Por que nós temos tanto medo de sermos taxados de influenciadores?

Você segue ao menos um influenciador digital nas redes, isso é uma afirmação. Não adianta dizer que não conhece nenhum, eles fazem parte da sua vida.

Alguns usam as redes para divulgar seu trabalho, outros passaram a trabalhar com as redes, produzindo conteúdo e fazendo publicidade em seus perfis. Mas todos possuem algo em comum: eles te inspiram a tomar ações e você gosta de acompanhar o trabalho deles.

Mas você tem medo de ser associado a esse universo, e isso te intimida tanto ao ponto de você deixar de colocar o seu projeto nas redes sociais para não correr o risco de “virar blogueirinha”.

Vamos falar sobre isso?

Gente como a gente.

Você provavelmente pula os anúncios que surgem no YouTube ou saltam nas páginas que navega, mas interage em publicações nas redes sociais de pessoas que você admira. Muitos são artistas e celebridades consagrados, outros são pessoas que nós conhecíamos antes da fama, ou quando não tinham tanto alcance nas redes.

Nos sentimos próximos destes, afinal, são pessoas iguais a nós, que trabalham, estudam e se divertem. Elas só compartilham o que sabem e vivem conosco, e nós gostamos de acompanhar essas pessoas que divulgam o seu trabalho nas redes.

E isso pode ser um problema, porque os influenciadores deixam de ser os artistas inalcançáveis que jamais teriam qualquer tipo de contato conosco. Eles são pessoas reais, que poderiam estudar na sua escola, morar na sua rua, até trombar contigo no supermercado.

Isso tira a ilusão que temos sobre a fama, de serem deuses que nunca se misturam com os humanos. Não, os influenciadores são gente como a gente, se bobear, são tão ferrados na vida quanto você.

E isso traz um problema que nós conhecemos muito bem: a comparação.

A grama do vizinho sempre é mais verde.

Nós gostamos de acompanhar grandes influenciadores, comentamos  e compartilhamos os seus posts, mas quando se trata do seu vizinho youtuber ou a sua colega no Instagram, sentimos desprezo.

Muito disso é a nossa sensação de que, quando as pessoas ao nosso redor começam a se destacar, nós estamos perdendo em uma competição que nunca existiu.

Uma coisa é você acompanhar aquela atriz que sempre achou fantástica e nunca vai saber da sua existência, a outra é ver a sua prima conquistar o seu espaço no meio digital. Se ela conseguir, você vai ter que admitir que ela foi capaz e você não, algo que supostamente é “fácil”.

Já passou da hora da gente entender que não estamos em uma competição, e que o sucesso do outro devia ser motivo de alegria, não de inveja. Não faz sentido nós apoiarmos tanto as celebridades que não conhecemos e querer o fracasso das pessoas que convivemos a vida inteira.

Caso a sua vizinha ganhe dinheiro com a internet, ela não é melhor nem pior do que você, ela continua sendo a sua vizinha. Você é que precisa parar de querer que as pessoas ao seu redor continuem na mesma situação que você para que se sinta melhor.

Vale a pena conversar com pequenos influenciadores sobre o assunto, pois a maioria deles passou exatamente por isso: a mudança de comportamento dos conhecidos quando passou a ter relevância na internet.

Esse, aliás, é outro ponto importante para discutirmos, e entender a raiz do nosso desconforto com a influência digital.

Você é pago pra isso?

Quantas vezes você achou que era “vida fácil” trabalhar com o Instagram, gravando vídeos e postando fotos? E realmente parece um absurdo ver pessoas ganhando dinheiro apenas produzindo conteúdo.

Mas a pessoa ganha dinheiro com a produção de conteúdo porque aquilo que ela produz traz algum valor para as pessoas, um conhecimento adquirido pelo trabalho, estudo e vivências dela.

Com a pandemia, muita gente teve que aprender a usar as redes sociais para conseguir manter seu trabalho, e alguns se saíram tão bem que ganharam muita visibilidade, ao ponto de ter uma audiência legal e fazer dinheiro com isso.

Outras pessoas apenas compartilham assuntos que gostam ou vivem, e depois de muito tempo sem visibilidade, hoje conseguem usar o que fazem para complementar a renda ou até mesmo pagar as contas.

Você é contra que jogadores de futebol recebam dinheiro para representar o seu time? E que os atores sejam pagos para encenar as suas novelas e filmes preferidos? Então qual é o problema de um pequeno influenciador ganhar dinheiro com o conteúdo que ele produz e te agrada?

E convenhamos que produzir conteúdo não é fácil. É preciso muito estudo e dedicação para produzir um único texto, quem dirá montar edições de imagens, fazer um vídeo, gravar um podcast.

Parece fácil até você começar a fazer o mesmo. Pois quando se dá conta que aquele reels incrível que você até compartilhou pode durar horas de gravação e edição, você começa a entender que é justo ganhar dinheiro com isso.

Tem tanto influenciador péssimo fazendo sucesso…

Claro, eu não poderia continuar esse artigo sem falar dos terríveis inimigos do riso e do bom senso, que geralmente são os influenciadores mais famosos nas redes sociais.

Não vou citar ninguém aqui pra não rolar o não tão querido processinho, mas eu tenho certeza que você já deve ter pensado em alguns nomes. São pessoas que ninguém entende porque fazem sucesso, já que não possuem talento, carisma, e muito menos conteúdo.

Existe um questionamento muito grande sobre o que é ou não é conteúdo, e isso inclui muitos criadores que fazem sucesso apenas com selfies e dancinhas. Para simplificar as coisas: considere como conteúdo tudo que é produzido na internet que possui valor, conhecimento e propósito.

Se você apenas posta fotos suas e se considera influenciador, talvez seja melhor reconsiderar. Mas se você é modelo, artista, estilista, dançarino, ou tenha qualquer função que apresente um propósito pelo qual está fazendo essas fotos, é super válido.

Você vai encontrar centenas de pessoas que não agregam em nada na internet mas ganham fama por estar dentro de um padrão de beleza ou financeiro, essa é a parte menos digna da influência. Nem sempre é justo.

Porém, profissional ruim você encontra em qualquer área, e dentro dos influenciadores é a mesma coisa. Você não enxerga a classe médica como inútil ou pouco profissional por causa dos que são ruins, então não enxergue os influenciadores como tal por causa desses seres pouco iluminados.

Além disso, comece a se questionar porque esse tipo de gente faz sucesso. Quantos do tipo você segue e acompanha fielmente, mesmo achando que seu conteúdo é superficial? Se ninguém der palco, maluco não faz show.

Será que eu consigo fazer isso?

