O Instagram ainda vale a pena?

Já faz algum tempo que eu, Gabriel Bellia, não produzo mais conteúdo no Instagram, e durante todo esse período fiquei me questionando se valia a pena retornar.

Lá no Instagram eu comecei o Tá Difisio e depois a Grambélia, por quase um ano eu produzi conteúdo seis vezes por semana, sem parar. Já cheguei inclusive a gerenciar cinco contas ao mesmo tempo, sendo uma delas de um cliente e as demais eram projetos meus.

Eu tenho até um artigo aqui no site falando sobre os nove motivos para estar no Instagram, justamente por acreditar no potencial da rede, e então parei toda a minha produção.

Como e por que um especialista em comunicação integrada no Instagram decidiu repensar sua presença na sua rede de especialização? Fica comigo que eu te conto!

Instagram X TikTok

Essa história começa no dia 30 de junho de 2021, quando Adam Mosseri, chefe do Instagram, fez uma publicação nas suas redes sobre as principais mudanças que poderíamos esperar para a plataforma.

Fonte: Adam Mosseri (Twitter)

Nisso, ele confirmou uma suspeita já antiga entre os usuários: o Instagram decidiu priorizar os conteúdos em vídeo para rivalizar com TikTok e YouTube.

O Instagram no início era uma plataforma de fotos, que acabou aceitando conteúdo em vídeo no feed, limitado a 1 minuto. Depois disso lançaram o IGTV, em 2018, que permitia mais tempo de duração, e mais recentemente os Reels, agora em 2020.

E a rede já mostrava um comportamento predatório, como a implantação dos Stories em 2016 para ultrapassar o Snapchat, depois de não conseguir comprar a empresa. O IGTV foi pensado para derrubar o YouTube, enquanto os Reels tinham o propósito de tirar mercado do TikTok.

O mesmo modus operandi do Snapchat: a empresa se nega a vender suas ações para o grupo Facebook, então eles lançam uma ferramenta similar e a promovem intensamente nas suas plataformas.

Contudo, o TikTok cresceu de uma forma que o Instagram não conseguiu acompanhar, e com isso todo o foco da rede caiu sobre o Reels. O próprio Adam cita isso em seu vídeo:

“Nós não somos mais um aplicativo de compartilhamento de fotos, ou um aplicativo de compartilhar fotos quadradas. […] Porque sejamos honestos, há realmente uma grande competição agora. TikTok é enorme, YouTube é ainda maior, e existem muitos outros iniciantes também.”

Adam Mosseri

E com isso ele afirma que o Instagram agora estará focando nos conteúdos em vídeo. O que ele não conta é que isso significa tirar o alcance dos conteúdos estáticos para dar visibilidade aos Reels.

Tanto que mudaram a interface da página inicial do app, colocando a aba Reels no lugar do botão de Enviar Conteúdo, a região de maior destaque da tela. Isso não foi feito à toa.

Mas qual é o grande problema disso?

O TikTok nasceu e cresceu como uma plataforma de vídeos curtos, o Instagram não. Sua especialidade eram as fotos, tanto que o nome do app vem de instant telegram, uma rede de fotos instantâneas.

Por mais que o Instagram inseriu vídeos e outros recursos, ele ainda era reconhecido como uma plataforma de fotos desde 2011, e depois de criar essa reputação sólida por nove anos, a rede jogou tudo para o alto para se tornar um aplicativo de vídeos similar aos que já existem.

O Instagram era soberano entre as redes de fotografias, e agora luta para se assemelhar às redes de vídeos que já estão consolidadas. O grupo destruiu o que havia de mais poderoso no Instagram: sua identidade.

Quem usava o Instagram, usava pelas fotos. Quem se encontrou no TikTok, foi pelos vídeos.

Achar que um público de fotos vai se tornar um público de vídeo, e que um grupo que já está familiarizado por um app de vídeos vai trocá-lo por outro similar, não foi uma aposta inteligente. Simples assim.

E isso leva a outro problema.

E se eu não gostar de vídeos?

Imagina que você começou a fazer faculdade de Administração. Você viu a proposta do curso, se identificou com a grade curricular, e tomou a decisão de seguir a área.

Porém, a instituição percebe que o curso de Veterinária está em alta, e resolve transformar o curso de Administração em Veterinária para surfar essa onda. Ela pode atrair mais pessoas interessadas no segundo curso, mas e quem tinha a vontade de ser administrador?

Essas pessoas vão largar o curso e procurar outra instituição, concorda? Pois é basicamente isso que tem acontecido com o Instagram.

Quando você muda a sua identidade, formato e objetivos sem consultar o seu público, está correndo o risco de perdê-lo.

Porque quem acreditava no Instagram desde o começo, estava familiarizado com conteúdo visual. Alguns podem saber o básico ou até mesmo gostar de produção de vídeos, mas não dá para garantir que todos vão seguir o mesmo caminho.

E se a plataforma que eles acreditavam deixa claro que a prioridade é um conteúdo totalmente diferente do que o consagrou, e muito diferente do que estavam acostumados e especializados, uma possibilidade é aproveitar esse conhecimento em outro lugar ao invés de mudar a sua produção.

Afinal, é mais fácil você cursar Administração em outra faculdade do que aprender Veterinária, não acha?

Dessa forma, vale a pena pensar se você realmente quer produzir no Instagram ou buscar outra plataforma.

O algoritmo ajuda ou atrapalha?

Alguns vão rever seu formato de conteúdo para se adaptar às novas políticas do Instagram, outros vão preferir migrar para novas plataformas. Não tem como prever, apenas entender o comportamento dos criadores.

Mas existe outro porém nessa história, que já vem sendo discutido há bastante tempo: o algoritmo do Instagram.

