

Se você tem uma empresa, sabe que uma das formas mais acessíveis de fazer publicidade, e também mais poderosa, é o boca a boca. Usar suas redes sociais para divulgar seus serviços é ainda mais efetivo, já que você pode falar com diversas pessoas que não conhece, e provavelmente não alcançaria se não estivesse na internet.

E quais são as principais redes sociais atualmente? Segue a lista:

Facebook

Sem sombra de dúvidas, o Facebook se tornou uma referência mundial no universo das redes sociais.

Ele perdeu o posto de rede social mais usada no Brasil, mas ainda é a principal do mundo. Sua extensão é tão grande que hoje já controla outras grandes redes, como Whatsapp, Instagram e Messenger.

Foi criado em 2004 com o objetivo de criar relacionamentos entre os seus usuários. O próprio Facebook cita em sua página que o Facebook acredita no potencial das pessoas quando elas se unem, e sua missão é dar às pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo

Isso o classifica como uma rede de relacionamentos.

Youtube

Ao contrário do Facebook, o Youtube é uma rede de entretenimento, pois apesar de permitir que seus usuários se conectem e compartilhem conteúdos, o grande foco da rede é produzir e distribuir vídeos.

Na página oficial, o Youtube divulga que sua missão é dar a todos uma voz e revelar o mundo, pois acreditam que todos têm o direito de expressar opiniões e que o mundo se torna melhor quando ouvimos, compartilhamos e nos unimos por meio das nossas histórias.

Foi adquirido pelo Google em 2006, e hoje é a maior plataforma de compartilhamento de vídeos no mundo. Deu voz a muitos artistas e influenciadores, como a era dos vlogs no início da década de 2010, e até hoje está ligado aos maiores produtores de conteúdo audiovisual. 

O Youtube tem uma importância considerável por ter revolucionado a forma como consumimos mídias audiovisuais.

Instagram

O Instagram é minha rede social preferida, e ganhou muito destaque nos últimos anos. 

Criada em 2010, em 2011 foi comprada pelo Facebook por 1 milhão de dólares, e sua proposta era compartilhar fotos instantâneas, como um álbum de fotos virtual.

O site oficial nos traz as seguintes informações, referente aos objetivos da rede: aproximando você das pessoas e das coisas que ama, nosso compromisso é promover uma comunidade segura e acolhedora para todos. Expresse-se de novas maneiras com os recursos mais recentes do Instagram, conecte-se com mais pessoas, conquiste influência e crie conteúdo atrativo que seja claramente seu.

Entretanto, o Instagram alcançou tantas novas funcionalidades que se tornou um universo completo

Hoje você pode postar imagens e vídeos permanentes no Feed, fotos e vídeos descartáveis após 24h nos Stories, criar seu próprio canal de vídeos no IGTV, compartilhar cenas e momentos com o Reels, a mais nova funcionalidade, assim como criar uma loja virtual em seu perfil com o Instagram Shop.

Sendo uma rede focada no visual, o Instagram tem uma das maiores taxas de engajamento entre as redes sociais, além de ser um ambiente propício para marcas se aproximarem do seu público.

Whatsapp

Muitas pessoas não se dão conta, mas o tão famoso aplicativo é também uma rede social, focada em transmissão de mensagens em tempo real. Você pode conversar ao vivo com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo através do Whatsapp.

Inclusive, em sua página o Whatsapp reforça seu desejo de possibilitar que as pessoas se comuniquem sem barreiras, em qualquer lugar do mundo.

A maioria esmagadora de pessoas no país está no Whatsapp, que cada vez mais recebe atualizações para otimizar a plataforma. Uma das mais recentes é o Whatsapp Business, onde empresas e prestadores de serviços podem usar o aplicativo como fonte oficial de comunicação com os clientes.

Isso significa a facilitação de compra e venda de produtos e serviços pelo Whatsapp. Não é tão incomum que nós busquemos o número de empresas para pedir informações e até mesmo realizarmos a compra pelo aplicativo. 

Por isso, está sendo estudado a possibilidade de realizar pagamentos e operações pelo Whatsapp.

LinkedIn

Diferentemente das outras redes sociais, o LinkedIn é uma rede profissional, com o objetivo de formar conexões profissionais entre pessoas e marcas. Não é à toa que nessa rede você não solicita amizade, e sim conexão com os usuários.

O LinkedIn define, em sua página oficial, que sua missão é conectar profissionais do mundo todo, tornando-os mais produtivos e bem-sucedidos, além de criar oportunidades econômicas para cada integrante da força de trabalho mundial.

Você pode usar essa rede para divulgar sua experiência profissional, enquanto empresas podem usar a plataforma para selecionar novos funcionários e colaboradores. O LinkedIn tem uma proposta mais formal, e por isso não é a rede ideal para falar sobre o dia-a-dia, mas sim contribuir com seus conhecimentos e promover networking.

Twitter

O Twitter já foi uma rede mais popular antigamente, mas ainda tem uma importância considerável entre as grandes redes. Sua proposta é compartilhar pensamentos em poucos caracteres.