Beleza, vamos recapitular: você não se alegra com as conquistas do outro, não quer que as pessoas ao seu redor sejam mais bem sucedidas do que você, acha que trabalhar com a internet não é trabalho de verdade e enxerga os influenciadores como fúteis.

Mas em um determinado momento, você muda a sua mentalidade e resolve arriscar, divulgando o seu trabalho e as suas ideias nas redes sociais. Sabe o que acontece agora? Você precisa lidar com todas as outras pessoas que pensam igual a você.

Nós temos medo de gravar um stories ou produzir um conteúdo mais elaborado sobre o conhecimento que temos ou o trabalho que fazemos, por saber que muita gente vai torcer o nariz com isso.

“Olha lá, tá se achando a blogueirinha!”

“Tá com tempo de sobra pra ser influencer, né?”

“Agora só quer essa vida boa de influenciador.”

Quantas vezes você disse ou pensou isso de alguém? E agora é você quem está ouvindo essas frases agressivas simplesmente por ter dado a cara a tapa.

É uma mudança brusca, e isso intimida mesmo. Você começa a perceber que produzir conteúdo não é fácil, expor a sua imagem na internet, menos ainda. E lidar com críticas e haters então? Caramba, como os influenciadores conseguem?

Como eu vou conseguir lidar com tudo isso? Simples, lembrando do primeiro item desse artigo: influenciadores são gente como a gente.

Não existe dom divino, herança mística ou berço de ouro que separa pessoas comuns de influenciadores, no final somos todos pessoas como qualquer outra. O motivo pelo qual nos identificamos com esses produtores é justamente nos enxergarmos neles.

E se eles conseguem, por que nós não?

Penso, logo influencio.

“Ok, influenciadores digitais são gente que nem a gente, não existe nada de especial neles, são apenas pessoas comuns que dão duro para produzir conteúdo legal. E eu entendo que eu posso ser um deles também.”

Exatamente, porque você já é um influenciador, mesmo que não tenha se dado conta disso. Todo mundo exerce influência sobre o seu meio, alguns mais do que outros, mas todo mundo pode incentivar as pessoas a tomar decisões, baseado no que dizem e fazem.

Se as pessoas do seu meio não prestam muita atenção em você, é porque o seu público está lá fora, e para encontrá-lo você precisa continuar se arriscando e compartilhando com o mundo o que você faz de melhor. Quanto mais você persistir, mais chances terá de encontrar as pessoas que querem ouvir o que você tem a dizer.

E isso dificilmente acontece do dia pra noite. Muitos dos influenciadores que eu sigo estão na internet há anos, quando nós nem falávamos em produção de conteúdo e influência digital.

Eles não alcançaram a sua audiência do dia para a noite, foi preciso muito trabalho sem qualquer perspectiva de que um dia isso poderia ser remunerado. E hoje eles chegaram lá, então não pense que em algumas semanas você será uma autoridade digital.

Seja paciente e persistente, continue focado em compartilhar o que você sabe e quer dividir com o público, cultive bons relacionamentos com o seu público e outros influenciadores, pois ninguém cresce sozinho na internet.

Mas saiba que nas redes sociais, sempre terá ao menos uma pessoa te ouvindo. Se apenas uma pessoa tomar uma decisão graças ao que você disse, e essa pessoa te procurar para agradecer por isso, será que você já não está influenciando digitalmente?

Afinal, qual é o problema em ser influenciador digital?

Sete em cada dez pessoas que falam mal do surgimento dos influenciadores digitais não sabem explicar o motivo de os detestarem. Essa porcentagem sobe se você estiver no Twitter.

Trabalho fácil? Vimos que não é. Não é trabalho de verdade? Muitos não vivem apenas disso, outros conseguem se sustentar com as publicidades que fazem. São fúteis? Nem sempre, muito pelo contrário. Não é justo ganhar dinheiro com isso? Por que não?

Se você quer compartilhar com o mundo o seu trabalho, seus projetos e ideias, vai fundo. Você vai encontrar pessoas que querem ouvir o que você tem a dizer, e isso é uma relação ganha-ganha.

Você tem dúvidas sobre comunicação digital, eu trabalho com isso e produzo conteúdo para te explicar o que você quiser sobre o assunto. Você pode me seguir e interagir com o que eu posto, outras pessoas fazem o mesmo e eu cresço como profissional, assim como você ao ter novos conhecimentos que podem ser aplicados no seu trabalho.

E se nesse processo tanto eu quanto você nos tornarmos influenciadores digitais de sucesso, qual é o problema?

Ao invés de demonizar a influência, como um antro de futilidade e dinheiro mal gasto, pense que quanto mais você cresce, mais pessoas terão a oportunidade de conhecer o seu trabalho, os seus ideais e a sua história, e podem se beneficiar do que você faz.

Eu acredito muito nisso, é por isso que estou aqui te escrevendo esse artigo, para que você não tenha medo de começar o seu projeto na internet. Fama é consequência, influência é resultado.

E para finalizar, quero te recomendar o episódio “Competitividade versus Colaboração”, do podcast “Dia de Brunch”, conduzido pela Ana Paula Passarelli e pela Issaaf Karhawi. Elas falam TUDO o que eu penso sobre formação de coletividade para influenciadores e criadores, com uma didática tão massa que você vai se apaixonar.

Vamos juntos desbravar o mundo da produção de conteúdo e influência digital?

Manifesto conteudista: morte ao fast content e união da classe produtora

Esse texto é um desabafo, mas também um manifesto: produzir conteúdo é esgotante, e muitos de nós já não aguentam mais.

Talvez você possa pensar que essa ideia é um tanto derrotista da minha parte, já que os gurus nos ensinam a persistir e não desistir, estudar enquanto eles dormem, produzir enquanto eles descansam, e por aí vai.

Derrotista ou não, essa é uma realidade. Eu mesmo zerei a minha criação nos meus projetos, e há muito tempo não vejo mais os meus colegas se dedicarem aos seus perfis. Será uma coincidência, ou apenas as consequências do fast content?

Para quem desconhece o termo, fast content se refere ao método de produção em massa, estimulando criadores a postar 7 vezes por semana, aparecer nos stories, gravar vídeos, fazer lives e tudo mais o quanto antes, ou a sua audiência não vai se fixar em você.

Obviamente, essa cultura não é nada sustentável, já que produzir conteúdo leva tempo e esforço, e quando feita às pressas costuma dar ruim. Aliás, produzir conteúdo é um trabalho, e muito mau remunerado.

Por trás de toda pessoa que pede para que os seus produtores atualizem com mais frequência, existe alguém acabado que já não sabe mais como inovar e como se manter financeiramente em seu projeto. Isso é desgastante.