O Adam publicou um artigo no blog oficial do Instagram em junho desse ano sobre o funcionamento do algoritmo. Ele cita que na verdade não existe um algoritmo, e sim vários, que juntos entendem o tipo de conteúdo que cada usuário prefere.

Mas como o resultado final é o mesmo, pouco importa os detalhes, então podemos chamar de Algoritmo numa boa.

O algoritmo é um conjunto de códigos e processos que detectam as preferências do usuário e entregam aquilo que se assemelha aos seus favoritos. E por ser formado por códigos, o algoritmo não é bom nem ruim, e sim eficaz ou não.

Segundo o Adam, o Instagram tem como um dos critérios a sua interação com as contas. Quanto mais você curte, comenta e compartilha as publicações de um usuário, mais chances desse conteúdo aparecer no seu feed.

Com isso já temos um problema: e se eu sou do tipo de pessoa que vê as publicações, mas não comenta nem compartilha? O Instagram vai entender que esse é o meu perfil comportamental ou vai simplesmente inferir que esse conteúdo não me agrada?

Outro ponto é a frequência de postagem. Como a plataforma abandonou o feed cronológico pelo alto volume de publicações, nem tudo vai chegar para você. O Adam cita no artigo que eles evitam “mostrar muitas publicações sucessivas da mesma pessoa”, mas qual seria o número exato para isso?

Se você posta muito — e aqui não temos ideia do que seria esse muito — o Instagram não vai entregar tudo. E se você posta pouco — mais uma vez, não sabemos o que seria esse pouco — as pessoas interagem menos, já que existe uma avalanche de postagens diariamente.

Por isso, o artigo mostra que o algoritmo não entrega o seu conteúdo para todos os seus seguidores.

Cerca de 10% dos seus seguidores verão as suas postagens no feed, os outros 90% não terão conhecimento delas. Quando você tem 100 mil seguidores, 10 mil receberão as publicações, mas para quem tem 100, apenas 10 vão saber que tem conteúdo novo.

E quantos desses 10 vão curtir, comentar e compartilhar? É difícil prever.

Para contornar esse problema, o Instagram oferece o impulsionamento de postagens, em que você promove um post para alcançar mais pessoas, inclusive pessoas que não te seguem.

Mas você percebe que, no fundo, é preciso colocar dinheiro no Instagram para que as pessoas que te seguem — por livre e espontânea vontade e interesse — possam receber o que foi postado dentro da própria rede?

É difícil afirmar que o algoritmo do Instagram é eficaz com todas essas particularidades.

O que você produz X o que o Instagram oferece

Eu disse lá atrás que agora você pode escolher entre começar a produzir vídeos ou migrar de rede, mas a verdadeira pergunta é bem mais complexa do que isso: o Instagram é de fato a melhor plataforma para você?

Falando da minha experiência como produtor de conteúdo, meu ponto forte sempre foram os textos. Eu me expresso muito melhor na escrita, consigo organizar melhor minha linha de raciocínio e ser mais didático escrevendo.

Mas o Instagram não é o melhor lugar para textos, pois temos um limite de 2.200 caracteres, e o seu foco é audiovisual. Se eu quiser escrever, preciso postar uma foto ou vídeo junto.

Se eu quiser montar um artigo completo como esse, não tenho como fazer no Instagram, será preciso achar fotos e vídeos para postar com o texto, e fragmentá-lo para caber em diversas postagens.

Eu sempre bolei meu conteúdo primeiro em texto e depois em imagens, e isso não faz sentido. Ao invés de encontrar fotos que se adequem ao texto, eu poderia postar o artigo em um lugar específico para isso, e talvez ilustrar com imagens.

Detesto fazer vídeos, já tive várias experiências como videomaker que não foram agradáveis para mim, inclusive um vlog no YouTube muitos anos atrás.

Eu me incomodo com a forma como não consigo focar na câmera, se a iluminação não estiver 100% boa, com o cenário, a produção e edição do vídeo, a minha imagem e o que eu estou usando… Se eu me forçar a produzir vídeos, não vou garantir um bom trabalho, já que odeio fazer isso.

É a mesma coisa de quem odeia academia: é melhor insistir na musculação, que você não gosta, ou buscar outro tipo de exercício que te agrada?

Foi assim que eu encontrei o podcast. Eu posso montar o texto para o blog e depois transformar em áudio, sem me preocupar com todos aqueles pontos do vídeo. Assim eu posso explorar outros formatos sem ter essa rigidez de me prender a algo que eu não gosto.

Se você não quer trabalhar com vídeos — o foco do Instagram agora — sugiro encontrar a plataforma que se adeque melhor aos seus interesses.

Para textos, Facebook, LinkedIn, Tumblr, Twitter e Medium são boas escolhas. Para vídeos, YouTube, TikTok e Kwai são alguns exemplos.

Para podcasts, o Anchor vale muito a pena para você que é produtor. É o que eu uso atualmente e te permite publicar em várias mídias, incluindo o Spotify. Mas se você só quer consumir, tente Spotify, Deezer e SoundCloud, entre outros.

E para as imagens, existe o Pinterest, Behance, Tumblr, Twitter, DeviantArt, ArtStation, Snapchat, e por aí vai. Cada rede tem sua especificidade, e você pode encontrar a que mais se adequa ao seu perfil.

Mas os meus seguidores estarão nessas plataformas?

Olha, nem sempre, mas cada rede tem o seu público definido, e pode receber novos usuários todos os dias. Você prefere ter 5.000 seguidores no Instagram que não interagem com o seu conteúdo, ou 100 em outra plataforma que estão sempre engajando com o seu trabalho?

É tudo uma questão de pontos de vista.

Então eu devo desistir do Instagram?

Seria ótimo eu responder essa pergunta com “sim” ou “não”, né? Mas não é tão simples assim, é preciso pensar em vários detalhes, e o principal é: você quer continuar no Instagram?

