Elon Musk comprou o Twitter, e agora?

O mês de abril foi agitado para os acionistas do Twitter. No dia 04, descobrimos que Elon Musk comprou 9,2% das ações do site e se tornou o maior sócio da rede. No dia 14, ele fez uma proposta de comprar toda a empresa, e nesta segunda, dia 25, ele comprou.

A princípio, isso pode parecer uma notícia banal, já que grandes empresários compram empresas todos os dias, mas esta não é uma situação comum, pois estamos falando do homem mais rico do mundo e de uma das maiores redes sociais da atualidade.

Quais foram os motivos que levaram a essa decisão, como os acionistas reagiram e o que podemos esperar da aquisição? Vem comigo que eu te conto!

Quem é Elon Musk?

Para começar essa história, é preciso entender o nosso protagonista, um grande empresário ligado ao setor tecnológico, dono das empresas Tesla, de carros elétricos, e SpaceX, de exploração espacial.

De acordo com a revista Forbes deste mês, Musk foi consagrado como o homem mais rico do mundo, tendo sua fortuna avaliada em 219 bilhões de dólares. Ele passou oficialmente Jeff Bezos, dono da Amazon, que liderava a lista há quatro anos.

Além disso, há um fato importante sobre o nosso empresário: ele é um twitteiro raiz. Possui conta no site desde 2009, e nos últimos anos se tornou bastante ativo na rede, até mesmo polêmico.

Desde chamar Vladimir Putin para um duelo até ser processado por difamação, a passagem do magnata na rede social não foi nada anônima, tendo em vista que ele não se importa em falar o que pensa no seu perfil.

E esse comportamento se tornou uma enquete no próprio Twitter, em que ele pergunta aos seus seguidores: “A liberdade de expressão é essencial para uma democracia em funcionamento. Você acredita que o Twitter adere rigorosamente a esse princípio?”.

Dos 2.035.924 votos, 70,4% responderam que não. Isso leva a um dos grandes questionamentos de Musk sobre o aplicativo.

Twitter e a liberdade de expressão

A principal crítica do empresário é que o Twitter não respeita a liberdade de expressão dos seus usuários, e portanto, atenta contra a democracia. O banimento do ex-presidente Donald Trump no ano passado, por exemplo, foi criticado por Musk na época.

Ele afirma que a rede monetizar anúncios é uma forma de se manter preso ao que as grandes corporações querem que a rede divulgue, e por isso propôs o fim dos anúncios, tal qual o fim do algoritmo e abrir o código-fonte do site.

Não é a primeira vez que usuários criticam a atuação do Twitter sobre a legalidade das informações. Em janeiro deste ano, a hashtag #TwitterApoiaFakeNews entrou nos tópicos mais comentados devido à falta de um sistema para denunciar notícias falsas no Brasil, que já existia em outros países.

Além disso, a plataforma já foi acusada de verificar perfis que propagam desinformação e proteger estes usuários de ações regulatórias. Vale lembrar que o Twitter anunciou uma série de medidas para combater fake news durante as eleições gerais deste ano.

O preço e as consequências da suposta liberdade

O empresário tem sido um defensor fervoroso da liberdade de expressão, o que foi apontado como a sua grande motivação para adquirir o controle do Twitter. Por outro lado, o magnata foi convidado a fazer parte do conselho administrativo da empresa, e ter poder de decisão, mas recusou.

Em resposta, o Twitter adotou uma estratégia chamada “poison pill”, a pílula venenosa, para impedir os planos de Musk. Essa jogada oferece descontos nas ações aos demais acionistas para incentivá-los a defender sua posição no quadro corporativo, tendo em vista que consideram a investida de Musk hostil.

Como não foi efetivo frente ao impulso do magnata, o Twitter foi vendido por 44 bilhões de dólares e se tornou uma empresa de capital fechado, controlada apenas por Elon Musk.

Dentre as suas propostas, ele defende alguns pontos solicitados há anos por usuários, como a opção de editar tweets, mostrando que ele realmente ouve as demandas internas. Sugeriu também a autenticação de humanos, o que pode diminuir a procedência de bots na plataforma.

Bots são robôs ou contas falsas, usadas para objetivos específicos de apoio ou desmobilização, um problema sério das redes sociais. Caso a proposta entre em vigor, pode ser muito positiva ao Twitter.

Aliado ao fato de abrir o algoritmo para os internautas, mostrando como a rede seleciona e entrega o conteúdo, tem grandes chances de revolucionar as mídias sociais. Assim teremos plena consciência de como o conteúdo chega às nossas redes e de outras pessoas, suprimindo a dependência dos algoritmos.

Contudo, sua proposta de reduzir a moderação de conteúdo é um tanto nebulosa. Em tese, todo usuário terá o poder de controlar o que chega até o seu perfil, mas também o de criar as suas próprias redes de distribuição de conteúdo.

Isso significa que cada pessoa pode transformar seu perfil em um veículo de comunicação, em que o único filtro para averiguar a veracidade das informações é a sua vontade pessoal. A moderação de conteúdo é feita por pessoas, e portanto, está sujeita às ideologias dominantes do grupo.

Isso acontece no Mastodon e Telegram, redes sociais conhecidas pela permissividade ao neonazismo, intolerância religiosa e racial, discursos de ódio, negacionismo científico e até mesmo pornografia infantil.

Qual a chance de também vermos isso no Twitter?

Liberdade só para alguns

Como foi dito, Elon Musk recebeu o convite de integrar o quadro administrativo da rede social ao se tornar sócio majoritário do Twitter, e recusou. Ele poderia dar vazão às suas ideias, mas preferiu tomar o Twitter inteiramente para si por acreditar que o quadro executivo “não faria as mudanças necessárias”. 

Seria uma forma de ferir a liberdade de expressão dos acionistas? Ou será que Elon Musk só é capaz de provocar mudanças benéficas quando possui controle absoluto?

O magnata tem ideais complexos sobre o assunto. Em relação ao banimento de Donald Trump, Musk sugeriu que a decisão foi autocrática e injusta, ainda que o ex-presidente tenha sido banido da plataforma por ferir os termos de uso, incitando seus apoiadores a invadir o Capitólio, e isso causou a morte de pessoas no evento.

Com a mais recente aquisição, Musk disse cogitar a ideia de remover o banimento de Trump, e com isso abre um precedente perigoso: se eu concordar com você, as regras são outras. Justamente o que ele critica sobre a plataforma.

Já em 2020, no contexto das eleições na Bolívia, Elon Musk declarou em seu perfil no Twitter, ao ser questionado sobre a intervenção dos EUA contra Evo Morales: “Nós vamos dar golpe em quem quisermos, lide com isso”.

Dizer isso em uma situação de um possível golpe de estado, causado por outro país com interesses comerciais e um sério histórico de intervenções nada democrático, é bastante complexo. Tanto que a postagem foi apagada do seu perfil.

Além disso, o empresário já foi multado pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, por uma jogada na Tesla dentro do Twitter. Ao dizer que fecharia as ações da empresa na Bolsa por 420 dólares, ele gerou um movimento massivo de investidores e aumentou o valor das ações em 10,98%.

Como as promessas de Elon Musk não foram cumpridas, a justiça estadunidense entendeu que o empresário cometeu fraude, enganando os investidores e usuários, para valorizar a própria empresa.

Isso gerou uma multa de 20 milhões de dólares e a saída do seu cargo de presidente da Tesla, tal qual o impedimento que o magnata fizesse parte do quadro administrativo de outras empresas de capital aberto. 

Lembra que o Twitter era uma empresa de capital aberto, e que Musk se recusou a fazer parte da administração, preferindo comprar a empresa e torná-la de capital fechado?

Se essa é a visão do mais novo e único dono do Twitter, podemos imaginar o que vai acontecer com a plataforma. Todos os comportamentos dele apontam para uma gestão autocrática e polarizada, o que pode transformar a rede em um ambiente ainda mais tóxico e prejudicial à democracia que Musk tanto defende.

É hora de abandonar o barco?

Desde o anúncio da aquisição, o assunto viralizou na rede, ao ponto de hashtags como #AdeusTwitter e #RIPTwitter alcançar os trending topics, e como twitteiro e comunicólogo, o que eu gostaria de dizer nesse momento é: calma.

A compra ainda não foi oficializada, e mesmo que seja, tudo que foi abordado neste artigo são possibilidades, logo, não necessariamente serão efetivadas.

O Twitter se tornou uma grande rede de distribuição de conteúdo e informação, é notória a sua influência na formação de opinião e notícias. Muito do que é discutido em outras redes sociais vêm do Twitter, tendo em vista que seu objetivo é democratizar a informação em tempo real.

Contudo, não é inteligente abandonar uma rede social simplesmente porque você não tem apreço pelo corpo administrativo. Sem contar que, caso essas previsões se concretizem, esse é o momento de firmarmos nosso espaço no Twitter para oferecer um contraponto à polarização de conteúdo.

Já passou da hora do coletivo de usuários parar de fugir de rede em rede ao invés de afirmar o seu lugar. Até lá, o Twitter continua sendo uma das plataformas mais influentes e com potencial consolidado, aproveite a oportunidade para se fortalecer na rede e explorar ao máximo sua funcionalidade.

Por fim, quero dedicar esse artigo ao meu amigo John. Se não fosse pela sua insistência irritante, não teria me dedicado tanto a esse artigo. Amo você!

Um abraço, e a gente se lê por aí.

Referências

O iFood usa o marketing para sabotar seus entregadores e coagir clientes

Se você acompanhou as redes sociais nesta semana, pode ter visto um grande escândalo envolvendo o iFood: foi apontado que o aplicativo realizou estratégias de marketing com agências de publicidade para sabotar as reivindicações dos seus próprios entregadores.

A denúncia foi feita pela Agência Pública, uma organização de jornalismo independente, no dia 04/04/2022. A reportagem mostra que o iFood contrata as agências para se infiltrar nos movimentos de entregadores e minar o seu alcance.

Foram criadas páginas no Facebook, como a Não Breca Meu Trampo e a Garfo na Caveira, bem como perfis falsos nas redes sociais, visando se passar por entregadores.

Captura de tela da página “Não Breca Meu Trampo” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página “Não Breca Meu Trampo” no dia 09/04/2022.

Essas páginas e perfis observaram o comportamento, linguagem e pautas da classe e passaram a compartilhar postagens em apoio, ganhando atenção e identificação dos motoqueiros, e também da população. 

Em seguida, eram acionadas conforme o movimento que lutava por melhores condições de trabalho ganhavam força. Um grande exemplo foi o Breque dos Apps, que se iniciou em julho de 2020 e vinha ganhando força desde então.