Eu tô usando o tempo para focar no meu trabalho fora da internet, já que fazer posts 6x por semana no Instagram não tem pago as minhas contas. Isso significa que desisto? Claro que não, apenas cheguei à conclusão que esse ritmo é absurdo e impossível de manter.

Aliás, recomendo esse texto da Sue Coutinho sobre a falência do fast content. Apesar de ser curtinho, ele sintetiza tudo o que eu penso sobre o assunto, então te convido à leitura.

No último episódio do podcast eu comecei a falar sobre slow content, e agora aproveito a deixa para prosseguir: nós devemos repensar essa cultura de alta velocidade com alta performance.

Tornou-se uma obrigação criar uma Monalisa por dia para manter o engajamento, mas ninguém consegue entregar essa expectativa tão alta, ainda mais fazendo totalmente de graça.

Ou você faz um trabalho bem feito ou você faz rápido e constantemente. Os dois juntos? Só pagando muito bem. Está disposto a isso?

Você que exige mais atualizações, já pensou em colaborar financeiramente com o seu produtor? Se ele puder bancar as contas com o trabalho dele, é mais fácil produzir com maior constância e qualidade.

Já você, produtor, tem buscado monetizar o seu conteúdo? Porque essa é a melhor forma de contornar essa situação e valorizar os seus corres. Eu também tenho pensado mais nisso, não é vergonha ou arrogância querer viver do seu projeto digital, e na atual circunstância, dinheiro é sempre bem-vindo.

Mas também devemos pensar que, se ainda não conseguimos monetizar o nosso trabalho, ou não o suficiente, não é hora de fazer mil e um investimentos nem nos desdobrar em trinta para produzir mais, ao contrário do que os gurus estão nos enchendo o saco para fazer.

Nem sempre aquele curso milagroso de “apenas” 10 parcelas de R$200,00 que te promete desbloquear o algoritmo e ganhar 1000 seguidores por dia é o que você precisa. Pode ser apenas umas férias mesmo, e tu ainda gasta bem menos.

É preciso pensar de forma inteligente, pois você pode até querer se desdobrar em trinta para manter suas redes atualizadas, mas o seu organismo aguenta isso até certo ponto.

Faça um trabalho pensado, não pesado. Pega a visão.

Slow content deveria ser o modelo a seguir, já que por anos os meios de comunicação apostam em formatos mensais para dar conta da qualidade. Por que não trazer essa cultura de volta?

Até mesmo repensar se as redes sociais de fato são o melhor ambiente para isso, ao contrário dos blogs e vlogs, que foram deixados de lado na última década. Era uma época boa, quando a gente podia publicar no nosso ritmo, em um espaço que era nosso, sem cobranças nem um algoritmo safado. Nós poderíamos voltar a produzir dessa forma, apenas pelo prazer de se comunicar na internet.

E se você acha que nunca vai crescer dessa forma, porque o algoritmo jamais prioriza um produtor que valoriza mais a qualidade das suas postagens do que a quantidade, a resposta é simples: colaborar é melhor do que competir.

Essa frase da Efeito Orna me acompanha desde o momento em que conheci as ideias das irmãs Alcântara, e mais do que nunca passei a refletir sobre o real significado dessa ideia.

Nem todo mundo precisa ser produtor de conteúdo, e nem todo produtor quer ou consegue manter um ritmo frequente. Mas nós fazemos isso porque compramos a ideia de que todo mundo tem que usar as redes para divulgar o seu trabalho.

Ao invés de ter várias pessoas diferentes se matando para produzir posts isolados, seria mais inteligente unir forças em uma direção só, para que a união de conteúdos gerasse a constância necessária.

Isso significa que você deixa de trabalhar a sua marca pessoal? De forma alguma, porque o que foi feito por você tem a sua essência e o seu toque, aposte sempre na sua forma única de fazer o que outros já fazem.

Mas não tenha medo de colaborar com um grupo de criadores, pode ser o que você precisa nesse momento. Sem medo nem forçar os seus limites, respeitando o seu ritmo de criação.

Eu decidi abrir as portas da Grambélia para quem quiser contribuir com esse universo da Comunicação Digital. Se você sabe sobre o assunto, quer se tornar uma autoridade na área, mas não tem tempo nem saco para manter consistência nas redes, vamos trabalhar juntos.

Produtores de conteúdo de todas as redes, uni-vos! Porque não podemos mais nos render a essa necessidade doentia de produzir freneticamente como se não houvesse um amanhã.

O amanhã existe, e talvez as redes que escravizam o nosso tempo nem farão parte dele, mas você continuará tendo todo esse potencial escondido aí dentro, que poderia ser mais bem aplicado dentro de um ecossistema inteiro, ao invés da solidão do seu perfil.

Desde já, desejo um feliz natal e um excelente ano novo, que em 2022 você decida guilhotinar de vez o fast content e tornar o seu projeto um centro de satisfação e retorno, até mesmo financeiro, ao invés de uma simples obrigação compulsiva.

Um abraço, e a gente se lê por aí!

Como o suposto inventor do telefone inspirou esse blog

Pensa rápido: Graham Bell é famoso por inventar o que?

Não foi a lâmpada, essa é de Thomas Edison. Também não foi o avião, apesar dessa ser óbvia, né?

Nosso amigo é creditado como o inventor do telefone, sua obra inspirou a área da Comunicação muito mais do que você imagina, mas ele não foi quem de fato inventou o telefone. E ainda de quebra inspirou a Grambélia.

Você quer ser edificado por essa fofoca histórica? Então chega mais.

Inventor do telefone?

Alexander Graham Bell é um inventor escocês, nascido em 3 de março de 1847 em Edimburgo. Ele é associado ao avanço do setor de comunicações, já que o maluco criou o aparelho que permitiu ao ser humano falar com as pessoas mais distantes em tempo real.

O impacto da invenção de Bell foi tão grande que hoje não vivemos sem um telefone celular na mão. Mas se eu te disser que Graham Bell não foi o inventor real do telefone, e que sua vida foi uma mentira, você acredita?

Ok, a sua vida provavelmente não foi uma mentira, mas dizer que Graham Bell foi o primeiro a inventar o telefone sim.

Bem, para entender melhor essa treta, é importante falar sobre o contexto histórico.

Tudo começa pelo começo.

Bom, tudo começa em 1830, quando Samuel Morse desenvolve o telégrafo elétrico. Essa engenhoca transmitia sinais por meio de uma corrente elétrica, de forma a conectar EUA e Europa.

E sim, ele também desenvolveu o Código Morse.

O problema do telégrafo era estar restrito às cabines de transmissão, não era algo que qualquer um poderia ter em casa, e também não transmitia sons.