Eu tenho os meus motivos para me posicionar sobre o Instagram, você pode ter os seus, e os nossos contextos podem não se cruzar. Inclusive, esse é um grande problema dentro do meio de comunicação digital, é muito influencer e guru dando ordens sem conhecer a sua trajetória.

Eu posso sair do Instagram, encontrar outra plataforma e fazer muito sucesso, mas isso não garante que você vai ter o mesmo resultado. Ou então você decide continuar no Instagram, e dá muito mais certo do que eu já consegui.

Você precisa refletir sobre tudo isso que eu apresentei aqui e tirar as suas próprias conclusões, pois somente você poderá definir o que é melhor para você. 

Eu, Gabriel Bellia, decidi não mais ser um produtor de conteúdo no Instagram, vou apenas movimentar as minhas redes esporadicamente, porque eu prefiro investir meu tempo e energia nas redes em que eu possa explorar o que eu faço de melhor: áudios e textos.

Ainda existe vida no Instagram, não podemos negar, e a forma como você se dedica ao seu projeto é um grande indicador de como você vai crescer, independente da plataforma escolhida.

O que eu quero te fazer pensar é: o Instagram não é a única escolha, fazer diversos Stories todos os dias não é regra, e gravar dancinhas para o Reels não é necessário, se você não quiser.

E se me permite um conselho, assista esse vídeo da Nátaly Neri, falando sobre algoritmo das redes, fluxo de conteúdo e saúde mental. Vale MUITO a pena.

Fonte: Nátaly Neri (YouTube)

E é isso. Um abraço, e até mais!

Referências:

Como o suposto inventor do telefone inspirou a minha empresa

Pensa rápido: Graham Bell é famoso por inventar o que?

Não foi a lâmpada, essa é de Thomas Edison. Também não foi o avião, apesar dessa ser óbvia, né?

Nosso amigo é creditado como o inventor do telefone, sua obra inspirou a área da Comunicação muito mais do que você imagina, mas ele não foi o primeiro a inventar o telefone. E ainda de quebra inspirou a Grambélia.

Você quer ser edificado por essa fofoca histórica? Então chega mais.

Inventor do telefone?

Alexander Graham Bell é um inventor escocês e o responsável pela invenção do telefone. Nascido em 3 de março de 1847 em Edimburgo, ele é associado ao avanço do setor de comunicações, já que o maluco criou o aparelho que permitiu ao ser humano falar com as pessoas mais distantes em tempo real.

O impacto da invenção de Bell foi tão grande que hoje não vivemos sem um telefone celular na mão. E por incrível que pareça, o que menos fazemos com os telefones é falar por voz, mas ainda sim estamos nos falando cada vez mais.

Mas se eu te disser que Graham Bell não foi o inventor real do telefone, e que sua vida foi uma mentira, você acredita? Ok, a sua vida provavelmente não foi uma mentira, mas dizer que Graham Bell foi o primeiro a inventar o telefone sim.

Bem, para entender melhor essa treta, é importante falar sobre o contexto histórico.

Tudo começa pelo começo

Bom, tudo começa em 1830, quando Samuel Morse inventa o telégrafo elétrico. Essa engenhoca transmitia sinais por meio de uma corrente elétrica, de forma a conectar EUA e Europa.

E sim, ele também desenvolveu o Código Morse.

O problema do telégrafo era estar restrito às cabines de transmissão, não era algo que qualquer um poderia ter em casa, e também não transmitia sons. Thomas Edison fez umas melhorias, mas ainda queriam uma versão que pudesse ser falada, até porque a Western Union tinha o monopólio dos telégrafos.

Guarde essa informação.

O primeiro cientista a desenvolver um protótipo nessas condições foi o alemão Johann-Philipp Reis, que apresentou em 1861 um aparelho que, segundo ele, representava como o ouvido humano funcionava.

Sem querer ele inventou o telefone, mas como só estava interessado em seus estudos em Anatomia, não achou grande coisa.

A disputa de Bell e Gray

Graham Bell trabalhou por anos nesse projeto, até apresentá-lo em 1876 e patentear o invento. Daí pra frente foram apenas glórias e muitos dinheiros na conta do escocês, afinal, ele inventou o telefone, certo?

Bem, digamos que no mesmo dia em que Bell registrou a patente, aproximadamente duas horas depois, o estadunidense Elisha Gray também registrou a patente do mesmo aparelho.

Parece uma incrível coincidência o escocês ter registrado a invenção às pressas, muito pouco tempo antes de Gray, quase como se alguém tivesse sussurrado ao nosso colega que outro inventor estava para vencer a corrida. Suspeito.

Até porque Bell e Gray eram rivais, ambos estavam trabalhando no protótipo do telefone, mas até aí você ainda pode considerar que foi apenas uma questão de velocidade no registro. E é aí que entra nosso querido Antonio Meucci.

Bell roubou pão na casa de Meucci

O italiano se mudou para Cuba em 1835 para fugir das questões políticas na Itália, e em 1856 concluiu os seus estudos no aparelho que transmitia sons à distância por cabos. Ele o batizou de teletrofono, e em 1871 solicitou o registro provisório de patente.

Infelizmente, quando o registro venceu em 1874, Meucci não tinha dinheiro para pagar a renovação, que seriam 10 dólares, e passou a buscar investidores para o seu invento.

E quem supostamente foi um dos ouvintes do projeto? Ela mesma, a Western Union, que não se interessou. Mas a empresa não retornou os registros do invento ao italiano, dizendo que havia sido perdido. E em 1876, o não tão amado escocês registra o invento, incrivelmente similar ao de Meucci.

A história diverge um pouco nesse ponto: alguns creditam à Western Union o furto do projeto para fazer um acordo com Bell, enquanto outros dizem que o escocês enviou o seu próprio projeto para a empresa, e ela não se interessou.