Dessa forma, o público acreditava que os entregadores não compactuavam com as manifestações, quando na verdade, essas mesmas páginas eram administradas e patrocinadas pela própria empresa.

Imagem da manifestação “Breque dos Apps”. Fonte: vos.social/voos-literarios/breque-dos-apps-o-espirito-da-revolta
Imagem da manifestação “Breque dos Apps”. Fonte: vos.social/voos-literarios/breque-dos-apps-o-espirito-da-revolta

Uma tática da operação foi identificar que a vacinação prioritária era um ponto importante para a classe, e assim passaram a defendê-la dentro de manifestações trabalhistas, online e offline.

Ou seja: aproveitar o movimento que reivindicava condições dignas de trabalho para lançar outra pauta, ganhando atenção da mídia e população, e com isso ofuscar a causa inicial para que a verdadeira manifestação perca força.

Vários perfis falsos foram usados nessa empreitada, e segundo a reportagem, se trata de uma estratégia comum na política. Chamada Astroturfing, a ideia é gerar uma operação nas redes sociais que pareça surgir espontaneamente do público, quando na verdade é organizado por publicitários a mando de uma oposição.

Isso cria uma desconfiança generalizada sobre tudo que consumimos e a forma como as informações chegam até nós. Será que todo comentário nas redes sociais contrário aos movimentos sindicais e de coletivos representa a realidade ou foi criado por marqueteiros para fortalecer ainda mais a imagem de grandes empresas?

Vale ressaltar que a Garfo na Caveira, uma página bastante ativa, fez sua última postagem no mesmo dia em que a reportagem da Agência Pública foi ao ar.

Captura de tela da página “Garfo Na Caveira” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página “Garfo Na Caveira” no dia 09/04/2022.

Infelizmente, essa não é a primeira vez que o iFood apresenta movimentações de marketing para mascarar suas falhas. Segundo informações do Money Times e do Intercept Brasil, o aplicativo tem perseguido usuários que avaliaram o serviço negativamente no Reclame Aqui e oferecendo cupons de desconto em troca de boas avaliações.

A narrativa foi confirmada por diversos usuários no Twitter, alegando receberem os tais cupons pouco tempo após reclamar do serviço na rede. Outros receberam mensagens e e-mails de funcionários do aplicativo pedindo para que o seu atendimento fosse bem avaliado.

O Reclame Aqui é um dos principais termômetros para medir a confiabilidade das empresas, e esse episódio revela que mesmo portais de referência podem ser manipulados a todo instante, e o quanto as empresas estão dispostas a pagar para veicular uma imagem que não condiz com a realidade.

Captura de tela da página do iFood no site “Reclame Aqui” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página do iFood no site “Reclame Aqui” no dia 09/04/2022.

E se você pensa que o buraco do iFood termina aqui, ele ainda é mais extenso. A empresa foi condenada pela justiça brasileira a reativar a conta de um entregador que foi bloqueado injustamente, por não ter apresentado provas conclusivas que mostrassem as infrações cometidas.

E ainda, segundo um estudo da Universidade de Oxford, o iFood foi avaliado como uma das piores empresas com relação às condições de trabalho no Brasil e América Latina.

Essa denúncia da Agência Pública serve para nos mostrar o quão perigosa a publicidade se torna quando se utiliza meios fraudulentos para proteger grandes corporações. Deixa de ser uma ciência da comunicação para se tornar uma ferramenta de coerção social, atuando desde questões simples do mercado até desfechos políticos. 

Para nós, fica o alerta para a prática do Astroturfing e a conscientização sobre as práticas do app. Existe um movimento nas redes sociais orientando os usuários a não mais fazer pedidos pela plataforma, e sim diretamente pelos estabelecimentos, pois isso aumenta a remuneração dos entregadores e também a segurança do cliente em caso de atrasos e até fraudes no pedido.

O iFood prefere sabotar os coletivos de entregadores e perseguir clientes insatisfeitos ao invés de melhorar seus serviços e remunerações, e isso diz muito sobre a empresa. Nós realmente devemos dar dinheiro e visibilidade para marcas que possuam tais valores?

Resta saber até quando o iFood será considerado um caso de sucesso e empreendedorismo no LinkedIn, ou se vamos abrir os olhos para os escândalos do aplicativo e repensar a adoração que temos por grandes corporações

Enquanto você defende a integridade de uma empresa, esta pode estar desembolsando uma grande quantia para comprar o seu silêncio e impedir que os próprios colaboradores alcancem condições dignas de trabalho.

Um abraço, e a gente se lê por aí.

Referências

O brigadeiro que se tornou abuso infantil graças a um mau-entendido no Twitter

Era uma tarde ensolarada de sábado, no dia 26/03/2022, o Lollapalooza acontecia normalmente em São Paulo, tudo estava correndo bem. E sendo um dia normal, pessoas normais falam sobre coisas normais em suas redes sociais.

Foi o caso do , nosso protagonista, que fez o seguinte post no Twitter:

Tweet: Acabei de oferecer brigadeiro escondido pra uma criança de 4 anos e ela não só negou como me dedurou pra mãe

Um comentário engraçado e despretensioso, certo? Bem, nunca estivemos tão errados, pois logo em seguida, uma enxurrada de comentários atingiu o post, de pessoas acusando o nosso protagonista de promover abuso infantil.

Entre as diversas mensagens recebidas, muitos usuários disseram que era horrível pedir segredo dos pais, pois isso se configurava como uma tática de abusadores e pedófilos, apontaram a irresponsabilidade em oferecer doces sem saber se a criança era alérgica ou possuía restrição alimentar, criticaram até mesmo a necessidade em passar por cima dos pais e se intrometer na alimentação da criança.

Até o momento da produção deste artigo, o tweet conta com 1870 comentários, 13,5 mil compartilhamentos e 187,7 mil curtidas, para entender a dimensão do problema, que foi apelidado de “Brigadeirogate”.

Parece loucura, certo? E fica pior quando inserimos nossa segunda protagonista dessa história, a Thais, que trouxe uma informação bombástica: Zó é tio da criança, que fazia aniversário naquele dia. A festa e os brigadeiros eram dela.

Tweet: Isso não existiu hahahahahah no caso a mãe é a MINHA mãe, a criança é a minha irmã e o cara é meu namorado. A minha mãe tava DO LADO, o escondido foi só porque ele ofereceu só pra ela, a minha irmã caguetou e a minha mãe chamou ela de chata e comeu o brigadeiro no lugar dela

Ou seja, ele ofereceu para a criança um doce feito pela própria mãe da aniversariante, para a mesma criança, que só recusou porque não quis bagunçar a mesa, contou para a mãe e virou piada na família.

Com isso já devia fazer o pessoal cair em si e parar com essa história, mas é a partir daí que começa o capítulo mais interessante: as pessoas começaram a justificar que o Zó era culpado por não explicar todo o contexto e, pasmem, que ainda assim o que ele tinha feito era abuso.

E não para por aí, houve uma avalanche de desinformação, de pessoas com más intenções, afirmando que a Thais não sabia o que estava acontecendo, que a mãe brigou com o Zó pelo que fez com a filha, e inventando mil e uma desculpas ao invés de assumir a falha.

Chegou ao ponto de perfis grandes no Twitter compartilharem o caso com as suas impressões errôneas, alguns sem saber o que estava acontecendo e outros até sabendo, porque o interesse já era pegar o bonde andando e garantir o engajamento.

Obviamente isso saiu de controle, ao ponto do Zó dizer que aquela discussão chegou no trabalho dele.

Tweet: mandaram o tweet do brigadeiro no slack da firma, é capaz de amanhã eu ter que me explicar pra não perder o emprego

A sorte é que foi uma situação simples e fácil de explicar, mas imagina o estrago que essa baderna poderia ter causado, sendo que tudo seria resolvido caso alguém perguntasse o que aconteceu antes de espalhar sem saber?

Esse episódio foi um show de horrores, e infelizmente resume bem como as pessoas estão agindo nas redes sociais. Muitos querem julgar e condenar realidades sem nem mesmo conhecer os fatos, e quando apontam a falha, se esquivam e arrumam desculpas para fingir que estão certas.

Gente chamando o cara de abusador, pedófilo, traficante, ameaçando bater nele, e quando viram a situação, culpam o Zó por não ter explicado toda a história para eles. Sendo que, na verdade, não era pra nenhum dos que vieram se exibir nos comentários.

Até rolou comentários de conscientização, mas baseados numa suposta agressão à criança, e ao notar que não foi tudo aquilo, cobram “empatia” das pessoas por mostrarem que o seu moralismo foi equivocado.

Pergunte quantos desses usuários raivosos se retrataram ou apagaram os comentários depois de saber que estavam errados? Pois é.

Eu falei sobre desinformação aqui no blog um tempo atrás, sobre o perigo de pessoas saírem compartilhando notícias falsas sem checar o fato primeiro. Muitas das pessoas que eventualmente odeiam quando influenciadores fazem isso, em situações como essa agem da mesma forma e ainda se enxergam como corretas.

É preciso agir na raiz disso, usando o bom senso. As informações te deixam com dúvida? Basta perguntar e se informar antes de sair compartilhando. E caso perceba que passou pra frente algo que não aconteceu, tenha a decência de apagar a publicação e se retratar.

Vale a pena cultivar o seguinte pensamento: nem tudo que é dito na internet é sobre mim. Aliás, bem pouco é sobre mim, vale a pena não me meter nisso.

Para encerrar o caso, tanto o Zó quanto a criança estão bem, nenhum aniversariante foi desrespeitado, abusado ou envenenado no decorrer da história. Apenas a noção foi gravemente ferida pelos internautas.

E apesar do desconforto, tivemos o privilégio de ver a seguinte resposta para uma das usuárias pretensiosas que continuavam mentindo sobre o ocorrido:

Tweet: IÓ, IÓ, IÓOOOO
Falando na sua língua pra ver se você me entende

Um abraço, e a gente se lê por aí.

Quando a sua opinião se torna desinformação, volte três casas

Esse poderia ser mais um dos milhares de conteúdos que contaminaram a internet sobre a invasão russa na Ucrânia, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, e até mesmo como você deve investir na bolsa de valores durante esse período.

Vou deixar essa história para outra oportunidade, pois só de lembrar que vi esse absurdo já me bate a revolta.

Como boa parte dos comunicadores, eu poderia usar esse espaço para dar a minha opinião sobre o assunto, mas vou seguir o caminho inverso para reforçar uma das coisas mais importantes que nós deveríamos entender sobre influência digital e produção de conteúdo: 

Você não precisa, e algumas vezes nem deve, dar a sua opinião sobre tudo.