Thomas Edison fez umas melhorias, mas ainda queriam uma versão que pudesse ser falada, até porque a Western Union tinha o monopólio dos telégrafos.

Guarde essa informação.

O primeiro cientista a desenvolver um protótipo nessas condições foi o alemão Johann-Philipp Reis, que apresentou em 1861 um aparelho que, segundo ele, representava como o ouvido humano funcionava.

Sem querer ele inventou o telefone, mas como só estava interessado em seus estudos em Anatomia, não achou grande coisa. Porém, o seu experimento chamou a atenção de outros inventores, e bem mais visionários.

A disputa de Bell e Gray.

Graham Bell trabalhou por anos nesse projeto, até apresentá-lo em 1876 e patentear o invento. Daí pra frente foram apenas glórias e muitos dinheiros na conta do escocês, afinal, ele inventou o telefone, certo?

Bem, digamos que no mesmo dia em que Bell registrou a patente, aproximadamente duas horas depois, o estadunidense Elisha Gray também registrou a patente do mesmo aparelho.

Parece uma incrível coincidência o escocês ter registrado a invenção às pressas, muito pouco tempo antes de Gray, quase como se alguém tivesse sussurrado ao nosso colega que outro inventor estava para vencer a corrida. Suspeito.

Até porque Bell e Gray eram rivais, ambos estavam trabalhando no protótipo do telefone, mas você pode considerar que foi apenas uma questão de velocidade no registro, não é?

Pois bem, é aí que entra nosso querido amigo Antonio Meucci.

Bell roubou pão na casa de Meucci.

O italiano se mudou para Cuba em 1835 para fugir das questões políticas na Itália, e em 1856 concluiu os seus estudos no aparelho que transmitia sons à distância por cabos.

Ele o batizou de teletrofono, e em 1871 solicitou o registro provisório de patente.

Infelizmente, quando o registro venceu em 1874, Meucci não tinha dinheiro para pagar a renovação, que seriam 10 dólares, e passou a buscar investidores para o seu invento.

E quem supostamente foi um dos ouvintes do projeto? Ela mesma, a Western Union, que não se interessou. Mas a empresa não retornou os registros do invento ao italiano, dizendo que havia sido perdido. E em 1876, o nosso não tão amado escocês registra um aparelho incrivelmente similar ao de Meucci.

A história diverge um pouco nesse ponto: alguns creditam à Western Union o furto do projeto para fazer um acordo com Bell, enquanto outros dizem que o escocês enviou o seu próprio projeto para a empresa e ela não quis, fazendo com que Bell visse uma das apresentações de Meucci e, sabendo que o invento não estava patenteado, copiou a engenhoca e lançou por conta própria.

Como sempre um homem branco pegando algo que não é dele na cara de pau.

Porém, outra informação interessante é que Graham Bell tinha o apoio de Gardiner Greene Hubbard, um advogado e empresário estadunidense, e ele teria relações com o Escritório de Patentes.

Isso explicaria como Graham Bell teve acesso aos arquivos de Meucci e de quebra saberia sobre o andamento de Elisha Gray.

Mas nossa história ainda possui mais um importante capítulo.

Uma batalha judicial com um desfecho nada justo.

Meucci processou Bell por fraude, mas morreu durante o processo, e assim Graham Bell foi declarado o inventor do telefone. A justiça estadunidense reconheceu o trabalho de Meucci na Resolução 269 de 2002, apesar do Canadá ter feito uma moção contra essa decisão dez dias depois.

Canadenses???

Os registros não são muito claros com relação a todo esse processo envolvendo os inventores: uns dizem que a justiça estava pendendo para Meucci, outros que o processo demorou por influência da Western Union.

Mas não há como negar que Graham Bell teve várias condições inexplicáveis que o colocaram na frente da corrida, portanto, não é realmente justo dar a ele o título de “o inventor do telefone”.

Entretanto, o trabalho de Bell para a área de comunicação foi muito mais profundo do que a disputa pelo telefone, e é sobre isso que vamos falar.

O lado pouco conhecido sobre a obra de Graham Bell.

Já sabemos que Bell era cientista e inventor, mas poucos sabem que ele era fonoaudiólogo, e que sua família tem um grande histórico na área.

Sua mãe, Eliza Bell, era surda. O pai, Alexander Melville Bell, professor de fonética e instrutor de surdos. O avô, Alexander Bell, começou como sapateiro e se tornou professor de elocução.

Melville Bell foi um dos precursores da leitura labial, por meio dos seus treinamentos, e a condição de Eliza motivou Graham Bell a cursar Medicina para descobrir formas de ajudá-la.

Vale lembrar que, na época, a Fonoaudiologia não era uma área independente, e sim fazia parte da Medicina.

A família se mudou para o Canadá em 1870, e em 1871 Bell foi convidado no lugar do pai a ministrar treinamentos para surdos em Boston. Isso o fez conhecer Gardiner Greene Hubbard, pois sua filha era surda, e então Graham Bell se casou com Mabel Hubbard, filha do seu grande parceiro de negócios.

Esse conjunto de fatores o levaram a desenvolver o telefone, mas o resto dessa história você já sabe.

Podemos ter um Complexo de Édipo nessa questão entre Bell e Mabel? Possivelmente, junto com a ideia de se unir a um homem bem sucedido para financiar suas pesquisas, usando sua filha como moeda de troca.

Até aqui voltamos a gostar do Bell, certo? Pois então, permita-me jogar a última pá de cal na história desse cretino.

Graham Bell influenciou muito mais do que imaginamos.

O trabalho do escocês para a comunidade surda nos EUA foi muito importante. Ministrou aulas de Fisiologia Vocal e Elocução na Universidade de Boston, abriu sua escola de instrução para surdos e fundou a Associação Americana de Ensino de Surdos e Mudos.

Também é cofundador da Sociedade Geográfica Nacional, responsável pelo National Geographic Channel, e também da Science, a revista científica de maior renome mundial. Teve sua própria empresa de telefonia, a Bell Telephone Company.

Porém, Graham Bell possui um lado negativo que precisa ser dito: ele foi favorável à eugenia da população com deficiência, inclusive a comunidade surda, e suas ideias inspiraram alguns dos experimentos nazistas.

Ele chegou até mesmo a defender a esterilização de surdos para impedir que eles disseminassem sua “falha genética”, fazendo com que a comunidade surda hoje não considere o legado de Graham Bell como algo positivo para a história.

Talvez você pense: “ah, mas devemos separar o autor da obra, provavelmente era um pensamento comum na época, não podemos problematizar isso.”