Porém, outra informação interessante é que Graham Bell tinha o apoio de Gardiner Greene Hubbard, um advogado e empresário estadunidense, e ele teria relações com o Escritório de Patentes.

Isso explicaria como Graham Bell teve acesso aos arquivos de Meucci e de quebra saberia sobre Elisha Gray.

Uma batalha judicial com um desfecho pouco justo

Meucci processou Bell por fraude, mas morreu durante o processo e assim Graham Bell foi declarado o inventor do telefone. A justiça estadunidense reconheceu o trabalho de Meucci na Resolução 269 de 2002, apesar do Canadá ter feito uma moção contra essa decisão dez dias depois.

Os registros não são muito claros com relação a todo esse processo envolvendo os inventores: uns dizem que a justiça estava pendendo para Meucci, outros que o processo demorou por influência da Western Union.

Mas não há como negar que Graham Bell teve várias condições inexplicáveis que o colocaram na frente da corrida, portanto, não é realmente justo dar a ele o título de “o inventor do telefone”.

Entretanto, o trabalho de Bell para a área de comunicação foi muito rico, e é sobre isso que devemos falar.

O lado pouco conhecido sobre a obra de Graham Bell

Já sabemos que Bell era cientista e inventor, mas poucos sabem que ele era fonoaudiólogo, e que sua família tem um grande histórico na área.

Sua mãe, Eliza Bell, era surda. O pai, Alexander Melville Bell, professor de fonética e instrutor de surdos. O avô, Alexander Bell, também era da área: começou como sapateiro e se tornou professor de elocução.

Melville Bell foi um dos precursores da leitura labial, por meio dos seus treinamentos, e a condição de Eliza motivou Graham Bell a cursar Medicina para descobrir formas de ajudá-la.

A família se mudou para o Canadá em 1870, e em 1871 Bell foi convidado no lugar do pai a ministrar treinamentos para surdos em Boston. Isso o fez conhecer Gardiner Greene Hubbard, pois sua filha era surda, e então Graham Bell se casou com Mabel Hubbard. Esse conjunto de fatores o levaram a desenvolver o telefone, e o resto da história você já sabe.

Podemos ter um Complexo de Édipo nessa questão entre Bell e Mabel? Possivelmente, junto com a ideia de se unir a um homem bem sucedido para financiar suas pesquisas.

Graham Bell influenciou muito mais do que imaginamos

O trabalho do escocês para a comunidade surda nos EUA foi muito importante. Ministrou aulas de Fisiologia Vocal e Elocução na Universidade de Boston, abriu sua escola de instrução para surdos e fundou a Associação Americana de Ensino de Surdos e Mudos.

Também é cofundador da Sociedade Geográfica Nacional, responsável pelo National Geographic Channel, e também da Science, a revista científica de maior renome mundial. Teve sua própria empresa de telefonia, a Bell Telephone Company.

Porém, Graham Bell também possui um lado negro que precisa ser dito: ele foi favorável à eugenia da população com deficiência, inclusive a comunidade surda, e suas ideias inspiraram alguns dos experimentos nazistas.

Ele chegou até mesmo a defender a esterilização de surdos para impedir que eles disseminassem sua “falha genética”, fazendo com que a comunidade surda hoje não considere o legado de Graham Bell como algo positivo para a história.

E como a Grambélia entra nesse meio?

Você está vendo o nome Graham Bell tantas vezes que já deve ter se tocado, mas caso ainda não teve o lampejo de inspiração do seu neurônio solitário, presta atenção aqui:

Graham Bell se pronuncia “Gram Bél”. O meu sobrenome é Bellia, apesar de frequentemente as pessoas pronunciarem como “Bélia”, algo que eu jamais entenderei.

Juntou as peças agora?

Pois é, quando estava fazendo um processo de ideação para definir o nome da minha empresa, Grambélia surgiu ao me lembrar de Graham Bell e seu legado na criação do telefone.

Porém, depois de fazer isso, fui pesquisar sobre a história dele, para saber com o que de fato ele contribuiu ao longo da história, e meu primeiro choque foi descobrir essa treta toda.

Graham Bell não foi o real inventor do telefone, apesar de sempre termos aprendido isso. Isso me faz pensar que a Comunicação muitas vezes é muito diferente do que pensa o senso comum, e se você não estudar e pesquisar muito, corre o risco de estar sempre errado em sua abordagem.

Mas Bell teve uma carreira muito maior que ninguém sabia, como fonoaudiólogo. Ele aplicou os conceitos de saúde em suas estratégias de comunicação e revolucionou a história da educação de surdos. E eu, enquanto fisioterapeuta e assessor de comunicação, penso o mesmo.

Não é à toa que muitos profissionais da saúde não crescem, porque nós não aprendemos o básico sobre comunicação com os pacientes e familiares, quem dirá sobre comunicação digital.

E como eu quero me especializar na área de Comunicação em Saúde, essa trajetória de Graham Bell me fez pensar que é o caminho certo.

Resumindo a obra: Graham Bell era um safado

Você deve ter pego antipatia dele pelo furto de ideias, depois simpatia pela sua dedicação à comunidade surda dos EUA, e no fim voltou a sentir desprezo pelo seu pensamento eugenista.

Como um cientista e professor de eloquência para surdos defendia que eles eram falhas genéticas e não deveriam se reproduzir?

Este é o grande X da questão: sem consciência social, qualquer pauta e trabalho corre o risco de cair no obscurantismo.

É por isso que muitos surdos não o consideram como um legado positivo, já que no fim ele defendia a esterilização dos surdos e embasou em boa parte a política nazista.

A comunicação digital precisa ser tão real quanto virtual

Honestamente, eu tô de saco cheio de ver esse tanto de guru do marketing sem um pingo de noção de realidade. Não adianta convencer as pessoas que o Instagram é a resposta para tudo, enquanto 25% da população brasileira não tem acesso à internet, segundo a PNAD 2020.