Para ilustrar essa ideia, vamos observar o caso da Rafa Kalimann, influenciadora mineira e ex-BBB. 

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia neste dia 24, a Rafa fez uma série de cinco tweets explicando aos seguidores sobre os motivos que levaram à investida russa. E obviamente isso repercutiu muito mal, pelos seguintes motivos:

  • Ela começa o resumo dizendo ser a sua visão pessoal sobre o conflito;
  • Compara OTAN a URSS, sendo que a segunda foi um país, enquanto a primeira é uma aliança militar. Organizações diferentes com atuações diferentes;
  • Erra ao dizer que a capital ucraniana, Kiev, já foi capital da Rússia, que nunca aconteceu;
  • Apresenta uma visão bastante reducionista e simplista do conflito, ignorando vários elementos russos e ocidentais que contribuíram com a guerra;
  • Usuários perceberam que ela copiou as informações de outra pessoa, um estudante de História, sem dar os créditos;
  • Ao ter os equívocos apontados na série, fez outro tweet debochando dos usuários.

Só por esses motivos já entendemos porque a atitude dela pegou tão mal, mas é essencial frisar uma informação desse resumo: sem ter qualquer conhecimento em geopolítica do leste europeu, a Rafa decidiu dar a sua opinião sobre toda uma trama de acontecimentos que culminou numa guerra.

Talvez você acredite que a intenção dela foi boa e que não é necessário criticá-la por ter se esforçado, só que essa atitude é mais uma disseminadora de informações falsas, e para alguém com 3,2 milhões de seguidores no Twitter, o alcance disso é gigantesco.

Vale lembrar que o Twitter é conhecido por ser uma rede de distribuição de conteúdo, muito do que é produzido nessa rede é replicado em outras mídias. Assim aumentamos o potencial de pessoas impactadas por uma série de informações falsas.

Se a Rafa tem uma visão alinhada aos EUA, a análise dela sobre o conflito é uma. Caso ela seja pró-Rússia, será outra. E nesse meio ela segue influenciando pessoas, que compram o seu discurso como verdade absoluta por considerá-la uma referência.

Esse problema surge da ideia que ciências humanas não são ciências, e podem ser entendidas como opinião. Mas fatos históricos são fatos, contextos não podem ser desprezados, e quem não entende do assunto não pode explicar o que não conhece.

Se um influenciador resolve opinar sobre como médicos devem conduzir uma cirurgia sem ter formação médica, ou questões envolvendo a construção de um prédio sem ser engenheiro, arquiteto e afins, nós não devemos levar em consideração, certo?

Da mesma forma, para opinar sobre a invasão da Ucrânia, é preciso saber sobre o assunto e ter responsabilidade com a informação transmitida.

Quando a sua opinião se torna desinformação, volte três casas, para o seu bem e da sua audiência. Não dá pra tolerar que pessoas sem qualquer noção sobre um assunto resolvam se tornar porta-vozes daquilo que desconhecem. Isso é nocivo.

E como ela poderia ter conduzido o assunto? Exatamente como o Casimiro fez.

O youtuber e streamer convidou para uma live Tanguy Baghdadi — professor especialista em Política Internacional — ajudando o seu público a compreender o que estava acontecendo e tirar suas dúvidas com alguém que pode dar respostas concretas e embasadas.

A partir do momento que ele usa a sua visibilidade para dar voz a quem entende do assunto, ele direciona sua audiência às fontes confiáveis de informação. Isso ajuda a diminuir o medo e a histeria, além de impedir que teorias da conspiração e rumores falsos surjam sem controle.

Isso não é diminuir os influenciadores que não possuem uma formação acadêmica completa — o famoso academicismo — é entender que, como comunicador, você precisa ter propriedade naquilo que deseja abordar. Seja por estudos próprios, seja por uma pesquisa de trabalho.

Esse episódio nos ajuda a entender que, caso você não saiba o bastante sobre um assunto, é legal se preservar e poupar sua audiência. Ao invés de buscar visibilidade em cima de algo que está em alta e você não domina, por que não focar no que você entende e faz de melhor?

Portanto, uma internet segura e responsável se faz com menos Kalimanns e mais Casimiros, sua inteligência moral de admitir que não entende sobre algo, mas se dispõe a dar espaço para que alguém capacitado possa tomar a frente. 

Não é vergonha nenhuma dizer “não sei o suficiente disso” e ouvir o que os especialistas têm a dizer. Nós devíamos experimentar isso mais vezes.

Recomendo fortemente o episódio “O que Brand Safety, Flow e BBB têm em comum?” do podcast Dia de Brunch, conduzido pela Ana Paula Passarelli e pela Issaaf Karhawi. Elas passam uma visão interessante sobre o posicionamento de influenciadores em relação à profundidade do seu conteúdo.

Um abraço, e a gente se vê por aí.

O Instagram ainda vale a pena?

Já faz algum tempo que eu, Gabriel Bellia, não produzo mais conteúdo no Instagram, e durante todo esse período fiquei me questionando se valia a pena retornar.

Lá no Instagram eu comecei o Tá Difisio e depois a Grambélia, por quase um ano eu produzi conteúdo seis vezes por semana, sem parar. Já cheguei inclusive a gerenciar cinco contas ao mesmo tempo, sendo uma delas de um cliente e as demais eram projetos meus.

Eu tenho até um artigo aqui no site falando sobre os nove motivos para estar no Instagram, justamente por acreditar no potencial da rede, e então parei toda a minha produção.

Como e por que um especialista em comunicação integrada no Instagram decidiu repensar sua presença na sua rede de especialização? Fica comigo que eu te conto!

Instagram X TikTok

Essa história começa no dia 30 de junho de 2021, quando Adam Mosseri, chefe do Instagram, fez uma publicação nas suas redes sobre as principais mudanças que poderíamos esperar para a plataforma.

Fonte: Adam Mosseri (Twitter)

Nisso, ele confirmou uma suspeita já antiga entre os usuários: o Instagram decidiu priorizar os conteúdos em vídeo para rivalizar com TikTok e YouTube.

O Instagram no início era uma plataforma de fotos, que acabou aceitando conteúdo em vídeo no feed, limitado a 1 minuto. Depois disso lançaram o IGTV, em 2018, que permitia mais tempo de duração, e mais recentemente os Reels, agora em 2020.

E a rede já mostrava um comportamento predatório, como a implantação dos Stories em 2016 para ultrapassar o Snapchat, depois de não conseguir comprar a empresa. O IGTV foi pensado para derrubar o YouTube, enquanto os Reels tinham o propósito de tirar mercado do TikTok.

O mesmo modus operandi do Snapchat: a empresa se nega a vender suas ações para o grupo Facebook, então eles lançam uma ferramenta similar e a promovem intensamente nas suas plataformas.

Contudo, o TikTok cresceu de uma forma que o Instagram não conseguiu acompanhar, e com isso todo o foco da rede caiu sobre o Reels. O próprio Adam cita isso em seu vídeo:

“Nós não somos mais um aplicativo de compartilhamento de fotos, ou um aplicativo de compartilhar fotos quadradas. […] Porque sejamos honestos, há realmente uma grande competição agora. TikTok é enorme, YouTube é ainda maior, e existem muitos outros iniciantes também.”

Adam Mosseri

E com isso ele afirma que o Instagram agora estará focando nos conteúdos em vídeo. O que ele não conta é que isso significa tirar o alcance dos conteúdos estáticos para dar visibilidade aos Reels.

Tanto que mudaram a interface da página inicial do app, colocando a aba Reels no lugar do botão de Enviar Conteúdo, a região de maior destaque da tela. Isso não foi feito à toa.

Mas qual é o grande problema disso?

O TikTok nasceu e cresceu como uma plataforma de vídeos curtos, o Instagram não. Sua especialidade eram as fotos, tanto que o nome do app vem de instant telegram, uma rede de fotos instantâneas.

Por mais que o Instagram inseriu vídeos e outros recursos, ele ainda era reconhecido como uma plataforma de fotos desde 2011, e depois de criar essa reputação sólida por nove anos, a rede jogou tudo para o alto para se tornar um aplicativo de vídeos similar aos que já existem.

O Instagram era soberano entre as redes de fotografias, e agora luta para se assemelhar às redes de vídeos que já estão consolidadas. O grupo destruiu o que havia de mais poderoso no Instagram: sua identidade.

Quem usava o Instagram, usava pelas fotos. Quem se encontrou no TikTok, foi pelos vídeos.

Achar que um público de fotos vai se tornar um público de vídeo, e que um grupo que já está familiarizado por um app de vídeos vai trocá-lo por outro similar, não foi uma aposta inteligente. Simples assim.

E isso leva a outro problema.

E se eu não gostar de vídeos?

Imagina que você começou a fazer faculdade de Administração. Você viu a proposta do curso, se identificou com a grade curricular, e tomou a decisão de seguir a área.

Porém, a instituição percebe que o curso de Veterinária está em alta, e resolve transformar o curso de Administração em Veterinária para surfar essa onda. Ela pode atrair mais pessoas interessadas no segundo curso, mas e quem tinha a vontade de ser administrador?

Essas pessoas vão largar o curso e procurar outra instituição, concorda? Pois é basicamente isso que tem acontecido com o Instagram.

Quando você muda a sua identidade, formato e objetivos sem consultar o seu público, está correndo o risco de perdê-lo.

Porque quem acreditava no Instagram desde o começo, estava familiarizado com conteúdo visual. Alguns podem saber o básico ou até mesmo gostar de produção de vídeos, mas não dá para garantir que todos vão seguir o mesmo caminho.

E se a plataforma que eles acreditavam deixa claro que a prioridade é um conteúdo totalmente diferente do que o consagrou, e muito diferente do que estavam acostumados e especializados, uma possibilidade é aproveitar esse conhecimento em outro lugar ao invés de mudar a sua produção.

Afinal, é mais fácil você cursar Administração em outra faculdade do que aprender Veterinária, não acha?

Dessa forma, vale a pena pensar se você realmente quer produzir no Instagram ou buscar outra plataforma.

O algoritmo ajuda ou atrapalha?

Alguns vão rever seu formato de conteúdo para se adaptar às novas políticas do Instagram, outros vão preferir migrar para novas plataformas. Não tem como prever, apenas entender o comportamento dos criadores.

Mas existe outro porém nessa história, que já vem sendo discutido há bastante tempo: o algoritmo do Instagram.

O Adam publicou um artigo no blog oficial do Instagram em junho desse ano sobre o funcionamento do algoritmo. Ele cita que na verdade não existe um algoritmo, e sim vários, que juntos entendem o tipo de conteúdo que cada usuário prefere.

Mas como o resultado final é o mesmo, pouco importa os detalhes, então podemos chamar de Algoritmo numa boa.