Uma rede de comunicação rápida e assertiva, mais conhecida pelas discussões de cunho político e disseminação de notícias e informações. Estar no Twitter é ser informado em tempo real pelos principais acontecimentos Brasil e no mundo, e ver reflexões diversas sobre os assuntos.

Segundo o site oficial, o Twitter é o lugar certo para saber mais sobre o que está acontecendo no mundo e sobre o que as pessoas estão falando agora.

Foi uma das primeiras redes a apresentar o conceito de seguidores ao invés de amigos, indicando que é uma rede mais impessoal. A comunicação é mais autêntica, onde você tem mais liberdade para dizer o que pensa, e isso pode ou não atrair pessoas que concordem ou discordem de você.

Outras contribuições importantes do Twitter foram os conceitos de hashtags e trending topics

As hashtags são as famosas “etiquetas” sinalizando um tipo de conteúdo, que você pode usar para acompanhar o que tem se falado sobre o assunto. Já os trending topics seriam os assuntos em alta no momento, para que você possa acompanhar o que mais está sendo comentado no país e no mundo.

TikTok

De todas as redes apresentadas aqui, o Tik Tok é a mais recente e uma das que mais cresceram nos últimos anos. A proposta do app é compartilhar conteúdo em vídeos de forma espontânea

Os vídeos rápidos com fundo musical ajudam a popularizar tendências, e por isso o app tem uma alta capacidade de viralização em seus conteúdos. Isso significa que o que é postado no TikTok tem mais chance de ser compartilhado pelos usuários.

De fato, é um app viciante e muito atrativo, que foca em vídeos para entretenimento e educação. Isso casa com a missão do app, sinalizada em sua página oficial: inspirar criatividade e trazer alegria.

Pinterest

Talvez você nunca tenha ouvido falar dessa rede, ou já deve ter se deparado com ele e não prestou tanta atenção. Mas se você não conhece o Pinterest, deveria conhecer agora.

O Pinterest atua como um grande painel de imagens, que pessoas usam para buscar inspiração em projetos. Basicamente, nessa rede você não precisa produzir conteúdo, basta repostar imagens de outras redes e organizar em murais semânticos.

A proposta da Pinterest em sua página é bastante simples: quando a ideia é boa, você bate o olho e já sabe. Essa é a grande sacada, ser um rede visual e funcional, para que você possa ver e se inspirar, além de reagir aos posts (chamados de pins) de outros usuários. 

É considerada uma rede de nicho.

Snapchat

Essa rede foi muito popular entre 2014 e 2015, hoje já não é mais tão lembrada pela grande maioria das pessoas. 

O Snapchat introduziu o conceito de imagens e vídeos que desaparecem em 24h, algo que deu tão certo que foi copiado pelo Instagram, Facebook, Whatsapp, e recentemente pelo Twitter, através dos Fleets. Com isso, a rede perdeu muito do seu público.

A visão do Snapchat, em sua página oficial, se baseia em contribuir com o progresso da humanidade, empoderando as pessoas para se expressarem, viverem no momento, aprenderem sobre o mundo e se divertirem juntas.

Apesar do declínio, é uma rede de nicho que ainda possui um público muito fiel.

Spotify

Eu pensei bastante antes de incluir esse aplicativo, já que o Spotify é considerado muito mais uma mídia social do que uma rede social em si. Sendo uma plataforma de streaming, sua função era apenas ouvir músicas e podcasts, criar playlists e seguir artistas.

Contudo, a plataforma também permite que os usuários possam seguir uns aos outros, ouvir suas playlists e segui-las, gerando interação entre eles. Com as playlists colaborativas isso ficou mais nítido, já que os usuários podem criar playlists juntos, cada um adicionando as músicas que gostam. 

E mais recentemente, o Spotify revelou sua vontade de criar uma linha do tempo onde podemos ver informações e novidades relacionadas aos artistas que seguimos. Isso deixa a plataforma com mais cara de rede social, mas não apaga as possibilidades de interação que ela já permitia.

A proposta da rede é muito intuitiva e cativante: crie a trilha sonora para a sua vida com o Spotify. A página oficial reforça o compromisso em democratizar o acesso à música e conteúdo em áudio.

Como eu posso escolher quais redes sociais são interessantes para mim?

Para isso, você precisa saber o que busca e o que espera ao se conectar em uma rede social. Dependendo do que é mais importante para você, existe uma rede social que se adequa melhor aos seus objetivos

Para manter contato com as pessoas conhecidas, Facebook e Whatsapp são os mais indicados. 

Instagram e Twitter são mais recomendados para seguir marcas e influenciadores

Já o TikTok, Spotify e Youtube podem ser usados quando se procura por entretenimento e conteúdo educativo

Pinterest e Snapchat são ótimos caso queira se conectar com nichos específicos

E o LinkedIn é ideal para estabelecer e fortalecer relações profissionais.

De acordo com o seu objetivo você pode estar em algumas dessas redes, ou em todas, já que podemos dar um propósito muito maior às redes sociais do que apenas interagir e consumir conteúdo.


E você, quantas dessas redes usa? Conta pra mim nos comentários, até podemos nos conhecer melhor em outras redes.

Espero que tenham curtido esse artigo. Abraço e até a próxima!

Referências