O que eu mais vejo pelas redes são os tais gurus vendendo cursos que garantem que a pessoa será bem sucedida nas redes, mas ao analisar o conteúdo, você percebe que é vazio.

Vendem fórmulas mágicas e se sustentam disso, porque todo mundo está tão desesperado por ganhar dinheiro com a internet que só percebem a cilada depois de pagar “apenas” 12 parcelas de R$ 300,00.

Portanto, esses valores me guiam enquanto profissional de comunicação, e meu objetivo com a Grambélia é ajudar os profissionais autônomos, da saúde e produtores de conteúdo a entender melhor os aspectos da comunicação digital e como aplicá-los em seus negócios.

Prometo a você enriquecimento em menos de seis meses? Obviamente não, porque isso não existe. Para você lucrar tanto em tão pouco tempo, várias pessoas precisam perder dinheiro, o capitalismo funciona assim.

Mas ao entender a comunicação digital e como ela pode te ajudar a construir sua imagem pública, assim como conhecer as ferramentas que a internet te oferece, eu posso te mostrar por onde começar e como chegar lá.

Sendo assim, bem vindo à Grambélia! E se precisar de ajuda profissional, me mande um e-mail e vamos conversar.

Referências:

As protagonistas de Coisa Mais Linda e o perfil empreendedor dos quatro temperamentos

Quando eu vi o trailer da série Coisa Mais Linda, da Netflix, eu me encantei logo de cara. E ao ver que eram apenas duas temporadas com sete e seis episódios mais ainda, já que eu detesto séries muito longas.

Coisa Mais Linda fala sobre a jornada de quatro mulheres no Rio de Janeiro nos anos 50, uma época marcada pelo surgimento da Bossa Nova, e também pelo modelo patriarcal da sociedade. 

Coisa Mais Linda: série brasileira da Netflix sobre empreendedorismo, feminismo e bossa nova no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.
Arte oficial da série com as quatro protagonistas. Da esquerda para a direita: Lígia, Thereza, Malu e Adélia.

Na série, Malu se muda para o Rio com a ideia de abrir um restaurante com seu marido, e ao chegar na capital descobre que ele fugiu com seu dinheiro, deixando-a com absolutamente nada.

A história mostra o renascimento de Malu ao decidir inaugurar um clube de bossa nova no prédio onde seria o restaurante, e a luta para se firmar em uma sociedade onde as mulheres não tinham voz nem direitos

Quando você assiste a série, percebe que são quatro mulheres totalmente diferentes que decidem crescer profissionalmente na década de 50. E ao ver a trajetória de cada uma, não consegui deixar de enxergar na história um conceito importante na Psicologia: os Temperamentos.

Talvez você já deve ter ouvido falar desse termo, mas caso não conheça o assunto, os temperamentos são traços de personalidade que determinam tendências de comportamento. Uma pessoa de determinado temperamento tende a agir de uma forma específica em cada situação.

Meu objetivo neste artigo não é te transformar em um especialista no assunto, mas te mostrar algumas características que discutimos nesse meio e sua relação com a série

A história de Coisa Mais Linda foca muito no empreendedorismo e empoderamento feminino, dois assuntos que eu também gosto muito. Por isso eu quero te mostrar como os temperamentos podem indicar o perfil empreendedor de cada pessoa, baseado nas quatro protagonistas da série.

Curioso, não acha? Fica comigo que eu te explico essa mistura!

O que são os temperamentos humanos?

Apesar de parecer recente, esse conceito é muito antigo, vindo da Grécia Antiga. Hipócrates foi o primeiro a falar sobre o assunto, em 400 a.C, entendendo que o ser humano pode ser definido por quatro tipos de temperamentos.

A Filosofia, a Psicologia e a Neurociência se apropriaram do estudo sobre os temperamentos e o desenvolveram ao longo do tempo. Hoje se entende que os temperamentos são itens da inteligência emocional, definida por Daniel Goleman, pois indica como as pessoas tendem a reagir através do seu perfil temperamental.

Contudo, os temperamentos não são fixos, cada pessoa possui traços de um ou mais deles, e também é importante frisar que eles não definem o indivíduo. Goleman defende que a inteligência emocional depende de vários fatores e pode ser desenvolvida.

E quais são os temperamentos e como se conectam com as protagonistas de Coisa Mais Linda? Eu te explico:

Malu é colérica

Malu, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Maria Casadevall.
Malu, personagem de Maria Casadevall.

O temperamento colérico torna as pessoas naturalmente confiantes e determinadas. Pessoas coléricas tendem a ser muito criativas, impulsivas, naturalmente empolgadas e com aptidão para liderança. Gostam de tomar a frente e fazer as coisas acontecer, sem pensar muito nas consequências.

Assim é a Malu, a paulistana que largou tudo para construir um restaurante com o marido no Rio de Janeiro. Medo de dar errado ou de não ser o que ela pensava? Muito pelo contrário, a Malu mergulhou de cabeça nessa ideia. 

E ao se dar conta de que não tinha mais nada, decidiu fazer algo que ninguém jamais tinha feito naquela cidade.

Ela é uma mulher bastante corajosa e expansiva, tem ótimas ideias e não pensa muito antes de agir, prefere abrir caminho e ver o que acontece. Acaba atropelando os outros no caminho, age com exageros e acredita que tudo gira a seu redor.

Do ponto positivo, o temperamento colérico traz muita iniciativa, o que é fundamental para o empreendedor. É preciso coragem para tirar as ideias do papel, e mais ainda para seguir em frente mesmo sem saber exatamente por onde anda

Muitas vezes o empreendedor precisa aprender fazendo e fazer aprendendo, pois se esperar até o momento ideal, ele pode nunca acontecer. É uma característica muito forte da Malu, ao longo da série ela vai testando e aprendendo, todos os dias.