O algoritmo é um conjunto de códigos e processos que detectam as preferências do usuário e entregam aquilo que se assemelha aos seus favoritos. E por ser formado por códigos, o algoritmo não é bom nem ruim, e sim eficaz ou não.

Segundo o Adam, o Instagram tem como um dos critérios a sua interação com as contas. Quanto mais você curte, comenta e compartilha as publicações de um usuário, mais chances desse conteúdo aparecer no seu feed.

Com isso já temos um problema: e se eu sou do tipo de pessoa que vê as publicações, mas não comenta nem compartilha? O Instagram vai entender que esse é o meu perfil comportamental ou vai simplesmente inferir que esse conteúdo não me agrada?

Outro ponto é a frequência de postagem. Como a plataforma abandonou o feed cronológico pelo alto volume de publicações, nem tudo vai chegar para você. O Adam cita no artigo que eles evitam “mostrar muitas publicações sucessivas da mesma pessoa”, mas qual seria o número exato para isso?

Se você posta muito — e aqui não temos ideia do que seria esse muito — o Instagram não vai entregar tudo. E se você posta pouco — mais uma vez, não sabemos o que seria esse pouco — as pessoas interagem menos, já que existe uma avalanche de postagens diariamente.

Por isso, o artigo mostra que o algoritmo não entrega o seu conteúdo para todos os seus seguidores.

Cerca de 10% dos seus seguidores verão as suas postagens no feed, os outros 90% não terão conhecimento delas. Quando você tem 100 mil seguidores, 10 mil receberão as publicações, mas para quem tem 100, apenas 10 vão saber que tem conteúdo novo.

E quantos desses 10 vão curtir, comentar e compartilhar? É difícil prever.

Para contornar esse problema, o Instagram oferece o impulsionamento de postagens, em que você promove um post para alcançar mais pessoas, inclusive pessoas que não te seguem.

Mas você percebe que, no fundo, é preciso colocar dinheiro no Instagram para que as pessoas que te seguem — por livre e espontânea vontade e interesse — possam receber o que foi postado dentro da própria rede?

É difícil afirmar que o algoritmo do Instagram é eficaz com todas essas particularidades.

O que você produz X o que o Instagram oferece

Eu disse lá atrás que agora você pode escolher entre começar a produzir vídeos ou migrar de rede, mas a verdadeira pergunta é bem mais complexa do que isso: o Instagram é de fato a melhor plataforma para você?

Falando da minha experiência como produtor de conteúdo, meu ponto forte sempre foram os textos. Eu me expresso muito melhor na escrita, consigo organizar melhor minha linha de raciocínio e ser mais didático escrevendo.

Mas o Instagram não é o melhor lugar para textos, pois temos um limite de 2.200 caracteres, e o seu foco é audiovisual. Se eu quiser escrever, preciso postar uma foto ou vídeo junto.

Se eu quiser montar um artigo completo como esse, não tenho como fazer no Instagram, será preciso achar fotos e vídeos para postar com o texto, e fragmentá-lo para caber em diversas postagens.

Eu sempre bolei meu conteúdo primeiro em texto e depois em imagens, e isso não faz sentido. Ao invés de encontrar fotos que se adequem ao texto, eu poderia postar o artigo em um lugar específico para isso, e talvez ilustrar com imagens.

Detesto fazer vídeos, já tive várias experiências como videomaker que não foram agradáveis para mim, inclusive um vlog no YouTube muitos anos atrás.

Eu me incomodo com a forma como não consigo focar na câmera, se a iluminação não estiver 100% boa, com o cenário, a produção e edição do vídeo, a minha imagem e o que eu estou usando… Se eu me forçar a produzir vídeos, não vou garantir um bom trabalho, já que odeio fazer isso.

É a mesma coisa de quem odeia academia: é melhor insistir na musculação, que você não gosta, ou buscar outro tipo de exercício que te agrada?

Foi assim que eu encontrei o podcast. Eu posso montar o texto para o blog e depois transformar em áudio, sem me preocupar com todos aqueles pontos do vídeo. Assim eu posso explorar outros formatos sem ter essa rigidez de me prender a algo que eu não gosto.

Se você não quer trabalhar com vídeos — o foco do Instagram agora — sugiro encontrar a plataforma que se adeque melhor aos seus interesses.

Para textos, Facebook, LinkedIn, Tumblr, Twitter e Medium são boas escolhas. Para vídeos, YouTube, TikTok e Kwai são alguns exemplos.

Para podcasts, o Anchor vale muito a pena para você que é produtor. É o que eu uso atualmente e te permite publicar em várias mídias, incluindo o Spotify. Mas se você só quer consumir, tente Spotify, Deezer e SoundCloud, entre outros.

E para as imagens, existe o Pinterest, Behance, Tumblr, Twitter, DeviantArt, ArtStation, Snapchat, e por aí vai. Cada rede tem sua especificidade, e você pode encontrar a que mais se adequa ao seu perfil.

Mas os meus seguidores estarão nessas plataformas?

Olha, nem sempre, mas cada rede tem o seu público definido, e pode receber novos usuários todos os dias. Você prefere ter 5.000 seguidores no Instagram que não interagem com o seu conteúdo, ou 100 em outra plataforma que estão sempre engajando com o seu trabalho?

É tudo uma questão de pontos de vista.

Então eu devo desistir do Instagram?

Seria ótimo eu responder essa pergunta com “sim” ou “não”, né? Mas não é tão simples assim, é preciso pensar em vários detalhes, e o principal é: você quer continuar no Instagram?

Eu tenho os meus motivos para me posicionar sobre o Instagram, você pode ter os seus, e os nossos contextos podem não se cruzar. Inclusive, esse é um grande problema dentro do meio de comunicação digital, é muito influencer e guru dando ordens sem conhecer a sua trajetória.

Eu posso sair do Instagram, encontrar outra plataforma e fazer muito sucesso, mas isso não garante que você vai ter o mesmo resultado. Ou então você decide continuar no Instagram, e dá muito mais certo do que eu já consegui.

Você precisa refletir sobre tudo isso que eu apresentei aqui e tirar as suas próprias conclusões, pois somente você poderá definir o que é melhor para você. 

Eu, Gabriel Bellia, decidi não mais ser um produtor de conteúdo no Instagram, vou apenas movimentar as minhas redes esporadicamente, porque eu prefiro investir meu tempo e energia nas redes em que eu possa explorar o que eu faço de melhor: áudios e textos.

Ainda existe vida no Instagram, não podemos negar, e a forma como você se dedica ao seu projeto é um grande indicador de como você vai crescer, independente da plataforma escolhida.

O que eu quero te fazer pensar é: o Instagram não é a única escolha, fazer diversos Stories todos os dias não é regra, e gravar dancinhas para o Reels não é necessário, se você não quiser.

E se me permite um conselho, assista esse vídeo da Nátaly Neri, falando sobre algoritmo das redes, fluxo de conteúdo e saúde mental. Vale MUITO a pena.

Fonte: Nátaly Neri (YouTube)

E é isso. Um abraço, e até mais!

Referências:

Luísa Sonza e a violência digital contra mulheres

Se você não conhece a Luísa Sonza, ela é uma das maiores cantoras pop brasileiras da atualidade. Entre os seus inúmeros hits, Braba foi a música que mais emplacou nas rádios e mídias sociais.

Clipe da música “BRABA”, de Luísa Sonza.

Nessa semana a equipe de Luísa Sonza informou que a artista precisou deixar o país e as redes temporariamente. O motivo? Uma onda de comentários raivosos e ameaças de morte à cantora nas redes sociais.

Luísa se casou com Whindersson Nunes em 2018, e em abril de 2020 se separaram. Na época, começaram os rumores que ela só se casou para crescer na carreira e teria largado o humorista. Mas em junho ela lançou o clipe “Flores” com Vitão, os usuários apontando nas redes que Luísa teria traído Whindersson.

Luísa e Whindersson na praia.
Fonte: Jovem Pan.

Ela começou o seu processo de negar os boatos, sem sucesso, até que em setembro eles assumiram o namoro, e Whindersson começou a namorar a estudante Maria Lina em novembro. A partir disso a história ficou mais complexa.

Maria engravidou pouco tempo depois, e em maio deste ano uma discussão entre Luísa e Whindersson veio à tona, começando com uma crítica da cantora ao governo. Quando um usuário a acusou, novamente, de ter traído o comediante, ela se manifestou e em seguida Whindersson confirmou que Luísa não o traiu e que foi ele quem rompeu o casamento, não a cantora.

Já nessa época, Luísa afirmava que ela e o namorado estavam sofrendo ataques não só nas redes sociais, mas também nas ruas, por causa desse boato de traição. Vitão já foi assediado em shows drive-in e também por um trio de rapazes que pediram um vídeo com o artista. A família de Luísa também estava recebendo ameaças de morte pelas redes sociais.

No dia 31 de maio, Maria Lina perdeu o bebê, que nasceu prematuro no dia 29, e aqui se inicia a fase mais sombria da história de Luísa Sonza: ela foi culpada pela morte do bebê, por usuários, nas redes sociais.

As redes sociais de Luísa Sonza foram bombardeadas de insultos e ameaças de morte, como divulgou o Fantástico no dia 06 de junho. Entre os áudios e comentários, ela foi chamada de “assassina” e que seria “desossada e queimada viva”. Recebeu imagens de armas com a indicação de que ela e os familiares seriam mortos.

Vale lembrar que Luísa desenvolveu depressão e síndrome do pânico nesse período.

Pessoas se uniram em um coro virtual para agredir uma figura pública, mulher, por boatos. Muitos fãs do humorista criaram a missão pessoal de infernizar a cantora de todas as formas possíveis por um rumor que foi negado pelo próprio Whindersson, e mesmo assim Luísa segue sendo agredida e responsabilizada pela morte do seu filho.

Não é de hoje que a internet vem se tornando um espaço sangrento, mas essa jornada da Luísa Sonza é um indício máximo de que precisamos mudar nosso comportamento digital.

O que garante que um desses usuários faça um atentado contra a cantora por causa de um boato já desmentido por ambas as partes? Ou que Luísa, fragilizada pelo seu estado psicológico, cometa suicídio por não aguentar a pressão?

O mais assustador é saber que existem pessoas na internet contando com uma dessas possibilidades, e dispostas a torná-las realidade.

Se você acredita que não se iguala aos usuários maníacos que estão promovendo esse linchamento virtual, questione-se: nas suas redes há comentários e mensagens raivosas direcionadas à pessoas que não te agradam? Você diz coisas desrespeitosas e agressivas na internet por indignação ou entende que o seu direito termina onde o direito do outro começa?