Sim, nós podemos e devemos.

Começando pelo fato de que se as ideias dele fossem aplicadas, o próprio Bell não teria nascido, pois a sua mãe é surda, lembra? Ele também se casou com uma mulher surda, e dedicou sua carreira à comunidade surda.

Como essa pessoa resolve afirmar que pessoas surdas são defeitos genéticos e sequer deveriam ser consideradas seres humanos?

Que tipo de trabalho é esse que visa melhorar a vida de pessoas surdas, e ao mesmo tempo defende que essa população seja segregada, exposta a experimentos degradantes e seja impedida de ter uma vida normal?

Podemos entrar em uma grande discussão ética nesse contexto, citando até mesmo a ciência nazista, mas gostaria de resumir a discussão em um pensamento:

Se você pretende fazer ciência e negócios sem considerar a diversidade e humanidade em todos aqueles que não se parecem com você, suas ideias não servem pra nada.

E como a Grambélia entra nesse meio?

Você está vendo o nome Graham Bell tantas vezes que já deve ter se tocado, mas caso ainda não teve o lampejo de inspiração do seu neurônio solitário, presta atenção aqui:

O nome Graham Bell se pronuncia “Gram Bél”. O meu sobrenome é Bellia, apesar de frequentemente as pessoas pronunciarem como “Bélia”, quando na verdade se diz “Belía”.

Juntou as peças agora?

Pois é, quando estava fazendo um processo de ideação para definir o nome do meu blog, Grambélia surgiu ao me lembrar de Graham Bell e seu legado na criação do telefone.

Porém, depois de fazer isso, fui pesquisar sobre a história dele, para saber com o que de fato ele contribuiu ao longo da história, e meu primeiro choque foi descobrir essa treta toda.

Graham Bell não foi o real inventor do telefone, apesar de sempre termos aprendido isso. Isso me faz pensar que a Comunicação é muito diferente do que pensa o senso comum, e se você não estudar muito, corre o risco de estar sempre errado em sua abordagem.

Acima de tudo, Comunicação é uma ciência e deve ser tratada como tal. Não se pensa em comunicação sem estudo e prática, não deve ser baseada em achismos e amadorismo.

Mas Bell teve uma carreira muito maior como fonoaudiólogo. Ele aplicou os conceitos de saúde em suas estratégias de comunicação e revolucionou a história da educação de surdos. E eu, enquanto fisioterapeuta e comunicador, penso o mesmo.

Não é à toa que muitos profissionais da saúde não crescem, porque nós não aprendemos o básico sobre comunicação com os pacientes e familiares, quem dirá sobre comunicação digital.

E como eu quero me especializar em Comunicação em Saúde, essa trajetória de Graham Bell me fez pensar que é o caminho certo.

Você deve ter pego antipatia dele pelo furto de ideias, depois simpatia pela sua dedicação à comunidade surda dos EUA, e no fim voltou a sentir desprezo pelo seu pensamento eugenista (espero).

Como um cientista e professor de eloquência para surdos defendia que eles eram falhas genéticas e não deveriam se reproduzir?

Este é o grande X da questão: sem consciência social, qualquer pauta e trabalho corre o risco de cair no obscurantismo.

É por isso que muitos surdos não o consideram como um legado digno, já que no fim ele defendia a esterilização dos surdos e embasou em boa parte a política nazista.

Honestamente, eu tô de saco cheio de ver gurus do marketing querendo convencer as pessoas que o Instagram é a resposta para tudo, enquanto 25% da população brasileira não tem acesso à internet, segundo a PNAD 2020.

O que eu mais vejo pelas redes são os tais gurus vendendo cursos que garantem que a pessoa será bem sucedida nas redes, mas ao analisar o conteúdo você percebe que é simplesmente vazio.

Vendem fórmulas mágicas e se sustentam disso, porque todo mundo está tão desesperado por ganhar dinheiro com a internet que só percebem a cilada depois de pagar “apenas” 12 parcelas de R$ 300,00.

Portanto, esses valores me guiam enquanto profissional de comunicação, e meu objetivo com a Grambélia é ajudar os profissionais autônomos, da saúde e produtores de conteúdo a entender melhor os aspectos da comunicação digital e como aplicá-los em seus negócios.

Prometo a você enriquecimento rápido? Obviamente não, porque isso não existe. Para você lucrar tanto em tão pouco tempo, várias pessoas precisam perder dinheiro, o capitalismo funciona dessa maneira.

Mas ao entender a comunicação digital, como ela pode te ajudar a construir sua marca e as ferramentas que a internet te oferece, eu posso te mostrar por onde começar e como chegar lá.

Sendo assim, bem vindo à Grambélia! E se precisar de ajuda profissional, mande um e-mail para contato@grambelia.com.br e vamos conversar!

Referências:

As protagonistas de Coisa Mais Linda e o perfil empreendedor dos quatro temperamentos

Quando eu vi o trailer da série Coisa Mais Linda, da Netflix, eu me encantei logo de cara. E ao ver que eram apenas duas temporadas com sete e seis episódios mais ainda, já que eu detesto séries muito longas.

Coisa Mais Linda fala sobre a jornada de quatro mulheres no Rio de Janeiro nos anos 50, uma época marcada pelo surgimento da Bossa Nova, e também pelo modelo patriarcal da sociedade. 

Coisa Mais Linda: série brasileira da Netflix sobre empreendedorismo, feminismo e bossa nova no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.
Arte oficial da série com as quatro protagonistas. Da esquerda para a direita: Lígia, Thereza, Malu e Adélia.

Na série, Malu se muda para o Rio com a ideia de abrir um restaurante com seu marido, e ao chegar na capital descobre que ele fugiu com seu dinheiro, deixando-a com absolutamente nada.

A história mostra o renascimento de Malu ao decidir inaugurar um clube de bossa nova no prédio onde seria o restaurante, e a luta para se firmar em uma sociedade onde as mulheres não tinham voz nem direitos

Quando você assiste a série, percebe que são quatro mulheres totalmente diferentes que decidem crescer profissionalmente na década de 50. E ao ver a trajetória de cada uma, não consegui deixar de enxergar na história um conceito importante na Psicologia: os Temperamentos.

Talvez você já deve ter ouvido falar desse termo, mas caso não conheça o assunto, os temperamentos são traços de personalidade que determinam tendências de comportamento. Uma pessoa de determinado temperamento tende a agir de uma forma específica em cada situação.

Meu objetivo neste artigo não é te transformar em um especialista no assunto, mas te mostrar algumas características que discutimos nesse meio e sua relação com a série

A história de Coisa Mais Linda foca muito no empreendedorismo e empoderamento feminino, dois assuntos que eu também gosto muito. Por isso eu quero te mostrar como os temperamentos podem indicar o perfil empreendedor de cada pessoa, baseado nas quatro protagonistas da série.

Curioso, não acha? Fica comigo que eu te explico essa mistura!

O que são os temperamentos humanos?

Apesar de parecer recente, esse conceito é muito antigo, vindo da Grécia Antiga. Hipócrates foi o primeiro a falar sobre o assunto, em 400 a.C, entendendo que o ser humano pode ser definido por quatro tipos de temperamentos.

A Filosofia, a Psicologia e a Neurociência se apropriaram do estudo sobre os temperamentos e o desenvolveram ao longo do tempo. Hoje se entende que os temperamentos são itens da inteligência emocional, definida por Daniel Goleman, pois indica como as pessoas tendem a reagir através do seu perfil temperamental.

Contudo, os temperamentos não são fixos, cada pessoa possui traços de um ou mais deles, e também é importante frisar que eles não definem o indivíduo. Goleman defende que a inteligência emocional depende de vários fatores e pode ser desenvolvida.

E quais são os temperamentos e como se conectam com as protagonistas de Coisa Mais Linda? Eu te explico:

Malu é colérica

Malu, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Maria Casadevall.
Malu, personagem de Maria Casadevall.

O temperamento colérico torna as pessoas naturalmente confiantes e determinadas. Pessoas coléricas tendem a ser muito criativas, impulsivas, naturalmente empolgadas e com aptidão para liderança. Gostam de tomar a frente e fazer as coisas acontecer, sem pensar muito nas consequências.

Assim é a Malu, a paulistana que largou tudo para construir um restaurante com o marido no Rio de Janeiro. Medo de dar errado ou de não ser o que ela pensava? Muito pelo contrário, a Malu mergulhou de cabeça nessa ideia. 

E ao se dar conta de que não tinha mais nada, decidiu fazer algo que ninguém jamais tinha feito naquela cidade.

Ela é uma mulher bastante corajosa e expansiva, tem ótimas ideias e não pensa muito antes de agir, prefere abrir caminho e ver o que acontece. Acaba atropelando os outros no caminho, age com exageros e acredita que tudo gira a seu redor.

Do ponto positivo, o temperamento colérico traz muita iniciativa, o que é fundamental para o empreendedor. É preciso coragem para tirar as ideias do papel, e mais ainda para seguir em frente mesmo sem saber exatamente por onde anda

Muitas vezes o empreendedor precisa aprender fazendo e fazer aprendendo, pois se esperar até o momento ideal, ele pode nunca acontecer. É uma característica muito forte da Malu, ao longo da série ela vai testando e aprendendo, todos os dias.

Do ponto negativo, a pessoa colérica pode meter os pés pelas mãos pela falta de planejamento. Apesar de ser tentativa e erro, você precisa ter um estudo prévio para entender o que precisa saber antes de sair desbravando, para que o seu negócio seja sustentável, e não uma série de faíscas desordenadas.

Além disso, empreendedores coléricos possuem uma dificuldade em separar o profissional do pessoal, a tão necessária inteligência emocional. Quando as coisas dão errado a Malu se desespera e acaba incendiando tudo e todos ao seu redor. 

E por ser altamente focada em si mesma, age como se fosse o centro do mundo, o que dificulta as relações interpessoais. Sente como se nada mais importasse além do que as suas vontades, pisando em todos para se encontrar no mundo.

Se você que é colérico quer empreender, seja assertivo e proativo, não tenha medo de errar ou não saber o que fazer, mas trace um plano bem definido antes de começar, e não leve as adversidades para o lado pessoal

Saiba ouvir e enxergar o outro, e entender que nem sempre as coisas serão da forma como você quer, e sim como precisam ser. Colaborar é melhor do que competir.

Adélia é fleumática

Adélia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Pathy Dejesus.
Adélia, personagem de Pathy Dejesus.

O temperamento fleumático representa os indivíduos realizadores e pacíficos. Pessoas fleumáticas são pragmáticas, analíticas e resilientes, sabem observar o que acontece ao seu redor e possuem uma paciência inerente.

Da mesma forma, Adélia é a personagem mais pé-no-chão da série. Sócia de Malu no clube, foi a primeira a dar ouvidos à paulistana e ajudá-la a construir o Coisa Mais Linda. 

Mesmo sendo empregada doméstica, mãe solteira, analfabeta e moradora da favela, Adélia acreditou na proposta, se permitiu sonhar e deu todo o suporte que precisavam para tirar os planos do papel. 

Quando era preciso botar a mão na massa, era a negra quem fazia o que precisava ser feito. Sempre paciente e persistente, tem seu ritmo próprio e mostra que devagar se chega longe. Principalmente com trabalho duro.

Para conquistar um empreendedor fleumático é preciso tempo, fatos concretos e números. Eles são racionais e disciplinados, agem com a lógica e valorizam mais o planejamento e diplomacia

São gentis e sonhadores, apesar de preferirem focar no agora e no que é concreto, e altamente confiáveis. Gostam de tratar bem o próximo e são sempre muito solícitos.

Um ponto negativo importante é a sua lentidão para tomar decisões, assim como sua tendência à inércia. São pessoas que pensam tanto que acabam deixando oportunidades passar por insegurança, e se arrependem depois por falta de proatividade. 

Podem ter dificuldade em receber críticas e expôr suas ideias, optando pelo silêncio para não precisar se posicionar diante do outro.

Por outro lado, fleumáticos lidam muito bem com as adversidades, são ótimos planejadores e costumam ser vistos como o pilar que sustenta os demais em suas empreitadas.

Se você é uma pessoa fleumática e quer empreender, meu primeiro conselho é: arrisque, você vai ter que aprender no caminho. Mas a sua capacidade analítica é sua maior aliada, então esteja sempre traçando metas e criando objetivos para se guiar

Não tenha medo de se expor nem de tomar iniciativas, você não precisa abaixar a cabeça a todo momento nem se colocar um degrau abaixo. Sua voz tem muito poder, não tenha medo de usá-la.

Theresa é sanguínea

Thereza, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Mel Lisboa.
Thereza, personagem de Mel Lisboa.

O temperamento sanguíneo traz leveza e dinamismo nas relações humanas. Pessoas sanguíneas são mais comunicativas e curiosas, gostam de lidar com pessoas e expressar suas ideias. São inquietas e gostam de chamar a atenção por onde passam.

Quando você vê a Theresa pela primeira vez, isso fica nítido. É a mais libertária do grupo, sempre se considerou feminista, e a única que trabalha em um posto de destaque. 

Ao contrário da Adélia, que era doméstica, Theresa é colunista em uma revista, e a única mulher na redação. Começa a história como colunista, resolve escrever um livro e depois se torna radialista, sem deixar de lado a vida social. 

É naturalmente expansiva e eclética, sempre está disposta a fazer amizades e fala muito bem em público, costuma ser vista como anfitriã mesmo sendo apenas uma convidada.

Como podemos ver, os empreendedores sanguíneos possuem múltiplas habilidades e adoram explorar as diversas possibilidades. Eles podem ter uma empresa de tecnologias, dar aulas de violão, fazer uma faculdade de saúde e escrever artigos no tempo livre, tudo ao mesmo tempo. 

Adaptáveis, tendem a trabalhar com comunicação ou áreas que permitem lidar com pessoas, como o comércio. Eles sabem dialogar com vários públicos e trabalhar com vários formatos e canais.

Porém, sua natureza multipotencial também revela uma dificuldade em focar no que é importante. Fazem tantas coisas ao mesmo tempo que largam muitos projetos no caminho. 

Impulsivos, podem simplesmente enjoar do que fazem e pular para outra ideia sem pensar com clareza, é um grande risco no empreendedorismo. 

Além disso, passam a ideia de superficialidade e exagero, pois sabem muito sobre diversos assuntos ao invés de se aprofundar em poucos e essenciais. O empreendedor precisa sim saber um pouco de tudo, mas é fundamental construir uma base em alguns pontos estratégicos.

Para os empreendedores sanguíneos, busque trabalhar perto de pessoas e para pessoas, já que sua personalidade magnética é sua arma mais poderosa. Mas é preciso sair da bolha e se aprofundar no que é mais importante para o seu negócio, para que ele possa se sustentar com as adversidades. 

Vale a pena frear os impulsos e cultivar o foco para não se perder no processo, entendo onde você está e onde quer chegar. O lenhador que gasta mais tempo amolando o machado corta mais árvores com menos esforço.

Lígia é melancólica

Lígia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Fernanda Vasconcellos.
Lígia, personagem de Fernanda Vasconcellos.

O temperamento melancólico representa as pessoas sensíveis e introspectivas. Os melancólicos são complexos, intuitivos, sensíveis e desconfiados, pessimistas convictos, mas podem se tornar incrivelmente leais ao conquistar sua confiança.

E dentro do quarteto, Lígia é a mais melancólica. Valoriza as amigas e a família acima de tudo, é doce, sensível, carinhosa e amável. Tem paixão pela música, apesar de sentir medo de se arriscar nesse meio, por isso vive no conflito de  seguir seus sonhos ou manter sua vida “perfeita”.

Com a ajuda das amigas, Lígia se permite expressar sua paixão pela voz, e conforme ganha destaque nos palcos, se sente mais viva. Vive reprimindo suas paixões, além de sofrer repressões em seu casamento, o principal motivo pelo qual passou tantos anos ignorando seu sonho de ser cantora.

O maior perigo para os empreendedores melancólicos é a insegurança, por serem pessoas sensíveis tendem a se fechar em seus próprios sentimentos para não se magoar. É difícil lidar com a rejeição, então ao invés de abrir um negócio e se colocar em posição de vulnerabilidade, podem optar por uma vida pacata.

Além disso, são pessoas altamente desconfiadas que não gostam de depender do outro, tendem a buscar carreiras onde possam lidar sozinhos. Trabalhar em equipe não é o ponto forte desse temperamento, agindo de forma rígida com as pessoas para não transmitir fraqueza 

São muito críticas e duras consigo mesmas, acabam se cobrando tanto a ponto de ser um grande obstáculo a superar. Em contrapartida, esse tipo de pessoa é altamente dedicada e detalhista, buscam a perfeição em tudo o que fazem, por isso sempre entregam um excelente trabalho. 

E sua veia artística não deve ser menosprezada. Muitos podem buscar empreender na arte, seja na pintura, música, design, arquitetura, dança, teatro, redação. Ou então procuraram despertar beleza com seu negócio.

Para o empreendedor melancólico, valorize o seu potencial e não se diminua, acredite no seu potencial e não tenha medo de se expor. Use a sua sensibilidade para dar voz aos seus clientes e trazer para a sociedade o que você faz de melhor. 

E saiba que confiar no outro não é uma fraqueza, aprenda a trabalhar junto para somar as diferentes expertises e assim contribuir para que seu negócio seja mais completo. Quem vai acompanhado chega mais longe.

E você, conseguiu se identificar com uma das protagonistas e seus temperamentos? Conta pra mim nos comentários. E mais uma vez recomendo essa série incrível da Netflix.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências

O que você precisa saber sobre mim e este blog em um (não tão) breve relato

Seja bem vindo, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, quero deixar bem claro que introduções não são, nem de longe, meu ponto forte. Então vou fingir que esse parágrafo foi uma excelente introdução e seguir como se nada tivesse acontecido.

Eu sempre fui um cara muito mais virtual do que real. Talvez por ser um millennial, talvez por não ter muitas habilidades sociais, já que eu sou meio introspectivo.

Culpe os meus quatro astros em Capricórnio espalhados no meu mapa astral.

Mas enfim, eu vivo em redes sociais desde que me entendo por gente. Comecei pelo Orkut (descanse em paz), tive Fotolog e Myspace, migrei para o Facebook e Twitter.

Fiz conta no LinkedIn para um dia ser um empresário bem sucedido, tive Google+, Ask.Fm, Tumblr, Vine, Snapchat, weheartit, até conhecer o Instagram e me apaixonar.

Fui para o Pinterest e o DeviantArt, Youtube, CuriousCat, Spotify, e mais recentemente o Tik Tok e o Behance.

E ainda deve ter vários outras redes sociais perdidas no tempo.

Porém, no começo da década de 2010 a gente não falava tanto sobre trabalhar com isso, porque era “coisa de adolescente”. E por isso decidi fazer um “curso de adulto”, e comecei Fisioterapia.

Aqui poderia começar um relato sobre uma pessoa que fez faculdade, detestou o curso ou nunca conseguiu trabalho e fez outra coisa totalmente diferente. Mas não é 100% verdade.

Eu amo a Fisioterapia e tudo que vivi através dela, contudo, quanto mais eu via a prática clínica, mais eu entendia que eu não era esse tipo de profissional.

Cheguei até a começar um mestrado em Fisioterapia, meu sonho desde o primeiro ano de graduação. Adoro a sensação de transmitir o que sei e ajudar outras pessoas a enxergar o que eu enxergo, sempre tive alma de professor. E, de fato, a matéria de Didática de Ensino não foi apenas minha preferida no mestrado.