Do ponto negativo, a pessoa colérica pode meter os pés pelas mãos pela falta de planejamento. Apesar de ser tentativa e erro, você precisa ter um estudo prévio para entender o que precisa saber antes de sair desbravando, para que o seu negócio seja sustentável, e não uma série de faíscas desordenadas.

Além disso, empreendedores coléricos possuem uma dificuldade em separar o profissional do pessoal, a tão necessária inteligência emocional. Quando as coisas dão errado a Malu se desespera e acaba incendiando tudo e todos ao seu redor. 

E por ser altamente focada em si mesma, age como se fosse o centro do mundo, o que dificulta as relações interpessoais. Sente como se nada mais importasse além do que as suas vontades, pisando em todos para se encontrar no mundo.

Se você que é colérico quer empreender, seja assertivo e proativo, não tenha medo de errar ou não saber o que fazer, mas trace um plano bem definido antes de começar, e não leve as adversidades para o lado pessoal

Saiba ouvir e enxergar o outro, e entender que nem sempre as coisas serão da forma como você quer, e sim como precisam ser. Colaborar é melhor do que competir.

Adélia é fleumática

Adélia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Pathy Dejesus.
Adélia, personagem de Pathy Dejesus.

O temperamento fleumático representa os indivíduos realizadores e pacíficos. Pessoas fleumáticas são pragmáticas, analíticas e resilientes, sabem observar o que acontece ao seu redor e possuem uma paciência inerente.

Da mesma forma, Adélia é a personagem mais pé-no-chão da série. Sócia de Malu no clube, foi a primeira a dar ouvidos à paulistana e ajudá-la a construir o Coisa Mais Linda. 

Mesmo sendo empregada doméstica, mãe solteira, analfabeta e moradora da favela, Adélia acreditou na proposta, se permitiu sonhar e deu todo o suporte que precisavam para tirar os planos do papel. 

Quando era preciso botar a mão na massa, era a negra quem fazia o que precisava ser feito. Sempre paciente e persistente, tem seu ritmo próprio e mostra que devagar se chega longe. Principalmente com trabalho duro.

Para conquistar um empreendedor fleumático é preciso tempo, fatos concretos e números. Eles são racionais e disciplinados, agem com a lógica e valorizam mais o planejamento e diplomacia

São gentis e sonhadores, apesar de preferirem focar no agora e no que é concreto, e altamente confiáveis. Gostam de tratar bem o próximo e são sempre muito solícitos.

Um ponto negativo importante é a sua lentidão para tomar decisões, assim como sua tendência à inércia. São pessoas que pensam tanto que acabam deixando oportunidades passar por insegurança, e se arrependem depois por falta de proatividade. 

Podem ter dificuldade em receber críticas e expôr suas ideias, optando pelo silêncio para não precisar se posicionar diante do outro.

Por outro lado, fleumáticos lidam muito bem com as adversidades, são ótimos planejadores e costumam ser vistos como o pilar que sustenta os demais em suas empreitadas.

Se você é uma pessoa fleumática e quer empreender, meu primeiro conselho é: arrisque, você vai ter que aprender no caminho. Mas a sua capacidade analítica é sua maior aliada, então esteja sempre traçando metas e criando objetivos para se guiar

Não tenha medo de se expor nem de tomar iniciativas, você não precisa abaixar a cabeça a todo momento nem se colocar um degrau abaixo. Sua voz tem muito poder, não tenha medo de usá-la.

Theresa é sanguínea

Thereza, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Mel Lisboa.
Thereza, personagem de Mel Lisboa.

O temperamento sanguíneo traz leveza e dinamismo nas relações humanas. Pessoas sanguíneas são mais comunicativas e curiosas, gostam de lidar com pessoas e expressar suas ideias. São inquietas e gostam de chamar a atenção por onde passam.

Quando você vê a Theresa pela primeira vez, isso fica nítido. É a mais libertária do grupo, sempre se considerou feminista, e a única que trabalha em um posto de destaque. 

Ao contrário da Adélia, que era doméstica, Theresa é colunista em uma revista, e a única mulher na redação. Começa a história como colunista, resolve escrever um livro e depois se torna radialista, sem deixar de lado a vida social. 

É naturalmente expansiva e eclética, sempre está disposta a fazer amizades e fala muito bem em público, costuma ser vista como anfitriã mesmo sendo apenas uma convidada.

Como podemos ver, os empreendedores sanguíneos possuem múltiplas habilidades e adoram explorar as diversas possibilidades. Eles podem ter uma empresa de tecnologias, dar aulas de violão, fazer uma faculdade de saúde e escrever artigos no tempo livre, tudo ao mesmo tempo. 

Adaptáveis, tendem a trabalhar com comunicação ou áreas que permitem lidar com pessoas, como o comércio. Eles sabem dialogar com vários públicos e trabalhar com vários formatos e canais.

Porém, sua natureza multipotencial também revela uma dificuldade em focar no que é importante. Fazem tantas coisas ao mesmo tempo que largam muitos projetos no caminho. 

Impulsivos, podem simplesmente enjoar do que fazem e pular para outra ideia sem pensar com clareza, é um grande risco no empreendedorismo. 

Além disso, passam a ideia de superficialidade e exagero, pois sabem muito sobre diversos assuntos ao invés de se aprofundar em poucos e essenciais. O empreendedor precisa sim saber um pouco de tudo, mas é fundamental construir uma base em alguns pontos estratégicos.

Para os empreendedores sanguíneos, busque trabalhar perto de pessoas e para pessoas, já que sua personalidade magnética é sua arma mais poderosa. Mas é preciso sair da bolha e se aprofundar no que é mais importante para o seu negócio, para que ele possa se sustentar com as adversidades. 