É preciso fazer um pacto pelo fim desse tipo de conduta na internet. Violência digital diz respeito a todos nós, e pode acontecer com qualquer um. Internet não é terra sem lei, então caso se depare com situações do tipo, denuncie.

Será que você aguentaria passar por tudo isso que a Luísa vem enfrentando?

Clubhouse: exclusividade ou segregação?

Se você ainda não ouviu falar do Clubhouse, saiba que é a rede social do momento, que ganhou destaque depois que personalidades como Elon Musk aderiram à rede.

Imagine uma rede social onde você pode entrar em salas virtuais com pessoas que você conhece, pessoas que você não conhece, e até mesmo algumas celebridades. A única forma de interagir com essas pessoas é por áudio, onde nada fica gravado e você precisa estar lá para acompanhar tudo o que for discutido.

Esse é o Clubhouse, prazer.

Até então essa ideia pode ser muito interessante para algumas pessoas, já que você pode se conectar não apenas com assuntos do seu interesse profissional, mas também com os maiores nomes daquele segmento. Parece uma grande oportunidade de fazer networking, e networking qualificado.

Porém, nem tudo são flores, e o Clubhouse possui dois problemas: só está disponível para iOS — por enquanto — e você só pode participar da rede com convite de algum usuário que está lá dentro.

Olhando de forma positiva, isso dá ao aplicativo a sensação de exclusividade, pois você só pode entrar com convite, e não são todas as salas que qualquer um pode participar. Mas ao mesmo tempo que esse modelo pode despertar o interesse de muita gente, no meu caso me emitiu um alerta: 

É realmente ético uma rede social limitar o acesso dos usuários ao seu conteúdo?

Com relação à exclusão do Android, isso é fácil de entender pela disparidade entre os sistemas, e a própria empresa se manifestou sobre estar em fase de testes para colocar o Clubhouse na Play Store. Agora, sobre a restrição aos usuários convidados, segue a discussão.

Talvez a ideia seja realmente filtrar para quem se interessa em conversar ao vivo com pessoas diferentes sobre qualquer assunto, até mesmo com celebridades e influenciadores. Porém, indiretamente é uma forma de segregação digital, onde deixamos claro quem pode e quem não pode fazer parte do nosso grupo.

Como forma de aumentar essa sensação, você é responsável pelos seus convites. Se um dos seus convidados ferir os termos do app, vocês dois são banidos. Mais uma forma de dizer que não é um lugar para qualquer um, e que você não deve convidar qualquer um.

Mas quem não seria esse “qualquer um”, e teria direito a entrar?

Além disso, muitas pessoas estão correndo para vender convites, lucrando com a ideia de que nem todo mundo pode fazer parte da rede. A plataforma acha problemático que qualquer um faça parte, mas não que isso se torne mais uma forma de explorar financeiramente?

E vale lembrar que isso só acontece pelo mecanismo que a própria plataforma promove: o FOMO, “Fear Of Missing Out”, ou o medo de estar perdendo algo.

As pessoas entram em desespero com a ideia de não fazer parte desse clube seleto e perder o que está acontecendo lá. E como nada pode ser gravado, você precisa estar 100% presente para não perder nada, porque senão todos estarão a par do que foi discutido na sala, e você não.

Inclusive, isso abre espaço para outra problemática: isso não seria uma estratégia consciente de “viciar” os usuários no seu conteúdo? E sejamos honestos, é irreal manter essa cultura de que você precisa estar 100% conectado, afinal nós temos uma vida fora das redes.

Duas das matérias que mais formaram o meu caráter foram Ética e Educação em Saúde, onde estudamos os processos de exclusão social e sua relação com a saúde. Eu trago essa visão acadêmica de que toda vez que você limita o acesso de pessoas a um lugar, você promove segregação baseada em algum critério.

A questão é entender qual é esse critério e porque ele é importante.

Essa não é a primeira vez que uma rede social funciona por convites, o Orkut em seu início operava da mesma forma. Além disso, o app está em sua versão beta, é difícil dizer se essa característica vai se manter ou não. Entretanto, para mim isso ainda é preocupante.

Falar em redes sociais também é falar sobre comportamentos coletivos e a influência desse comportamento entre os usuários. Muitos deles são adolescentes, suscetíveis à influências do coletivo que impactam diretamente sua auto-imagem.

E mesmo que o  Clubhouse tenha atraído usuários de faixas etárias mais elevadas, esse sentimento de inadequação também continua fazendo estragos, já que agora a moeda de troca são as relações de networking profissional.

Que mensagem você passa para a pessoa ao dizer que ela só pode fazer parte da sua rede se alguém a convidar? Talvez que ela não seja boa o bastante para estar ali, que não tem importância ou algo a contribuir. E principalmente, que ali pode não ser o seu lugar. Principalmente a nível profissional, algo que mexe muito com a autoafirmação de muita gente.

Eu já fui convidado para o Clubhouse e preferi recusar. Enquanto não sair a versão para Android nem tenho como fazer parte, mas não sinto vontade de estar lá, já que a mensagem passada pelo Clubhouse me soa muito clara: esse lugar não é para qualquer um.

E não acho que uma rede tem o poder e o direito de dizer que eu sou qualquer um.

Como usar o Spotify para fortalecer a sua marca

Se você nunca pensou em usar uma plataforma de streaming de músicas a favor da sua marca, comece a pensar já!

O Spotify liberou recentemente a Retrospectiva 2020 para os seus usuários, onde podemos conferir quais foram as músicas, artistas e podcasts mais ouvidos no ano, assim como gêneros e artistas novos que descobrimos, entre outras informações.

Isso se tornou uma tendência nas redes, onde vários dos seus amigos provavelmente devem ter compartilhado os resultados, assim como eu fiz no meu perfil. Até mesmo celebridades e figuras públicas, como o Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, postou a sua retrospectiva spotify no seu Facebook.

Você já deve ter percebido que o Spotify é uma realidade cada vez maior. Como já citei em outro artigo meu, o Spotify é uma das principais redes sociais aqui no Brasil, e você pode — e deve — usar essa plataforma a seu favor.

Quer saber como? Fica comigo que eu te explico!

Por que o Spotify?

Fonte: https://programadoresbrasil.com.br/2020/11/como-mudar-de-plano-no-spotify/

Antes de mais nada, talvez você deve se perguntar o porquê de eu ter escolhido essa plataforma, já que existem muitas outras no mercado.

Além do Spotify, podemos citar a Deezer, SoundCloud, Youtube Music, iTunes e Apple Music, Tidal, entre outras. Todas elas possuem seus prós e contras, além de suas particularidades que as tornam mais ou menos populares. 

No geral, podemos dizer que o Spotify se tornou a plataforma mais popular para o público. Entre os principais motivos, podemos destacar a possibilidade de criar uma conta gratuita e facilidade de acesso, disponível tanto na versão desktop quanto na versão mobile, para Android e iOS.

O ponto negativo é a impossibilidade de escolher uma música específica para ouvir, é preciso selecionar a playlist onde a música se encontra e deixá-la no modo aleatório, assim como a quantidade limitada de vezes que se pode pular faixas

Essa característica acontece no aplicativo, no desktop é possível ter esses comandos.

A conta gratuita também está sujeita a anúncios entre as músicas. Para eliminar os anúncios, pular as músicas de forma ilimitada, escolher faixas específicas para tocar, e ainda baixar músicas para ouvir offline, você pode assinar um plano Premium, a partir de R$ 16,90.

O Deezer é muito semelhante ao Spotify: conta com as mesmas características descritas e preços. As únicas diferenças é que o Deezer sai ganhando na qualidade de áudio e tem parceria com a TIM, onde os usuários da rede podem fechar pacotes de acesso gratuito ao Deezer.

Em compensação, o Spotify possui um algoritmo muito melhor para recomendação de músicas, formando playlists exclusivas toda segunda-feira baseado nas músicas que você e seus amigos ouvem. 

Fonte: https://www.folhape.com.br/cultura/soundcloud-vai-remunerar-artistas-em-funcao-do-tempo-de-reproducao/174625/

Ao contrário das outras plataformas, o SoundCloud é focado em armazenamento de áudio-conteúdo, e recentemente lançou seu próprio serviço de streaming, o SoundCloud Go. Entretanto, é necessário assinar um plano pago ou ser produtor de conteúdo nessa plataforma para usá-la.

Fonte: https://www.tecmundo.com.br/internet/134802-google-lanca-guia-evitar-cobranca-dupla-youtube-music-play-musica.htm

O Youtube Music segue a mesma pegada: foi uma aposta do Youtube para entrar no universo do streaming musical. Também foi uma forma de atender o pedido de muitos usuários, sobre tocar as músicas em segundo plano, sem precisar estar com o aplicativo ligado.

Assim como o SoundCloud Go, é preciso assinar um plano pago para usar.

Fonte: https://mundodamusicamm.com.br/index.php/digital/item/500-amazon-music-lanca-versao-gratuita-suportada-por-anuncios.html

O Amazon Music é um serviço dos assinantes da Amazon Prime, que possuem acesso ao streaming de filmes e séries, de músicas e também descontos e frete grátis nas lojas virtuais. 

O plano é pago, mas é o mais barato de todos ao comparar o custo-benefício: R$ 9,90 por mês ou R$ 99,00 na assinatura anual.

Fonte: https://tecnoblog.net/187682/apple-music-android-download-hands-on/

O Apple Music, assim como o iTunes, fazem parte do pacote iOS, apesar de serem bem distintos: o iTunes é um catálogo online de músicas, enquanto o Apple Music é o serviço de streaming da Apple

As faixas do iTunes estão disponíveis apenas para usuários iOS, enquanto o Apple Music disponibiliza essas faixas para qualquer um que tenha o app, até mesmo para Android.

Porém, o grande problema é que nem todas as faixas do iTunes estão disponíveis no Apple Music.

Fonte: https://tidal.com/

Por fim, temos o Tidal, aplicativo que tem como proprietário o Jay-Z. Sua interface, funções e preços não são muito diferentes dos outros apresentados, mas não possui conta gratuita, permite mais facilidade para montar e organizar suas playlists e o algoritmo do Spotify para recomendar músicas é um pouco melhor.

Sendo assim, o Spotify acabou sendo mais popular no país devido a esses requisitos. Não significa que os outros não são bons, mas se você quer alcançar um maior público e ter usuários mais engajados, o Spotify é a melhor escolha no momento.

Como usar o Spotify?

O aplicativo é bastante simples e intuitivo. Para criar conta você pode se cadastrar com seu e-mail ou com sua conta no Facebook, que facilita para encontrar seus amigos no Spotify.