Foi a única.

Temos então um fisioterapeuta extremamente frustrado porque achou que iria encontrar o seu lugar no mestrado, mas percebeu na prática que a área acadêmica não tinha nada a ver com ele.

Entretanto, eu sempre fui uma pessoa muito curiosa, e acabei fazendo tanta coisa nada a ver com nada, que no final me deu toda a base para eu saber o que queria da vida e onde queria chegar.

Minha experiência mais importante foi escrever fanfics. Juro por Deus. Foi escrevendo fanfics que eu conheci o Animespirit, que depois se tornou Spirit, um site para escritores amadores.

Comecei escrevendo e lendo fanfics para passar o tempo, e então comecei a me aventurar no Photoshop porque queria fazer capas legais para as minhas fanfics e não queria depender de capistas.

Logo em seguida eu fui trazido ao Personalizar, a seção de web design do Spirit, e além de capas eu comecei a montar layouts e editar o CSS do meu perfil.

Eu passei num concurso para me tornar revisor de textos, um ano depois me tornei Administrador de Histórias, e no ano seguinte, Administrador Geral do Spirit. Responsa, né? Quarto ano de faculdade, estágio estralando o chicote e eu lá ajudando a gerenciar o site e suas equipes.

Tudo ao mesmo tempo.

Esse trabalho foi minha a porta para o Marketing Digital, pois eu trabalhava diretamente com usuários através do Fórum de dúvidas e Suporte ao usuário, gerenciava todas as equipes do site, e ainda por cima fui colocado para administrar o Twitter do Spirit.

E eu adorava o Twitter, então resolvi usar o que eu sabia sobre a rede para aumentar o engajamento no perfil, que era muito baixo. Deu tão certo que eu vou mostrar para vocês o meu primeiro post no twitter do Spirit, e a repercussão dele:

O mais importante desse post não é o número alto de curtidas, e sim o engajamento positivo gerado com essa simples mensagem. De uma mídia com poucas interações, em que a maioria dos usuários estava para fazer uma reclamação, foi bom conseguir gerar movimento e fazer com que os usuários se sentissem mais próximos da plataforma.

Esse é o verdadeiro objetivo que eu passei a buscar como moderador da conta: o sentimento de pertencimento e autenticidade. Que as pessoas se conectassem de forma espontânea e se sentissem bem com isso.

Foi assim que eu decidi fazer um curso para entender melhor como gerenciar redes sociais, e foi nesse momento que eu conheci a área de Marketing Digital.

Eu já tinha saído da administração e estava no mestrado, mas essa paixão pelo marketing só crescia. Lia blog posts de marketing ao invés de artigos científicos, quanto mais eu me desencantava pelo mestrado, mais eu me fascinava pelo universo social media.

E então eu decidi largar o mestrado para estudar Marketing Digital. Fui baixando tudo quanto era ebook que eu achava, me inscrevi em várias lives e webinários, fiz cursos gratuitos e alguns pagos, até entender que era isso que eu queria fazer.

E assim comecei minha segunda graduação, em Comunicação Institucional, para ter maior aporte de técnicas e conteúdo sobre gestão de marcas, mídias e comunicação.

Eu vivi por meio das redes sociais a minha vida inteira, conhecia a fundo várias mídias digitais, então porque não trabalhar por elas e para elas?

Porque a verdade é que as redes sociais foram vitais no meu desenvolvimento pessoal. Minha maior dificuldade desde sempre foi lidar com pessoas, estar frente a frente com alguém é meu maior desafio.

E como eu não conseguia me sentir a vontade no mundo real, o mundo virtual resolvia esse problema.

Muitas vezes era difícil interagir lá fora, mas surpreendentemente fácil mandar uma mensagem. Eu só conseguia me conectar com as pessoas atrás de uma tela, só conseguia manter contato respondendo status e stories.

Não era algo que eu gostava, mas já que minha zona de conforto eram as redes sociais, eu poderia usar isso a meu favor.

Talvez para você uma rede social é só um espaço para postar algumas fotos da sua vida. Para mim era uma das únicas oportunidades de fazer parte de algo e me conectar com as pessoas que eram importantes para mim.

É isso que as redes sociais representam: conexão verdadeira com as pessoas.

Lembra quando eu disse que adorava a sensação de transmitir conhecimento? Pois é, quando você compartilha o que você sabe nas suas redes sociais, está dando a oportunidade de alguém ter acesso a uma informação que, para ela, vai fazer toda a diferença!

O conhecimento empodera. Ensinar o que você sabe é dar poder nas mãos das pessoas ao seu redor, e se fortalecer com isso.

Você pode usar suas redes sociais só para postar suas fotos, ou você pode usar as suas redes para se conectar verdadeiramente com as pessoas.

Nós descobrimos durante a quarentena que é possível viver por meio do virtual, e que uma rede social pensada de forma estratégica pode mudar um negócio. Até mesmo alguém.

Eu trabalho com redes sociais não por ser a moda da vez, mas por acreditar que o contato humano é essencial, e que por mais que esteja por trás de uma tela, existe uma pessoa do outro lado.

Seja qual for o seu trabalho, alguém precisa dele! O que você sabe e o que você faz é essencial para alguém, que talvez você nem conheça. E se alguém precisa do que você sabe e do que você faz, porque não compartilhar isso com o mundo?

Por muito tempo eu acreditei que não seria um bom fisioterapeuta, até entender que, na verdade, eu só não sou um fisioterapeuta convencional. E aqui na Grambélia, meu objetivo é te ensinar tudo o que eu sei, estudei e vivi nesse meio em que eu me sentia conectado com as pessoas.

Gerenciar bem suas redes sociais, e ter presença digital através delas, é dar a oportunidade dos seus clientes se conectarem com você e terem acesso ao seu trabalho, que é muito importante para eles.

Eu só faço a ponte entre vocês, e te ajudo a dar ao mundo a oportunidade de conhecer o trabalho incrível que você faz.

E se você for um profissional da saúde, tem um espacinho especial na Grambélia para você. Porque a gente não aprende na faculdade a vender nosso trabalho e a gerenciar a nossa marca pessoal. Sim, você vende a sua terapia, e você é uma marca, como as meninas do Efeito Orna sempre falam.

Talvez eu não seja um bom fisioterapeuta, mas eu sou um excelente comunicador. Eu quero te ensinar tudo o que sei, e o que ainda vou aprender, para que você saiba usar as redes sociais a seu favor.

Lembre-se: o conhecimento empodera, e as redes sociais representam conexão verdadeira entre as pessoas. É nisso que eu acredito, é isso que eu busco.

Sendo assim, bem vindo à Grambélia.