Vale a pena frear os impulsos e cultivar o foco para não se perder no processo, entendo onde você está e onde quer chegar. O lenhador que gasta mais tempo amolando o machado corta mais árvores com menos esforço.

Lígia é melancólica

Lígia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Fernanda Vasconcellos.
Lígia, personagem de Fernanda Vasconcellos.

O temperamento melancólico representa as pessoas sensíveis e introspectivas. Os melancólicos são complexos, intuitivos, sensíveis e desconfiados, pessimistas convictos, mas podem se tornar incrivelmente leais ao conquistar sua confiança.

E dentro do quarteto, Lígia é a mais melancólica. Valoriza as amigas e a família acima de tudo, é doce, sensível, carinhosa e amável. Tem paixão pela música, apesar de sentir medo de se arriscar nesse meio, por isso vive no conflito de  seguir seus sonhos ou manter sua vida “perfeita”.

Com a ajuda das amigas, Lígia se permite expressar sua paixão pela voz, e conforme ganha destaque nos palcos, se sente mais viva. Vive reprimindo suas paixões, além de sofrer repressões em seu casamento, o principal motivo pelo qual passou tantos anos ignorando seu sonho de ser cantora.

O maior perigo para os empreendedores melancólicos é a insegurança, por serem pessoas sensíveis tendem a se fechar em seus próprios sentimentos para não se magoar. É difícil lidar com a rejeição, então ao invés de abrir um negócio e se colocar em posição de vulnerabilidade, podem optar por uma vida pacata.

Além disso, são pessoas altamente desconfiadas que não gostam de depender do outro, tendem a buscar carreiras onde possam lidar sozinhos. Trabalhar em equipe não é o ponto forte desse temperamento, agindo de forma rígida com as pessoas para não transmitir fraqueza 

São muito críticas e duras consigo mesmas, acabam se cobrando tanto a ponto de ser um grande obstáculo a superar. Em contrapartida, esse tipo de pessoa é altamente dedicada e detalhista, buscam a perfeição em tudo o que fazem, por isso sempre entregam um excelente trabalho. 

E sua veia artística não deve ser menosprezada. Muitos podem buscar empreender na arte, seja na pintura, música, design, arquitetura, dança, teatro, redação. Ou então procuraram despertar beleza com seu negócio.

Para o empreendedor melancólico, valorize o seu potencial e não se diminua, acredite no seu potencial e não tenha medo de se expor. Use a sua sensibilidade para dar voz aos seus clientes e trazer para a sociedade o que você faz de melhor. 

E saiba que confiar no outro não é uma fraqueza, aprenda a trabalhar junto para somar as diferentes expertises e assim contribuir para que seu negócio seja mais completo. Quem vai acompanhado chega mais longe.


E você, conseguiu se identificar com uma das protagonistas e seus temperamentos? Conta pra mim nos comentários. E mais uma vez recomendo essa série incrível da Netflix.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências

O que você precisa saber sobre Gabriel Bellia e a GB em um (não tão) breve relato

Seja bem vindo, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, quero deixar bem claro que introduções não são, nem de longe, meu ponto forte. Então vou fingir que esse parágrafo foi uma excelente introdução e seguir como se nada tivesse acontecido.

Eu sempre fui um cara muito mais virtual do que real. Talvez por ser um millennial, talvez por não ter muitas habilidades sociais, já que eu sou meio tímido.

(risos)

Mas enfim, eu vivo em redes sociais desde que me entendo por gente. Comecei pelo Orkut (descanse em paz), tive Fotolog e Myspace, migrei para o Facebook e Twitter, fiz conta no LinkedIn para um dia ser um empresário bem sucedido, tive Google+, Ask.Fm, Tumblr, Vine, Snapchat, weheartit, até conhecer o Instagram e me apaixonar. Fui para o Pinterest e o DeviantArt (uso até hoje), Youtube, Curious Cat, Spotify, e mais recentemente o Tik Tok.

E ainda deve ter vários outras redes sociais perdidas no tempo.

Porém, no começo da década de 2010 a gente não falava tanto sobre trabalhar com isso, porque era “coisa de adolescente”. E por isso decidi fazer um “curso de adulto”, e comecei Fisioterapia.

Aqui poderia começar um relato sobre uma pessoa que fez faculdade, detestou o curso ou nunca conseguiu trabalho e fez outra coisa totalmente diferente. Mas não é 100% verdade. Eu amo a Fisioterapia e tudo que vivi através dela, contudo, quanto mais eu via a prática clínica, mais eu entendia que eu não era esse tipo de profissional.

Cheguei até a começar um mestrado em Fisioterapia, meu sonho desde o primeiro ano de graduação. Adoro a sensação de transmitir o que sei e ajudar outras pessoas a enxergar o que eu enxergo, sempre tive alma de professor. E, de fato, a matéria de Didática de Ensino não foi apenas minha preferida no mestrado.

Foi a única.

Temos então um fisioterapeuta extremamente frustrado porque achou que iria encontrar o seu lugar no mestrado, mas percebeu na prática que a área acadêmica não tinha nada a ver com ele. Entretanto, eu sempre fui uma pessoa muito curiosa, e acabei fazendo tanta coisa nada a ver com nada, que no final me deu toda a base para eu saber o que queria da vida e onde queria chegar.

Minha experiência mais importante foi escrever fanfics. Juro por Deus. Foi escrevendo fanfics que eu conheci o Animespirit, que depois se tornou Spirit, um site para escritores amadores.

Comecei escrevendo e lendo fanfics para passar o tempo, e então comecei a me aventurar no Photoshop porque queria fazer capas legais para as minhas fanfics e não queria depender de capistas. Logo em seguida eu fui trazido ao Personalizar, a seção de web design do Spirit, e além de capas eu comecei a montar layouts e editar o CSS do meu perfil.

Eu passei num concurso para me tornar Beta Reader (revisor de textos), um ano depois me tornei Administrador de Histórias, e no ano seguinte me tornei Administrador Geral do Spirit. Responsa, né? Quarto ano de faculdade, estágio estralando o chicote e eu lá ajudando a gerenciar o site e suas equipes.

Tudo ao mesmo tempo.

Esse trabalho foi minha a porta para o Marketing Digital, pois eu trabalhava diretamente com usuários através do Fórum de dúvidas e Suporte ao usuário, gerenciava todas as equipes do site, e ainda por cima fui colocado para administrar o Twitter do Spirit.

E eu adorava o Twitter, então resolvi usar o que eu sabia sobre a rede para aumentar o engajamento no perfil, que era muito baixo. Deu tão certo que eu vou mostrar para vocês o meu primeiro post no twitter do Spirit, e a repercussão dele:

O mais importante desse post não é o número alto de curtidas, e sim o engajamento positivo gerado com essa simples mensagem. De uma mídia com poucas interações, onde a maioria dos usuários estava para fazer uma reclamação, foi bom conseguir gerar movimento e fazer com que os usuários se sentissem mais próximos da plataforma.

Esse é o verdadeiro objetivo que eu passei a buscar como moderador da conta: o sentimento de pertencimento e autenticidade. Que as pessoas se conectassem de forma espontânea e se sentissem bem com isso.

Foi assim que eu decidi fazer um curso para entender melhor como gerenciar redes sociais, e foi nesse momento que eu conheci a área de Marketing Digital.

Eu já tinha saído da administração e estava no mestrado, mas essa paixão pelo marketing só crescia. Lia blog posts de marketing ao invés de artigos científicos, quanto mais eu me desencantava pelo mestrado, mais eu me fascinava pelo universo social media.

E então eu decidi largar o mestrado para estudar Marketing Digital!

(aplausos)

Fui baixando tudo quanto é ebook que eu achava, me inscrevi em várias lives e webinários, fiz cursos gratuitos e alguns pagos (porém baratinhos), até entender que era isso que eu queria fazer. Eu vivi através de redes sociais a minha vida inteira, conhecia a fundo várias mídias digitais, então porque não trabalhar por elas e para elas?

Porque a verdade é que as redes sociais foram vitais no meu desenvolvimento pessoal. Minha maior dificuldade desde sempre foi lidar com pessoas, estar frente a frente com alguém é meu maior desafio. E como eu não conseguia me sentir a vontade no mundo real, o mundo virtual resolvia esse problema.

Muitas vezes era difícil interagir lá fora, mas surpreendentemente fácil mandar uma mensagem. Eu só conseguia me conectar com as pessoas através de uma tela, só conseguia manter contato respondendo status e stories. Não era algo que eu gostava, mas já que minha zona de conforto eram as redes sociais, eu poderia usar isso a meu favor.

Talvez para você uma rede social é só um espaço para postar algumas fotos da sua vida. Para mim era uma das únicas oportunidades de fazer parte de algo e me conectar com as pessoas que eram importantes para mim.

É isso que as redes sociais representam: conexão verdadeira com as pessoas.

Lembra quando eu disse que adorava a sensação de transmitir conhecimento? Quando eu fiz um curso de Marketing de Conteúdo eu entendi: quando você compartilha o que você sabe nas suas redes sociais, está dando a oportunidade de alguém ter acesso a uma informação que, para ela, vai fazer toda a diferença!

O conhecimento empodera. Ensinar o que você sabe é dar poder nas mãos das pessoas ao seu redor, e se fortalecer com isso.

Você pode usar suas redes sociais só para postar suas fotos, ou você pode usar as suas redes para se conectar verdadeiramente com as pessoas. Nós descobrimos durante a quarentena que é possível viver através do virtual, e que uma rede social pensada de forma estratégica pode mudar um negócio. Até mesmo alguém.

Eu trabalho com redes sociais não por ser a moda da vez, mas por acreditar que o contato humano é essencial, e que por mais que esteja por trás de uma tela, existe uma pessoa do outro lado.

Seja qual for o seu trabalho, alguém precisa dele! O que você sabe e o que você faz é essencial para alguém, que talvez você nem conheça. E se alguém precisa do que você sabe e do que você faz, porque não compartilhar isso com o mundo?

Por muito tempo eu acreditei que não seria um bom fisioterapeuta, até entender que, na verdade, eu só não sou um fisioterapeuta convencional. E aqui na GB, meu objetivo é te ensinar tudo o que eu sei, do que estudei sobre Marketing, Branding e Social Media, e também o que eu vivi nesse meio onde eu me sentia verdadeiramente conectado com as pessoas.

Gerenciar bem suas redes sociais, e ter presença digital através delas, é dar a oportunidade dos seus clientes se conectarem com você e terem acesso ao seu trabalho, que é muito importante para eles.

Eu só faço a ponte entre vocês, e te ajudo a dar ao mundo a oportunidade de conhecer o trabalho incrível que você faz.

E se você for um profissional da saúde, tem um espacinho especial na GB para você. Porque a gente não aprende na faculdade a vender nosso trabalho e a gerenciar a nossa marca pessoal. Sim, você vende a sua terapia, e você é uma marca, como as meninas do Efeito Orna sempre falam.

Talvez eu não seja um bom fisioterapeuta, mas eu sou um excelente profissional de marketing digital, branding e social media. Eu quero te ensinar tudo o que sei, e o que ainda vou aprender, para que você saiba usar as redes sociais a seu favor.

Lembre-se: o conhecimento empodera, e as redes sociais representam conexão verdadeira entre as pessoas. É nisso que eu acredito, é isso que eu busco.

Bem vindo à GB.