Fonte: https://open.spotify.com/

Na barra de busca você pode encontrar artistas, usuários, playlists e podcasts. É possível seguir artistas para acompanhar suas músicas, seguir usuários para ver suas playlists, favoritar músicas, playlists e podcasts, assim como montar suas próprias playlists.

Fonte: https://open.spotify.com/

Ao entrar no perfil de um artista, é possível ouvir álbuns inteiros ou apenas pedir para tocar todas as suas músicas. Você pode selecionar o modo aleatório ou em ordem clicando em um botão, assim como repetir faixas

Fonte: https://open.spotify.com/

É possível ainda filtrar os resultados nas playlists — nome da música, nome do artista e nome do álbum — em ordem alfabética ou temporal, para tornar mais fácil a busca dentro da playlist, e também reorganizar a ordem das faixas em sua playlist.

Fonte: https://open.spotify.com/

As playlists oficiais do Spotify são divididas não apenas por gênero, mas também por estado de espírito e atividade. Caso seja fã de sertanejo, você pode buscar por playlists só com o gênero, assim como pode procurar playlists animadas para limpar a casa.

Fonte: https://open.spotify.com/

Existem também playlists só com artistas específicos e organizadas de acordo com os seus interesses, isso te ajuda a conhecer mais músicas dos artistas que gosta e dos artistas semelhantes.

Fonte: https://open.spotify.com/

Por fim, o Spotify também é uma rede social, que te permite ver o que os seus amigos estão ouvindo, assim como compartilhar as suas músicas em outras redes.

E como eu uso o Spotify no meu negócio?

Se você tem um negócio físico, como lojas e academias, ter música ambiente por si só já seria o bastante, já que você não precisaria depender de rádio, youtube ou músicas no pendrive para entreter os seus clientes.

Uma dica inclusive é ter um plano premium mais em conta só para não ter que lidar com os anúncios, caso preferir.

Porém, você que tem uma marca pessoal, como produtores de conteúdo, e profissionais autônomos também podem — e devem! — utilizar as ferramentas do Spotify de forma estratégica.

Vamos pontuar alguns exemplos:

  1. Crie playlists baseadas na sua marca.

Qualquer estabelecimento pode pegar playlists prontas para tocar ao longo do dia, mas e se você criasse playlists baseadas na identidade da sua marca?

Por exemplo: você tem uma barbearia, e você é uma pessoa que gosta muito de Jazz, Blues e Bossa Nova. São estilos diferentes que normalmente as pessoas não ouvem juntas, mas os seus clientes mais antigos já sabem que são a sua cara. 

Então ao invés de pegar uma playlist pronta, monte uma com as suas faixas preferidas. Isso gera identidade, pois os seus clientes vão passar a associar essas músicas a você e seu negócio.

No meio do atendimento começa a tocar sua música preferida do Tom Jobim, e você passa a conversar com o cliente sobre a música. Se ele gostar, vocês podem falar sobre o assunto durante o atendimento. Se ele não conhecer, será apresentado a uma experiência nova, e quando ouvir essa música em algum lugar, vai lembrar de você. 

Pode acontecer ainda do cliente marcar o seu perfil em páginas que trazem essas músicas e até mesmo sentir vontade de te apresentar as músicas preferidas dele nos próximos atendimentos, ou também mostrar músicas que lembram do seu negócio para saber se você conhece ou gosta. 

Isso gera uma conexão tão forte a ponto dos seus clientes começarem a enxergar a sua marca nas músicas que ouvem. Muito melhor do que apenas colocar um som qualquer para tocar, não acha?

Você também pode criar playlists para os seus clientes ouvirem ao longo do dia, baseadas nas músicas que tem a ver com o seu negócio. 

Um exemplo bem legal disso é a bunker, uma marca de cuecas do Rio de Janeiro que se destaca pela sua presença descontraída nas redes sociais. Eles criaram uma conta no Spotify para compartilhar playlists únicas, como “de bunker na estrada”, “de bunker no churrasco”, “de bunker na corrida”, “de bunker indo trabalhar”, e até mesmo a playlist “de bunker no dia das mães”.

Fonte: https://open.spotify.com/user/b7ed7ih4lxqkxjzhlg9g2osqe

As músicas não são escolhidas ao acaso, elas possuem estilos semelhantes que conversam com a proposta da playlist — como reunir samba, funk e pagode na playlist de churrasco, enquanto na playlist do dia das mães vemos músicas dos anos 80 — e conversam também com a marca

Marcas pessoais também podem usar esse artifício, um exemplo fantástico é o Gabriel Picolo, pseudônimo de Gabriel Bertasoli, artista gráfico brasileiro. Ele ficou conhecido pelas suas artes de Jovens Titans e foi convidado pela DC Comics a ilustrar as revistas em quadrinhos da saga.

O Picolo também criou sua conta no Spotify para divulgar playlists baseadas nos personagens da série. São tão boas que me inspiraram pessoalmente em uma das minhas histórias e até mesmo a criar uma playlist minha!

Fonte: https://open.spotify.com/user/12128432993/playlists
  1. Faça playlists colaborativas.

Um recurso muito legal no Spotify são as playlists colaborativas. Basicamente, você cria uma playlist e abre para que outras pessoas possam adicionar suas músicas nela.

Isso aconteceu no antigo box de crossfit que eu treinava. O box tinha uma playlist que deixava tocar nos treinos, sem muito preparo, até que um dia tiveram a ideia de abrir a playlist para que os alunos pudessem colocar as suas músicas preferidas.

Nem preciso dizer que foi um momento de muito entrosamento, não é? Os alunos gostaram muito da ideia e passaram a colocar várias faixas, eu inclusive, e ficou esse sentimento legal de ir para o treino com a expectativa de ouvir algumas das músicas que nós adicionamos.

O lado negativo é que por serem pessoas com gostos diferentes, a lista se torna bastante misturada, além de você precisar tomar cuidado com as músicas escolhidas para saber se não aparece nada impróprio lá. Porém, é uma ferramenta de integração muito boa, e você pode criar uma playlist à parte só para isso.

Para quem lida com atendimento ao usuário, como academias, cursos, lojas, lanchonetes, bares e afins, pode ser uma estratégia fantástica de identidade de marca e integração entre os clientes.

  1. Invista em playlists exclusivas.

Além das playlists transmitirem o estilo da sua marca, você também pode fazer com que apenas seus clientes tenham acesso às suas playlists.

Imagina que você está lançando um curso sobre Marketing Digital para profissionais da saúde. Você pode investir em conteúdos exclusivos, como apostilas e vídeos, assim como listas de músicas. 

Você muda as configurações dessa lista para deixá-la secreta, e então compartilha com quem comprar o seu curso. Se você for um produtor de conteúdo, pode oferecer uma playlist exclusiva para os seus seguidores, ou até mesmo trabalhar com a comunidade de amigos próximos no Instagram.

Isso causa um efeito de exclusividade no seu público, que vai se identificar e engajar ainda mais com a sua marca.

  1. Produza podcasts para o seu público.

Se você produz conteúdo, uma das formas que podemos usar é o audiovisual, ou apenas áudio, e o Spotify permite que os usuários possam enviar seus podcasts para a plataforma.

Um exemplo que eu gosto muito são as irmãs Alcântara, do blog Tudo Orna. Elas trabalham com empreendedorismo e comunicação digital, possuem marcas de roupas, cosméticos, uma cafeteria em Curitiba e uma escola de branding e mídias sociais. 

Uma das plataformas onde distribuem o seu conteúdo é no Spotify, tendo um podcast próprio. Inclusive, é o meu preferido.

Fonte: https://open.spotify.com/show/6TFfHHHcitQ7IktZ6K1ctm

O Geronimo Theml é outro bom exemplo. Coach e palestrante, ele tem seu podcast no Spotify, o Sai da Média, que eu também gosto muito.

Fonte: https://open.spotify.com/show/1nuFSa15qyDWQ4kY9kOwRD

A Marina Iarte, estilista e consultora de estilo em Presidente Prudente, também começou um podcast sobre moda e estilo, o Dizem as Más Línguas

Fonte: https://open.spotify.com/show/5ggwheTZ6wJqPq6xqps2Z4?si=F8DbFNXISuiZxpHSRy92yw

Isso mostra que você não precisa ser uma celebridade ou uma grande empresa para investir neste formato de conteúdo.

Você vai encontrar vários outros blogueiros e produtores de conteúdo no Spotify, até mesmo empresas e instituições. O Crefito-3, conselho de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo, tem seu podcast no Spotify sobre notícias da nossa área, o Fisio e T.O. em Movimento.

Fonte: https://open.spotify.com/show/5sWlYV6xsBdHJR4QZrQk1f

E agora esse blog também tem um podcast! Você já se inscreveu lá?

Fonte: https://open.spotify.com/show/3xUQ4VluF5N7ZmZNTkNeLj

Ter um podcast é uma forma legal de se comunicar com o seu público, mas vale a pena avaliar se você tem estrutura, tempo e recursos para investir e manter esse conteúdo. Caso sim e achar interessante, vai fundo.

  1. Personalize as suas playlists.

Você já criou as suas listas de músicas baseadas no estilo da marca, mas não deve se preocupar apenas com as músicas escolhidas, mas também com a formatação da playlist.

O Spotify permite que você coloque título, descrição e capa em cada uma das suas playlists. Geralmente as pessoas se importam apenas com o título e esquecem o resto, mas se você cuidar dos três elementos, pode se destacar ainda mais.

Eu sempre montei playlists que tinham a ver comigo, e quando eu decidi me profissionalizar, as minhas playlists também foram personalizadas. Em cada playlist eu montei um título e uma descrição mais descontraídas, por combinar com o meu estilo pessoal, e fiz um modelo de capa unificado, usando as cores do meu estúdio.

Se você for ver o meu perfil no Spotify, vai ver que as playlists têm todas o mesmo estilo visual e textual, e isso não foi feito à toa: é para estabelecer uma identidade marcante dentro do Spotify, conversando com a identidade visual das minhas outras mídias.

Fonte: https://open.spotify.com/user/12184550016/playlists

Uma coisa que eu fiz e gostei bastante foi separar as playlists por gênero e estilo, como já mencionei lá atrás, mas também fiz playlists temáticas para os dias da semana. Era uma ideia minha que resolvi compartilhar com os meus seguidores, para que a cada dia da semana você tivesse um estilo diferente para ouvir.

Isso é tudo por hoje! Espero que tenha gostado desse artigo, agora me fala: você já usa o Spotify em sua marca e/ou empresa? Conta para mim nos comentários.

Um abraço e até a próxima!

Referências:

A moda como ferramenta de branding pessoal

Moda. Essa palavrinha de quatro letras sempre fez com que eu me sentisse um ET, já que nunca foi meu forte ou mesmo meu interesse. Mas de uns anos para cá eu fui me interessando muito por um termo bem atual: branding.

Branding nada mais é do que o processo de construção e gestão de uma marca. É como uma empresa trabalha para ser vista e lembrada, mas o branding não está restrito às grandes empresas, ele também serve a pessoas como eu e você, que podem trabalhar a sua marca pessoal para se posicionar como profissional

Em outras palavras, branding significa comportamento e imagem, e o que mais pode representar a imagem pessoal do que a moda? Até porque moda é comportamento, sempre em constante mudança.

Comecei a estudar mais sobre o assunto para entender como posso usar a moda a meu favor, e consequentemente, te ajudar com esse processo. Mas eu entendo de fisioterapia e mídias sociais, não desse universo, então contei com o apoio de uma pessoa muito especial que vai falar um pouco com a gente sobre o assunto.

Recebam então o Rogério Duarte, publicitário e consultor de estilo aqui de Pompeia, responsável por cocriar este artigo comigo e nos explicar a relação entre moda e marca pessoal.

Vamos lá?

GB: Como você se envolveu com moda, Rogério?

Rogério: Desde pequeno gostei muito da área, mas na região que moro não tinha nenhum curso de Moda, então fiz Publicidade e Propaganda por orientação do meu pai. Ele me disse para começar com essa graduação por ter aqui onde moro e possuir alguma ligação com o setor, e quando estivesse mais estabilizado eu poderia enfim fazer o curso que queria. E, de fato, me identifiquei com a Publicidade.

Em 2008 visitei um ateliê de noivas em Curitiba, pois era casamento de uma prima e eu havia desenhado o vestido dela. Lá vi um anúncio que precisavam de um estilista. Fui convidado a trabalhar com eles, e me senti um pouco inseguro, já que sabia apenas desenhar, não tinha habilidades em corte e costura. 

Recebi a proposta de ficar um mês em experiência para ver como eu me saía. Passado esse período, fiquei mais 60 dias e depois disso fui efetivado. Nesse período, fiz minha inscrição para o curso de Técnico em Moda, no Senai Curitiba, e passei então dois anos trabalhando no ateliê durante o dia e à noite fazia o curso. 

Formei em 2010 em Moda, a partir disso trabalhei por seis anos lá no ateliê, com a produção de vestidos para noivas e festas, com editoriais de moda, foi um período bem bacana para mim. 

Depois desses seis anos eu saí e fui trabalhar como consultor de estilo na Versace, uma grife italiana. Isso me deu a oportunidade de conhecer o setor de Moda de Luxo, algo bem diferente da minha experiência no ateliê.

GB: O que te fez decidir a trabalhar com moda e estilo?

Rogério: Eu sempre gostei da parte artística e desenhar, tanto que desde os nove anos eu desenhava vestidos de noiva no caderno. Recebia até bilhetes dos professores, falando que eu não fazia a tarefa, só desenhava. 

Fui aperfeiçoando com o tempo, e minha mãe sempre me estimulou muito, assim como meu pai. Ela me comprava materiais de desenho, como lápis e papéis, enquanto meu pai me dava dicas de como melhorar os meus desenhos.

Minha família sempre deu muito apoio, mesmo não enxergando como uma profissão. Nem eu enxergava, a princípio. Fui entendendo com o passar do tempo que poderia profissionalizar esse meu talento

O incentivo e a valorização da minha família sobre a minha arte foi o que me incentivou a decidir por esse rumo.

GB: Além de consultor de estilo você também é publicitário. Você costuma trabalhar com esses dois setores separados ou consegue uni-los?

Rogério: Para mim funciona muito bem. Meu primeiro contato foi com Publicidade e Propaganda, que é venda. Você precisa acreditar naquilo para que você possa vender

Depois, quando eu fiz o curso técnico, eu precisava montar um catálogo de moda para o trabalho de conclusão de curso, e alguns alunos tercerizaram por não possuírem esse conhecimento de layout, arte e gráfica. O curso de Publicidade me deu isso, a chance de unir minhas duas experiências em publicidade e moda foi perfeito, pois consegui fazer exatamente como idealizei.

Atualmente, quando vou trabalhar com editoriais de Moda, não é só combinar sapatos ou que tipo de cabelo, enfim, não é apenas a parte estética. Existe um cuidado minucioso em conversar com o contratante para entender qual é a imagem que ele quer passar, o objetivo que pretende atingir com aquele editorial. 

Então é feito todo um estudo mercadológico, de conteúdo e produto, para depois desenvolvermos o trabalho artístico, que na verdade é isso que todo mundo vê nas revistas, nos sites e no Instagram. Eu costumo dizer que a beleza e o glamour são apenas o pico do iceberg, mas por baixo do nível existem várias outras coisas que, na verdade, é o que sustenta esse trabalho. 

Como diz Nizan Guanaes, um publicitário brasileiro, “Publicidade é mais transpiração do que inspiração”. Temos que trabalhar muito, pesquisar muito, para estruturar esse trabalho, para que esse glamour não venha vazio, e sim cheio de conteúdo.

GB: Sabemos que a gestão de marca leva em consideração vários fatores, que vão muito além do logotipo. A moda pode ser usada como estratégia de construção da marca e da identidade visual?

Rogério: Sim, mas é preciso analisar primeiro, pois para construir uma marca, você vai utilizar de várias estratégias de acordo com aquele segmento. A moda pode ser usada, desde que seja um segmento voltado para ela. 

Existe um estigma de que moda é luxo, o que não é verdade, pois existem várias vertentes da moda, e o luxo é apenas uma delas. A moda pode ser inserida em outro segmento, desde que ela esteja ligada com o perfil do produto que se deseja vender.

Por exemplo, o lançamento de um condomínio luxuoso pode buscar associar a imagem de poder e riqueza, e assim você vai colocar na propaganda pessoas bem vestidas, com um cabelo bem produzido, joias. Fazemos todo um trabalho de moda para passar essa mensagem, como seriedade, glamour, imponência.

A moda acaba tendo a função de ser uma embalagem, mas para que isso funcione, o produto precisa ter um conteúdo coerente com a mensagem transmitida.

GB: É mais fácil pensar na moda ao falarmos de modelos e influenciadores. Mas como micro influenciadores, produtores de conteúdo e até mesmo empreendedores e profissionais autônomos podem usar a moda para construir sua marca pessoal?

Rogério: A moda pode, deve e está sendo usada no meio corporativo. As pessoas contratam o personal stylist para traçar qual é perfil desse profissional e auxiliar a construir a sua aparência. 

E no mundo atual, a aparência é muito importante no meio corporativo, você deve estar sempre bem vestido. Porém, estar bem vestido não significa necessariamente usar uma grife ou uma roupa cara. O personal stylist vai traçar um perfil de acordo com a sua personalidade e desenvolver um estilo que tenha a ver com você

É muito bacana o relato das pessoas com quem fiz esse trabalho: a forma como o profissional muda, os elogios que recebo, como me olham diferente. Isso mexe com a autoestima da pessoa, consequentemente o trabalho melhora e rende mais. 

GB: Como pessoas comuns podem usar a moda para construir sua identidade no cotidiano?

Rogério: Gosto de enxergar essa divisão entre celebridades e pessoas comuns, porque é legal você se inspirar em alguém, mas é essencial buscar a sua própria identidade

Entender se você prefere estampas ou cores mais neutras, por exemplo. Se você vive em um lugar quente, você vai procurar roupas que tenham a ver com esse clima, com a sua personalidade e com o seu local de trabalho. Mas você também precisa levar em consideração o que faz você se sentir bem.

A construção de estilo é gradativa, você não acorda um dia como especialista. É aos poucos, percebendo com os comentários das pessoas, com o próprio espelho e como você se sente com aquilo. 

Ao mesmo tempo, essa construção depende também de muita observação e leitura, buscar informações e ler a respeito é muito interessante. Quando alguém quer mudar o visual, essa pessoa começa a pesquisar referências, e automaticamente já começa a pensar diferente na forma de escolher uma camisa ou planejar um corte de cabelo.

Falando assim pode parecer muito superficial, mas não é. A moda, quando usada de forma estratégica, é um verdadeiro efeito dominó. Ela reflete na sua autoestima, no seu trabalho e nos frutos que você colhe dele.

GB: Você acredita que a moda possui uma função social além da estética?

Rogério: Com certeza. Nós estamos acostumados a ver a moda como objeto de consumo, conceito esse que se iniciou com o fast fashion, através de lojas como Zara, Riachuelo, Renner, entre outras.

Depois dessa criação, todo mundo passou a se sentir um pouco estilista, ao ver as peças expostas e criar suas próprias combinações. O que pode gerar certos deslizes (e falo deslizes porque não acredito em certo e errado na moda), mas essa concepção ajudou a popularizar a construção de estilo em camadas sociais mais baixas.

A Zara é uma loja de departamento que eu gosto muito, outras lojas seguiram essa linha posteriormente, onde colocam um pessoal que entende do assunto, o visual merchandising, para montar as vitrines e deixar os modelos prontos para o consumidor. 

No início do fast fashion, as pessoas não estavam preparadas para isso, já que a moda conceitual e ter um estilo estava restrito à classe A, apenas. Hoje, o fast fashion levou a moda até outras classes, como B, C, D. Essas classes aprenderam a consumir moda através desse conceito.

Outro detalhe muito legal sobre o assunto é a questão da moda sustentável. Cada vez mais vemos tecidos ecologicamente corretos e a preocupação das marcas com o meio ambiente

A Osklen, por exemplo, é uma marca muito legal nesse aspecto. Ela trabalha com tecidos tecnológicos e tecidos naturais, é muito bacana. E se formos aprofundar no assunto, existem várias outras marcas que se preocupam com o meio ambiente e sustentabilidade. 

Eu gosto muito de frisar com esses exemplos de que moda não é futilidade, existe uma função social muito importante por trás dessa área.

GB: Quais dicas você dá para as pessoas que querem trabalhar com moda e estilo?

Rogério: Para falar sobre isso, preciso fazer uma analogia: a pessoa gosta de animais e decide fazer veterinária, mas ela gosta dos animaizinhos bonitos e saudáveis, e vai ser preciso lidar com animais doentes também.

A moda é a mesma coisa. Você pode gostar de consumir moda, de desfiles e revistas, mas trabalhar com moda vai além disso. Você precisa estudar muito, fazer pesquisa de mercado, que é muito exaustivo e trabalhoso. Para trabalhar com criação de coleções, você também vai pesquisar bastante sobre tecidos e cores.

As pessoas acreditam que trabalhar com moda é apenas dar dicas do que combina com o que, mas essa é apenas uma parte da moda. Eu digo que é a cereja do bolo, antes disso tem muito trabalho e estudo.

Eu cometi muito esse erro quando fiz faculdade. Como não gostava de matemática, fiz Moda por acreditar que não teria contato com a área. Mas para estudar costura e modelagem tive que saber sobre formas geométricas, e consequentemente, muita matemática. Só que a paixão pela moda era muito maior, então fui superando esses desafios.

Meu conselho então para aqueles que querem seguir esse estudo: procure se aprofundar, ler a respeito de como a moda surgiu. 

A História da Moda tem assuntos deliciosos para você aprender e conhecer a evolução da moda. As décadas de 1920, 1930 e 1940 são as que eu mais gosto, pois as pessoas lá se viravam com o que tinham. As modelagens eram mais bonitas e estruturadas devido aos únicos tecidos disponíveis na época, vindo dos uniformes militares. Usava-se cortes mais retos, tecidos mais estruturados… 

Enfim, o caminho é esse. Procurar se informar e estudar, para depois inserir o seu estilo dentro desse conhecimento, e assim você desenvolve a sua marca e sua identidade. É isso que vai fazer diferença no mercado.

Essa foi a primeira cocriação aqui na Grambélia, com o Rogério Duarte nos dando uma aula sobre moda e construção de estilo. Não sei vocês, mas eu amei e tô doido para aplicar esse conhecimento na minha marca pessoal.

Se ficou alguma dúvida sobre o assunto, deixe aqui nos comentários que a gente te responde. Quero agradecer ao Rogério pela disponibilidade e pela ajuda incrível neste artigo!

E você, começou a ver a moda com outros olhos? Conta pra mim o que achou.

Um abraço e até a próxima!

Nove motivos para estar no Instagram

Não tem como falar de redes sociais sem falar do Instagram, devido à relevância que o aplicativo construiu ao longo dos anos. Já publiquei um artigo aqui na GB sobre as principais redes sociais da atualidade, e como podem conferir, o Instagram está posicionado na lista.

Mesmo tendo me aprofundado em Gestão de Mídias Sociais como um todo, estudando sobre as diversas plataformas que permitem interação aos usuários, optei por me especializar no Instagram. Muito disso se deve à minha preferência pessoal pela rede, mas também pela infinidade de recursos que o Instagram oferece.

Eu gosto de dizer que o Instagram hoje é um verdadeiro universo digital, com várias funcionalidades e oportunidades, tanto para pessoas comuns, quanto para empresas.

Se você ainda não está no Instagram, ou não conhece muito sobre a rede, fica comigo que você não vai se arrepender!

Como surgiu o Instagram

Antes de te dizer as vantagens da plataforma, faz sentido para mim contar a história do Instagram. E essa história é bastante simples.

Tudo começou com dois engenheiros de software, chamados Kevin Systrom e Mike Krieger. O Mike é brasileiro, inclusive. Eles criaram um aplicativo chamado Burbn, inicialmente, que possuía várias funcionalidades. 

Para simplificar o app, eles decidiram focar na publicação de fotos, e assim surgiu o Instagram. O nome veio da fusão de instant camera e telegram, indicando que a função do aplicativo era compartilhar fotos instantâneas, como se fossem polaroids digitais.

O Instagram foi lançado para iOS no dia 6 de outubro de 2010, e no mesmo dia foi considerado o mais baixado pelos usuários, atingindo 1 milhão de usuários ainda em 2010. Em 2012 foi lançado para Android e comprado pelo Facebook por 1 bilhão de dólares.

Com isso já podemos pensar que o Instagram foi um sucesso desde a sua origem, pois se chamou a atenção do Facebook, uma das maiores empresas do mundo, é porque ele tem seu valor.

E quais são os principais pontos positivos dessa rede? Vamos conferir!

  1. Uma das redes mais usadas no Brasil

Segundo dados da Social Media Trends 2019, o Instagram teve a marca de segunda rede social mais usada no Brasil, com 89,4% de empresas e 92,5% de usuários nessa rede, segundo a pesquisa. 

Ou seja: se você não está no Instagram, saiba que seus amigos, familiares e até possíveis clientes provavelmente estão.

Para quem tem uma empresa, um negócio local ou é um profissional autônomo, é a chance de falar com vários possíveis clientes. Para pessoas físicas, é a certeza de encontrar seus amigos e familiares para manter contato.

  1. Oportunidade de ter um perfil comercial

Falei rapidamente sobre a oportunidade de empresas buscarem clientes no Instagram, e para isso, pode ser interessante ter uma conta profissional. A plataforma permite que qualquer pessoa possa criar uma página comercial para o seu negócio, e assim se comunicar com seu público.

Mas isso não se limita a empresas: profissionais autônomos e até pessoas comuns podem transformar sua conta pessoal em comercial, facilitando a gestão da sua marca. Ao contrário do Facebook, onde você precisa criar uma página separada do seu perfil, no Instagram você pode usar uma conta única.

E para gerenciar as contas, caso queira separá-las, também não tem segredo: você pode criar um perfil profissional atrelado à sua conta pessoal. Para alterar de uma para outra basta clicar em um botão e pronto, sem precisar de login e senha diferentes.

  1. Uma das redes com maior taxa de engajamento

Engajamento é a capacidade de um perfil criar envolvimento e interações com os usuários, que irão interagir espontaneamente com a conta. 

Para você que tem uma conta comercial, estar em uma plataforma com alto engajamento significa mais chances de fazer o seu negócio ser conhecido e se comunicar com seus clientes

E para quem quer apenas ter um perfil pessoal, isso também é interessante, já que estar em uma rede com poucas pessoas para interagir é muito desestimulante. Aqui você tem mais oportunidades de manter contato com as pessoas que você conhece e fazer novas amizades. 

Diferentemente do Facebook, você não precisa solicitar ou aceitar amizade com alguém para interagir com esse usuário. As pessoas podem ver suas publicações, se você quiser, e você pode conhecer e conversar com outros usuários em postagens que você comentar, aumentando sua rede de relacionamentos.

Outro ponto a favor da interação de usuários são os Stories: fotos e vídeos que desaparecem depois de 24 horas. Nos Stories é possível montar enquetes, abrir caixas de perguntas e comentários, enviar músicas e também indicar perfis e localizações físicas

A chance de receber respostas ao usar um recurso interativo nos stories é muito grande.

  1. Algoritmo integrado aos seus interesses

O Instagram é uma rede bastante visual, focada em fotos e vídeos, mas o aplicativo não te entrega conteúdo ao acaso. Existe um algoritmo incrivelmente complexo que analisa o que você gosta e te apresenta aquilo que se adequa aos seus interesses.

As pessoas com quem você mais interage tem preferência na sua linha do tempo. Por exemplo, se você curte e comenta com muita frequência as fotos dos seus filhos e netos, as postagens deles aparecem mais para você. Já nos stories, as pessoas que você mais interage aparecem para você com maior frequência.

Mesma coisa com marcas e influenciadores. Quanto mais você se envolve com o perfil — curtindo, comentando e compartilhando esse conteúdo — mais você vê as postagens nos primeiros lugares da linha do tempo e stories.

Na seção Explorar não é diferente. Se você curte muitas páginas e posts sobre viagens, ao entrar nessa seção você terá mais conteúdo envolvendo viagens. 

  1. Alinhado com as principais tendências mundiais

Se algo faz muito sucesso nas outras redes, pode ter certeza que estará no Instagram. Isso se não veio do próprio Instagram.

O conceito de Stories começou no Snapchat, e ao ver o potencial da ferramenta, o Instagram lançou a funcionalidade no app. Mais recentemente vimos a explosão do TikTok com os vídeos rápidos, fazendo o Instagram lançar as Cenas nos stories e o Reels, uma seção dedicada a esse formato de vídeos.

Deixando o questionamento moral e ético de lado, o Instagram sempre foi muito assertivo em analisar tendências e oferecê-las aos seus usuários. Estar no Instagram significa estar sempre perto das principais novidades e interesses do mundo inteiro.

  1. Integração com outros aplicativos e redes

Se você quiser compartilhar uma página da internet nas redes sociais, pode ter certeza que o Instagram será uma opção. 

Muitas redes sociais permitem que você integre seu perfil com a conta no Instagram, mostrando a relevância dessa plataforma entre as redes. Quando postar um story ou uma foto no seu perfil, e quiser postá-lo também no Facebook, conseguirá publicar nas duas plataformas dentro do Instagram. 

Recentemente saiu uma integração com o Messenger, o aplicativo de mensagens do Facebook, facilitando ainda mais a conexão entre as redes do grupo Facebook.

  1. Possibilidade de vender produtos pelo seu perfil

Com o Instagram Shopping, você pode criar uma loja virtual dentro do seu perfil, facilitando muito o trabalho de comerciantes e também pessoas físicas. O Instagram exibe o produto no seu perfil, você pode marcá-lo em publicações e o usuário pode efetuar a compra pelo próprio aplicativo.

É preciso ter uma conta comercial para ativar essa função, que não é nenhum segredo. É bastante rápido para criar um novo perfil comercial ou mudar sua conta para profissional.

E o melhor: você não paga absolutamente nada por esse recurso!

  1. Você pode fazer anúncios dentro do Instagram

Independente se você tem uma loja no perfil ou não, qualquer publicação sua pode ser anunciada. Desde um post que você queira promover para alcançar um público maior, até criar uma campanha publicitária completa dentro da rede.

O Instagram Ads é uma plataforma simples e completa, que te permite segmentar as campanhas por gênero, faixa etária, localização, gostos e interesses, e por aí vai. O custo é mais baixo do que anunciar no Google e outras mídias físicas, tendo assim um custo-benefício muito interessante.

  1. Ferramentas para analisar o desempenho da sua conta

Tendo uma conta comercial, o Instagram te oferece uma série de gráficos e métricas para que você saiba exatamente quem é o seu público e como criar estratégias para ele.

Análises completas de gênero, faixa etária e localização mais comum entre seus usuários, quantas pessoas visualizam seus stories, quantas e quais ações são tomadas pelo seu conteúdo (cliques no link, visitas ao perfil, taxas de comentários), e muito mais.

Informações que costumam estar disponíveis apenas em softwares e aplicativos especializados, estão dentro do seu perfil, disponibilizadas pelo próprio Instagram.

Esse foi o artigo de hoje, espero que tenha te dado uma boa visão sobre o Instagram. Se você ainda tem dúvidas sobre a plataforma, sobre como usá-la e que outros benefícios ela pode te trazer, me chama nos comentários que terei o maior prazer em te ajudar.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências