O iFood usa o marketing para sabotar seus entregadores e coagir clientes

Se você acompanhou as redes sociais nesta semana, pode ter visto um grande escândalo envolvendo o iFood: foi apontado que o aplicativo realizou estratégias de marketing com agências de publicidade para sabotar as reivindicações dos seus próprios entregadores.

A denúncia foi feita pela Agência Pública, uma organização de jornalismo independente, no dia 04/04/2022. A reportagem mostra que o iFood contrata as agências para se infiltrar nos movimentos de entregadores e minar o seu alcance.

Foram criadas páginas no Facebook, como a Não Breca Meu Trampo e a Garfo na Caveira, bem como perfis falsos nas redes sociais, visando se passar por entregadores.

Captura de tela da página “Não Breca Meu Trampo” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página “Não Breca Meu Trampo” no dia 09/04/2022.

Essas páginas e perfis observaram o comportamento, linguagem e pautas da classe e passaram a compartilhar postagens em apoio, ganhando atenção e identificação dos motoqueiros, e também da população. 

Em seguida, eram acionadas conforme o movimento que lutava por melhores condições de trabalho ganhavam força. Um grande exemplo foi o Breque dos Apps, que se iniciou em julho de 2020 e vinha ganhando força desde então.

Dessa forma, o público acreditava que os entregadores não compactuavam com as manifestações, quando na verdade, essas mesmas páginas eram administradas e patrocinadas pela própria empresa.

Imagem da manifestação “Breque dos Apps”. Fonte: vos.social/voos-literarios/breque-dos-apps-o-espirito-da-revolta
Imagem da manifestação “Breque dos Apps”. Fonte: vos.social/voos-literarios/breque-dos-apps-o-espirito-da-revolta

Uma tática da operação foi identificar que a vacinação prioritária era um ponto importante para a classe, e assim passaram a defendê-la dentro de manifestações trabalhistas, online e offline.

Ou seja: aproveitar o movimento que reivindicava condições dignas de trabalho para lançar outra pauta, ganhando atenção da mídia e população, e com isso ofuscar a causa inicial para que a verdadeira manifestação perca força.

Vários perfis falsos foram usados nessa empreitada, e segundo a reportagem, se trata de uma estratégia comum na política. Chamada Astroturfing, a ideia é gerar uma operação nas redes sociais que pareça surgir espontaneamente do público, quando na verdade é organizado por publicitários a mando de uma oposição.

Isso cria uma desconfiança generalizada sobre tudo que consumimos e a forma como as informações chegam até nós. Será que todo comentário nas redes sociais contrário aos movimentos sindicais e de coletivos representa a realidade ou foi criado por marqueteiros para fortalecer ainda mais a imagem de grandes empresas?

Vale ressaltar que a Garfo na Caveira, uma página bastante ativa, fez sua última postagem no mesmo dia em que a reportagem da Agência Pública foi ao ar.

Captura de tela da página “Garfo Na Caveira” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página “Garfo Na Caveira” no dia 09/04/2022.

Infelizmente, essa não é a primeira vez que o iFood apresenta movimentações de marketing para mascarar suas falhas. Segundo informações do Money Times e do Intercept Brasil, o aplicativo tem perseguido usuários que avaliaram o serviço negativamente no Reclame Aqui e oferecendo cupons de desconto em troca de boas avaliações.

A narrativa foi confirmada por diversos usuários no Twitter, alegando receberem os tais cupons pouco tempo após reclamar do serviço na rede. Outros receberam mensagens e e-mails de funcionários do aplicativo pedindo para que o seu atendimento fosse bem avaliado.

O Reclame Aqui é um dos principais termômetros para medir a confiabilidade das empresas, e esse episódio revela que mesmo portais de referência podem ser manipulados a todo instante, e o quanto as empresas estão dispostas a pagar para veicular uma imagem que não condiz com a realidade.

Captura de tela da página do iFood no site “Reclame Aqui” no dia 09/04/2022.
Captura de tela da página do iFood no site “Reclame Aqui” no dia 09/04/2022.

E se você pensa que o buraco do iFood termina aqui, ele ainda é mais extenso. A empresa foi condenada pela justiça brasileira a reativar a conta de um entregador que foi bloqueado injustamente, por não ter apresentado provas conclusivas que mostrassem as infrações cometidas.

E ainda, segundo um estudo da Universidade de Oxford, o iFood foi avaliado como uma das piores empresas com relação às condições de trabalho no Brasil e América Latina.

Essa denúncia da Agência Pública serve para nos mostrar o quão perigosa a publicidade se torna quando se utiliza meios fraudulentos para proteger grandes corporações. Deixa de ser uma ciência da comunicação para se tornar uma ferramenta de coerção social, atuando desde questões simples do mercado até desfechos políticos. 

Para nós, fica o alerta para a prática do Astroturfing e a conscientização sobre as práticas do app. Existe um movimento nas redes sociais orientando os usuários a não mais fazer pedidos pela plataforma, e sim diretamente pelos estabelecimentos, pois isso aumenta a remuneração dos entregadores e também a segurança do cliente em caso de atrasos e até fraudes no pedido.

O iFood prefere sabotar os coletivos de entregadores e perseguir clientes insatisfeitos ao invés de melhorar seus serviços e remunerações, e isso diz muito sobre a empresa. Nós realmente devemos dar dinheiro e visibilidade para marcas que possuam tais valores?

Resta saber até quando o iFood será considerado um caso de sucesso e empreendedorismo no LinkedIn, ou se vamos abrir os olhos para os escândalos do aplicativo e repensar a adoração que temos por grandes corporações

Enquanto você defende a integridade de uma empresa, esta pode estar desembolsando uma grande quantia para comprar o seu silêncio e impedir que os próprios colaboradores alcancem condições dignas de trabalho.

Um abraço, e a gente se lê por aí.

Referências

Manifesto conteudista: morte ao fast content e união da classe produtora

Esse texto é um desabafo, mas também um manifesto: produzir conteúdo é esgotante, e muitos de nós já não aguentam mais.

Talvez você possa pensar que essa ideia é um tanto derrotista da minha parte, já que os gurus nos ensinam a persistir e não desistir, estudar enquanto eles dormem, produzir enquanto eles descansam, e por aí vai.

Derrotista ou não, essa é uma realidade. Eu mesmo zerei a minha criação nos meus projetos, e há muito tempo não vejo mais os meus colegas se dedicarem aos seus perfis. Será uma coincidência, ou apenas as consequências do fast content?

Para quem desconhece o termo, fast content se refere ao método de produção em massa, estimulando criadores a postar 7 vezes por semana, aparecer nos stories, gravar vídeos, fazer lives e tudo mais o quanto antes, ou a sua audiência não vai se fixar em você.

Obviamente, essa cultura não é nada sustentável, já que produzir conteúdo leva tempo e esforço, e quando feita às pressas costuma dar ruim. Aliás, produzir conteúdo é um trabalho, e muito mau remunerado.

Por trás de toda pessoa que pede para que os seus produtores atualizem com mais frequência, existe alguém acabado que já não sabe mais como inovar e como se manter financeiramente em seu projeto. Isso é desgastante.

Eu tô usando o tempo para focar no meu trabalho fora da internet, já que fazer posts 6x por semana no Instagram não tem pago as minhas contas. Isso significa que desisto? Claro que não, apenas cheguei à conclusão que esse ritmo é absurdo e impossível de manter.

Aliás, recomendo esse texto da Sue Coutinho sobre a falência do fast content. Apesar de ser curtinho, ele sintetiza tudo o que eu penso sobre o assunto, então te convido à leitura.

No último episódio do podcast eu comecei a falar sobre slow content, e agora aproveito a deixa para prosseguir: nós devemos repensar essa cultura de alta velocidade com alta performance.

Tornou-se uma obrigação criar uma Monalisa por dia para manter o engajamento, mas ninguém consegue entregar essa expectativa tão alta, ainda mais fazendo totalmente de graça.

Ou você faz um trabalho bem feito ou você faz rápido e constantemente. Os dois juntos? Só pagando muito bem. Está disposto a isso?

Você que exige mais atualizações, já pensou em colaborar financeiramente com o seu produtor? Se ele puder bancar as contas com o trabalho dele, é mais fácil produzir com maior constância e qualidade.

Já você, produtor, tem buscado monetizar o seu conteúdo? Porque essa é a melhor forma de contornar essa situação e valorizar os seus corres. Eu também tenho pensado mais nisso, não é vergonha ou arrogância querer viver do seu projeto digital, e na atual circunstância, dinheiro é sempre bem-vindo.

Mas também devemos pensar que, se ainda não conseguimos monetizar o nosso trabalho, ou não o suficiente, não é hora de fazer mil e um investimentos nem nos desdobrar em trinta para produzir mais, ao contrário do que os gurus estão nos enchendo o saco para fazer.

Nem sempre aquele curso milagroso de “apenas” 10 parcelas de R$200,00 que te promete desbloquear o algoritmo e ganhar 1000 seguidores por dia é o que você precisa. Pode ser apenas umas férias mesmo, e tu ainda gasta bem menos.

É preciso pensar de forma inteligente, pois você pode até querer se desdobrar em trinta para manter suas redes atualizadas, mas o seu organismo aguenta isso até certo ponto.

Faça um trabalho pensado, não pesado. Pega a visão.

Slow content deveria ser o modelo a seguir, já que por anos os meios de comunicação apostam em formatos mensais para dar conta da qualidade. Por que não trazer essa cultura de volta?

Até mesmo repensar se as redes sociais de fato são o melhor ambiente para isso, ao contrário dos blogs e vlogs, que foram deixados de lado na última década. Era uma época boa, quando a gente podia publicar no nosso ritmo, em um espaço que era nosso, sem cobranças nem um algoritmo safado. Nós poderíamos voltar a produzir dessa forma, apenas pelo prazer de se comunicar na internet.

E se você acha que nunca vai crescer dessa forma, porque o algoritmo jamais prioriza um produtor que valoriza mais a qualidade das suas postagens do que a quantidade, a resposta é simples: colaborar é melhor do que competir.

Essa frase da Efeito Orna me acompanha desde o momento em que conheci as ideias das irmãs Alcântara, e mais do que nunca passei a refletir sobre o real significado dessa ideia.

Nem todo mundo precisa ser produtor de conteúdo, e nem todo produtor quer ou consegue manter um ritmo frequente. Mas nós fazemos isso porque compramos a ideia de que todo mundo tem que usar as redes para divulgar o seu trabalho.

Ao invés de ter várias pessoas diferentes se matando para produzir posts isolados, seria mais inteligente unir forças em uma direção só, para que a união de conteúdos gerasse a constância necessária.

Isso significa que você deixa de trabalhar a sua marca pessoal? De forma alguma, porque o que foi feito por você tem a sua essência e o seu toque, aposte sempre na sua forma única de fazer o que outros já fazem.

Mas não tenha medo de colaborar com um grupo de criadores, pode ser o que você precisa nesse momento. Sem medo nem forçar os seus limites, respeitando o seu ritmo de criação.

Eu decidi abrir as portas da Grambélia para quem quiser contribuir com esse universo da Comunicação Digital. Se você sabe sobre o assunto, quer se tornar uma autoridade na área, mas não tem tempo nem saco para manter consistência nas redes, vamos trabalhar juntos.

Produtores de conteúdo de todas as redes, uni-vos! Porque não podemos mais nos render a essa necessidade doentia de produzir freneticamente como se não houvesse um amanhã.

O amanhã existe, e talvez as redes que escravizam o nosso tempo nem farão parte dele, mas você continuará tendo todo esse potencial escondido aí dentro, que poderia ser mais bem aplicado dentro de um ecossistema inteiro, ao invés da solidão do seu perfil.

Desde já, desejo um feliz natal e um excelente ano novo, que em 2022 você decida guilhotinar de vez o fast content e tornar o seu projeto um centro de satisfação e retorno, até mesmo financeiro, ao invés de uma simples obrigação compulsiva.

Um abraço, e a gente se lê por aí!

O Instagram ainda vale a pena?

Já faz algum tempo que eu, Gabriel Bellia, não produzo mais conteúdo no Instagram, e durante todo esse período fiquei me questionando se valia a pena retornar.

Lá no Instagram eu comecei o Tá Difisio e depois a Grambélia, por quase um ano eu produzi conteúdo seis vezes por semana, sem parar. Já cheguei inclusive a gerenciar cinco contas ao mesmo tempo, sendo uma delas de um cliente e as demais eram projetos meus.

Eu tenho até um artigo aqui no site falando sobre os nove motivos para estar no Instagram, justamente por acreditar no potencial da rede, e então parei toda a minha produção.

Como e por que um especialista em comunicação integrada no Instagram decidiu repensar sua presença na sua rede de especialização? Fica comigo que eu te conto!

Instagram X TikTok

Essa história começa no dia 30 de junho de 2021, quando Adam Mosseri, chefe do Instagram, fez uma publicação nas suas redes sobre as principais mudanças que poderíamos esperar para a plataforma.

Fonte: Adam Mosseri (Twitter)

Nisso, ele confirmou uma suspeita já antiga entre os usuários: o Instagram decidiu priorizar os conteúdos em vídeo para rivalizar com TikTok e YouTube.

O Instagram no início era uma plataforma de fotos, que acabou aceitando conteúdo em vídeo no feed, limitado a 1 minuto. Depois disso lançaram o IGTV, em 2018, que permitia mais tempo de duração, e mais recentemente os Reels, agora em 2020.

E a rede já mostrava um comportamento predatório, como a implantação dos Stories em 2016 para ultrapassar o Snapchat, depois de não conseguir comprar a empresa. O IGTV foi pensado para derrubar o YouTube, enquanto os Reels tinham o propósito de tirar mercado do TikTok.

O mesmo modus operandi do Snapchat: a empresa se nega a vender suas ações para o grupo Facebook, então eles lançam uma ferramenta similar e a promovem intensamente nas suas plataformas.

Contudo, o TikTok cresceu de uma forma que o Instagram não conseguiu acompanhar, e com isso todo o foco da rede caiu sobre o Reels. O próprio Adam cita isso em seu vídeo:

“Nós não somos mais um aplicativo de compartilhamento de fotos, ou um aplicativo de compartilhar fotos quadradas. […] Porque sejamos honestos, há realmente uma grande competição agora. TikTok é enorme, YouTube é ainda maior, e existem muitos outros iniciantes também.”

Adam Mosseri

E com isso ele afirma que o Instagram agora estará focando nos conteúdos em vídeo. O que ele não conta é que isso significa tirar o alcance dos conteúdos estáticos para dar visibilidade aos Reels.

Tanto que mudaram a interface da página inicial do app, colocando a aba Reels no lugar do botão de Enviar Conteúdo, a região de maior destaque da tela. Isso não foi feito à toa.

Mas qual é o grande problema disso?

O TikTok nasceu e cresceu como uma plataforma de vídeos curtos, o Instagram não. Sua especialidade eram as fotos, tanto que o nome do app vem de instant telegram, uma rede de fotos instantâneas.

Por mais que o Instagram inseriu vídeos e outros recursos, ele ainda era reconhecido como uma plataforma de fotos desde 2011, e depois de criar essa reputação sólida por nove anos, a rede jogou tudo para o alto para se tornar um aplicativo de vídeos similar aos que já existem.

O Instagram era soberano entre as redes de fotografias, e agora luta para se assemelhar às redes de vídeos que já estão consolidadas. O grupo destruiu o que havia de mais poderoso no Instagram: sua identidade.

Quem usava o Instagram, usava pelas fotos. Quem se encontrou no TikTok, foi pelos vídeos.

Achar que um público de fotos vai se tornar um público de vídeo, e que um grupo que já está familiarizado por um app de vídeos vai trocá-lo por outro similar, não foi uma aposta inteligente. Simples assim.

E isso leva a outro problema.

E se eu não gostar de vídeos?

Imagina que você começou a fazer faculdade de Administração. Você viu a proposta do curso, se identificou com a grade curricular, e tomou a decisão de seguir a área.

Porém, a instituição percebe que o curso de Veterinária está em alta, e resolve transformar o curso de Administração em Veterinária para surfar essa onda. Ela pode atrair mais pessoas interessadas no segundo curso, mas e quem tinha a vontade de ser administrador?

Essas pessoas vão largar o curso e procurar outra instituição, concorda? Pois é basicamente isso que tem acontecido com o Instagram.

Quando você muda a sua identidade, formato e objetivos sem consultar o seu público, está correndo o risco de perdê-lo.

Porque quem acreditava no Instagram desde o começo, estava familiarizado com conteúdo visual. Alguns podem saber o básico ou até mesmo gostar de produção de vídeos, mas não dá para garantir que todos vão seguir o mesmo caminho.

E se a plataforma que eles acreditavam deixa claro que a prioridade é um conteúdo totalmente diferente do que o consagrou, e muito diferente do que estavam acostumados e especializados, uma possibilidade é aproveitar esse conhecimento em outro lugar ao invés de mudar a sua produção.

Afinal, é mais fácil você cursar Administração em outra faculdade do que aprender Veterinária, não acha?

Dessa forma, vale a pena pensar se você realmente quer produzir no Instagram ou buscar outra plataforma.

O algoritmo ajuda ou atrapalha?

Alguns vão rever seu formato de conteúdo para se adaptar às novas políticas do Instagram, outros vão preferir migrar para novas plataformas. Não tem como prever, apenas entender o comportamento dos criadores.

Mas existe outro porém nessa história, que já vem sendo discutido há bastante tempo: o algoritmo do Instagram.

O Adam publicou um artigo no blog oficial do Instagram em junho desse ano sobre o funcionamento do algoritmo. Ele cita que na verdade não existe um algoritmo, e sim vários, que juntos entendem o tipo de conteúdo que cada usuário prefere.

Mas como o resultado final é o mesmo, pouco importa os detalhes, então podemos chamar de Algoritmo numa boa.

O algoritmo é um conjunto de códigos e processos que detectam as preferências do usuário e entregam aquilo que se assemelha aos seus favoritos. E por ser formado por códigos, o algoritmo não é bom nem ruim, e sim eficaz ou não.

Segundo o Adam, o Instagram tem como um dos critérios a sua interação com as contas. Quanto mais você curte, comenta e compartilha as publicações de um usuário, mais chances desse conteúdo aparecer no seu feed.

Com isso já temos um problema: e se eu sou do tipo de pessoa que vê as publicações, mas não comenta nem compartilha? O Instagram vai entender que esse é o meu perfil comportamental ou vai simplesmente inferir que esse conteúdo não me agrada?

Outro ponto é a frequência de postagem. Como a plataforma abandonou o feed cronológico pelo alto volume de publicações, nem tudo vai chegar para você. O Adam cita no artigo que eles evitam “mostrar muitas publicações sucessivas da mesma pessoa”, mas qual seria o número exato para isso?

Se você posta muito — e aqui não temos ideia do que seria esse muito — o Instagram não vai entregar tudo. E se você posta pouco — mais uma vez, não sabemos o que seria esse pouco — as pessoas interagem menos, já que existe uma avalanche de postagens diariamente.

Por isso, o artigo mostra que o algoritmo não entrega o seu conteúdo para todos os seus seguidores.

Cerca de 10% dos seus seguidores verão as suas postagens no feed, os outros 90% não terão conhecimento delas. Quando você tem 100 mil seguidores, 10 mil receberão as publicações, mas para quem tem 100, apenas 10 vão saber que tem conteúdo novo.

E quantos desses 10 vão curtir, comentar e compartilhar? É difícil prever.

Para contornar esse problema, o Instagram oferece o impulsionamento de postagens, em que você promove um post para alcançar mais pessoas, inclusive pessoas que não te seguem.

Mas você percebe que, no fundo, é preciso colocar dinheiro no Instagram para que as pessoas que te seguem — por livre e espontânea vontade e interesse — possam receber o que foi postado dentro da própria rede?

É difícil afirmar que o algoritmo do Instagram é eficaz com todas essas particularidades.

O que você produz X o que o Instagram oferece

Eu disse lá atrás que agora você pode escolher entre começar a produzir vídeos ou migrar de rede, mas a verdadeira pergunta é bem mais complexa do que isso: o Instagram é de fato a melhor plataforma para você?

Falando da minha experiência como produtor de conteúdo, meu ponto forte sempre foram os textos. Eu me expresso muito melhor na escrita, consigo organizar melhor minha linha de raciocínio e ser mais didático escrevendo.

Mas o Instagram não é o melhor lugar para textos, pois temos um limite de 2.200 caracteres, e o seu foco é audiovisual. Se eu quiser escrever, preciso postar uma foto ou vídeo junto.

Se eu quiser montar um artigo completo como esse, não tenho como fazer no Instagram, será preciso achar fotos e vídeos para postar com o texto, e fragmentá-lo para caber em diversas postagens.

Eu sempre bolei meu conteúdo primeiro em texto e depois em imagens, e isso não faz sentido. Ao invés de encontrar fotos que se adequem ao texto, eu poderia postar o artigo em um lugar específico para isso, e talvez ilustrar com imagens.

Detesto fazer vídeos, já tive várias experiências como videomaker que não foram agradáveis para mim, inclusive um vlog no YouTube muitos anos atrás.

Eu me incomodo com a forma como não consigo focar na câmera, se a iluminação não estiver 100% boa, com o cenário, a produção e edição do vídeo, a minha imagem e o que eu estou usando… Se eu me forçar a produzir vídeos, não vou garantir um bom trabalho, já que odeio fazer isso.

É a mesma coisa de quem odeia academia: é melhor insistir na musculação, que você não gosta, ou buscar outro tipo de exercício que te agrada?

Foi assim que eu encontrei o podcast. Eu posso montar o texto para o blog e depois transformar em áudio, sem me preocupar com todos aqueles pontos do vídeo. Assim eu posso explorar outros formatos sem ter essa rigidez de me prender a algo que eu não gosto.

Se você não quer trabalhar com vídeos — o foco do Instagram agora — sugiro encontrar a plataforma que se adeque melhor aos seus interesses.

Para textos, Facebook, LinkedIn, Tumblr, Twitter e Medium são boas escolhas. Para vídeos, YouTube, TikTok e Kwai são alguns exemplos.

Para podcasts, o Anchor vale muito a pena para você que é produtor. É o que eu uso atualmente e te permite publicar em várias mídias, incluindo o Spotify. Mas se você só quer consumir, tente Spotify, Deezer e SoundCloud, entre outros.

E para as imagens, existe o Pinterest, Behance, Tumblr, Twitter, DeviantArt, ArtStation, Snapchat, e por aí vai. Cada rede tem sua especificidade, e você pode encontrar a que mais se adequa ao seu perfil.

Mas os meus seguidores estarão nessas plataformas?

Olha, nem sempre, mas cada rede tem o seu público definido, e pode receber novos usuários todos os dias. Você prefere ter 5.000 seguidores no Instagram que não interagem com o seu conteúdo, ou 100 em outra plataforma que estão sempre engajando com o seu trabalho?

É tudo uma questão de pontos de vista.

Então eu devo desistir do Instagram?

Seria ótimo eu responder essa pergunta com “sim” ou “não”, né? Mas não é tão simples assim, é preciso pensar em vários detalhes, e o principal é: você quer continuar no Instagram?

Eu tenho os meus motivos para me posicionar sobre o Instagram, você pode ter os seus, e os nossos contextos podem não se cruzar. Inclusive, esse é um grande problema dentro do meio de comunicação digital, é muito influencer e guru dando ordens sem conhecer a sua trajetória.

Eu posso sair do Instagram, encontrar outra plataforma e fazer muito sucesso, mas isso não garante que você vai ter o mesmo resultado. Ou então você decide continuar no Instagram, e dá muito mais certo do que eu já consegui.

Você precisa refletir sobre tudo isso que eu apresentei aqui e tirar as suas próprias conclusões, pois somente você poderá definir o que é melhor para você. 

Eu, Gabriel Bellia, decidi não mais ser um produtor de conteúdo no Instagram, vou apenas movimentar as minhas redes esporadicamente, porque eu prefiro investir meu tempo e energia nas redes em que eu possa explorar o que eu faço de melhor: áudios e textos.

Ainda existe vida no Instagram, não podemos negar, e a forma como você se dedica ao seu projeto é um grande indicador de como você vai crescer, independente da plataforma escolhida.

O que eu quero te fazer pensar é: o Instagram não é a única escolha, fazer diversos Stories todos os dias não é regra, e gravar dancinhas para o Reels não é necessário, se você não quiser.

E se me permite um conselho, assista esse vídeo da Nátaly Neri, falando sobre algoritmo das redes, fluxo de conteúdo e saúde mental. Vale MUITO a pena.

Fonte: Nátaly Neri (YouTube)

E é isso. Um abraço, e até mais!

Referências:

Luísa Sonza e a violência digital contra mulheres

Se você não conhece a Luísa Sonza, ela é uma das maiores cantoras pop brasileiras da atualidade. Entre os seus inúmeros hits, Braba foi a música que mais emplacou nas rádios e mídias sociais.

Clipe da música “BRABA”, de Luísa Sonza.

Nessa semana a equipe de Luísa Sonza informou que a artista precisou deixar o país e as redes temporariamente. O motivo? Uma onda de comentários raivosos e ameaças de morte à cantora nas redes sociais.

Luísa se casou com Whindersson Nunes em 2018, e em abril de 2020 se separaram. Na época, começaram os rumores que ela só se casou para crescer na carreira e teria largado o humorista. Mas em junho ela lançou o clipe “Flores” com Vitão, os usuários apontando nas redes que Luísa teria traído Whindersson.

Luísa e Whindersson na praia.
Fonte: Jovem Pan.

Ela começou o seu processo de negar os boatos, sem sucesso, até que em setembro eles assumiram o namoro, e Whindersson começou a namorar a estudante Maria Lina em novembro. A partir disso a história ficou mais complexa.

Maria engravidou pouco tempo depois, e em maio deste ano uma discussão entre Luísa e Whindersson veio à tona, começando com uma crítica da cantora ao governo. Quando um usuário a acusou, novamente, de ter traído o comediante, ela se manifestou e em seguida Whindersson confirmou que Luísa não o traiu e que foi ele quem rompeu o casamento, não a cantora.

Já nessa época, Luísa afirmava que ela e o namorado estavam sofrendo ataques não só nas redes sociais, mas também nas ruas, por causa desse boato de traição. Vitão já foi assediado em shows drive-in e também por um trio de rapazes que pediram um vídeo com o artista. A família de Luísa também estava recebendo ameaças de morte pelas redes sociais.

No dia 31 de maio, Maria Lina perdeu o bebê, que nasceu prematuro no dia 29, e aqui se inicia a fase mais sombria da história de Luísa Sonza: ela foi culpada pela morte do bebê, por usuários, nas redes sociais.

As redes sociais de Luísa Sonza foram bombardeadas de insultos e ameaças de morte, como divulgou o Fantástico no dia 06 de junho. Entre os áudios e comentários, ela foi chamada de “assassina” e que seria “desossada e queimada viva”. Recebeu imagens de armas com a indicação de que ela e os familiares seriam mortos.

Vale lembrar que Luísa desenvolveu depressão e síndrome do pânico nesse período.

Pessoas se uniram em um coro virtual para agredir uma figura pública, mulher, por boatos. Muitos fãs do humorista criaram a missão pessoal de infernizar a cantora de todas as formas possíveis por um rumor que foi negado pelo próprio Whindersson, e mesmo assim Luísa segue sendo agredida e responsabilizada pela morte do seu filho.

Não é de hoje que a internet vem se tornando um espaço sangrento, mas essa jornada da Luísa Sonza é um indício máximo de que precisamos mudar nosso comportamento digital.

O que garante que um desses usuários faça um atentado contra a cantora por causa de um boato já desmentido por ambas as partes? Ou que Luísa, fragilizada pelo seu estado psicológico, cometa suicídio por não aguentar a pressão?

O mais assustador é saber que existem pessoas na internet contando com uma dessas possibilidades, e dispostas a torná-las realidade.

Se você acredita que não se iguala aos usuários maníacos que estão promovendo esse linchamento virtual, questione-se: nas suas redes há comentários e mensagens raivosas direcionadas à pessoas que não te agradam? Você diz coisas desrespeitosas e agressivas na internet por indignação ou entende que o seu direito termina onde o direito do outro começa?

É preciso fazer um pacto pelo fim desse tipo de conduta na internet. Violência digital diz respeito a todos nós, e pode acontecer com qualquer um. Internet não é terra sem lei, então caso se depare com situações do tipo, denuncie.

Será que você aguentaria passar por tudo isso que a Luísa vem enfrentando?

As protagonistas de Coisa Mais Linda e o perfil empreendedor dos quatro temperamentos

Quando eu vi o trailer da série Coisa Mais Linda, da Netflix, eu me encantei logo de cara. E ao ver que eram apenas duas temporadas com sete e seis episódios mais ainda, já que eu detesto séries muito longas.

Coisa Mais Linda fala sobre a jornada de quatro mulheres no Rio de Janeiro nos anos 50, uma época marcada pelo surgimento da Bossa Nova, e também pelo modelo patriarcal da sociedade. 

Coisa Mais Linda: série brasileira da Netflix sobre empreendedorismo, feminismo e bossa nova no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60.
Arte oficial da série com as quatro protagonistas. Da esquerda para a direita: Lígia, Thereza, Malu e Adélia.

Na série, Malu se muda para o Rio com a ideia de abrir um restaurante com seu marido, e ao chegar na capital descobre que ele fugiu com seu dinheiro, deixando-a com absolutamente nada.

A história mostra o renascimento de Malu ao decidir inaugurar um clube de bossa nova no prédio onde seria o restaurante, e a luta para se firmar em uma sociedade onde as mulheres não tinham voz nem direitos

Quando você assiste a série, percebe que são quatro mulheres totalmente diferentes que decidem crescer profissionalmente na década de 50. E ao ver a trajetória de cada uma, não consegui deixar de enxergar na história um conceito importante na Psicologia: os Temperamentos.

Talvez você já deve ter ouvido falar desse termo, mas caso não conheça o assunto, os temperamentos são traços de personalidade que determinam tendências de comportamento. Uma pessoa de determinado temperamento tende a agir de uma forma específica em cada situação.

Meu objetivo neste artigo não é te transformar em um especialista no assunto, mas te mostrar algumas características que discutimos nesse meio e sua relação com a série

A história de Coisa Mais Linda foca muito no empreendedorismo e empoderamento feminino, dois assuntos que eu também gosto muito. Por isso eu quero te mostrar como os temperamentos podem indicar o perfil empreendedor de cada pessoa, baseado nas quatro protagonistas da série.

Curioso, não acha? Fica comigo que eu te explico essa mistura!

O que são os temperamentos humanos?

Apesar de parecer recente, esse conceito é muito antigo, vindo da Grécia Antiga. Hipócrates foi o primeiro a falar sobre o assunto, em 400 a.C, entendendo que o ser humano pode ser definido por quatro tipos de temperamentos.

A Filosofia, a Psicologia e a Neurociência se apropriaram do estudo sobre os temperamentos e o desenvolveram ao longo do tempo. Hoje se entende que os temperamentos são itens da inteligência emocional, definida por Daniel Goleman, pois indica como as pessoas tendem a reagir através do seu perfil temperamental.

Contudo, os temperamentos não são fixos, cada pessoa possui traços de um ou mais deles, e também é importante frisar que eles não definem o indivíduo. Goleman defende que a inteligência emocional depende de vários fatores e pode ser desenvolvida.

E quais são os temperamentos e como se conectam com as protagonistas de Coisa Mais Linda? Eu te explico:

Malu é colérica

Malu, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Maria Casadevall.
Malu, personagem de Maria Casadevall.

O temperamento colérico torna as pessoas naturalmente confiantes e determinadas. Pessoas coléricas tendem a ser muito criativas, impulsivas, naturalmente empolgadas e com aptidão para liderança. Gostam de tomar a frente e fazer as coisas acontecer, sem pensar muito nas consequências.

Assim é a Malu, a paulistana que largou tudo para construir um restaurante com o marido no Rio de Janeiro. Medo de dar errado ou de não ser o que ela pensava? Muito pelo contrário, a Malu mergulhou de cabeça nessa ideia. 

E ao se dar conta de que não tinha mais nada, decidiu fazer algo que ninguém jamais tinha feito naquela cidade.

Ela é uma mulher bastante corajosa e expansiva, tem ótimas ideias e não pensa muito antes de agir, prefere abrir caminho e ver o que acontece. Acaba atropelando os outros no caminho, age com exageros e acredita que tudo gira a seu redor.

Do ponto positivo, o temperamento colérico traz muita iniciativa, o que é fundamental para o empreendedor. É preciso coragem para tirar as ideias do papel, e mais ainda para seguir em frente mesmo sem saber exatamente por onde anda

Muitas vezes o empreendedor precisa aprender fazendo e fazer aprendendo, pois se esperar até o momento ideal, ele pode nunca acontecer. É uma característica muito forte da Malu, ao longo da série ela vai testando e aprendendo, todos os dias.

Do ponto negativo, a pessoa colérica pode meter os pés pelas mãos pela falta de planejamento. Apesar de ser tentativa e erro, você precisa ter um estudo prévio para entender o que precisa saber antes de sair desbravando, para que o seu negócio seja sustentável, e não uma série de faíscas desordenadas.

Além disso, empreendedores coléricos possuem uma dificuldade em separar o profissional do pessoal, a tão necessária inteligência emocional. Quando as coisas dão errado a Malu se desespera e acaba incendiando tudo e todos ao seu redor. 

E por ser altamente focada em si mesma, age como se fosse o centro do mundo, o que dificulta as relações interpessoais. Sente como se nada mais importasse além do que as suas vontades, pisando em todos para se encontrar no mundo.

Se você que é colérico quer empreender, seja assertivo e proativo, não tenha medo de errar ou não saber o que fazer, mas trace um plano bem definido antes de começar, e não leve as adversidades para o lado pessoal

Saiba ouvir e enxergar o outro, e entender que nem sempre as coisas serão da forma como você quer, e sim como precisam ser. Colaborar é melhor do que competir.

Adélia é fleumática

Adélia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Pathy Dejesus.
Adélia, personagem de Pathy Dejesus.

O temperamento fleumático representa os indivíduos realizadores e pacíficos. Pessoas fleumáticas são pragmáticas, analíticas e resilientes, sabem observar o que acontece ao seu redor e possuem uma paciência inerente.

Da mesma forma, Adélia é a personagem mais pé-no-chão da série. Sócia de Malu no clube, foi a primeira a dar ouvidos à paulistana e ajudá-la a construir o Coisa Mais Linda. 

Mesmo sendo empregada doméstica, mãe solteira, analfabeta e moradora da favela, Adélia acreditou na proposta, se permitiu sonhar e deu todo o suporte que precisavam para tirar os planos do papel. 

Quando era preciso botar a mão na massa, era a negra quem fazia o que precisava ser feito. Sempre paciente e persistente, tem seu ritmo próprio e mostra que devagar se chega longe. Principalmente com trabalho duro.

Para conquistar um empreendedor fleumático é preciso tempo, fatos concretos e números. Eles são racionais e disciplinados, agem com a lógica e valorizam mais o planejamento e diplomacia

São gentis e sonhadores, apesar de preferirem focar no agora e no que é concreto, e altamente confiáveis. Gostam de tratar bem o próximo e são sempre muito solícitos.

Um ponto negativo importante é a sua lentidão para tomar decisões, assim como sua tendência à inércia. São pessoas que pensam tanto que acabam deixando oportunidades passar por insegurança, e se arrependem depois por falta de proatividade. 

Podem ter dificuldade em receber críticas e expôr suas ideias, optando pelo silêncio para não precisar se posicionar diante do outro.

Por outro lado, fleumáticos lidam muito bem com as adversidades, são ótimos planejadores e costumam ser vistos como o pilar que sustenta os demais em suas empreitadas.

Se você é uma pessoa fleumática e quer empreender, meu primeiro conselho é: arrisque, você vai ter que aprender no caminho. Mas a sua capacidade analítica é sua maior aliada, então esteja sempre traçando metas e criando objetivos para se guiar

Não tenha medo de se expor nem de tomar iniciativas, você não precisa abaixar a cabeça a todo momento nem se colocar um degrau abaixo. Sua voz tem muito poder, não tenha medo de usá-la.

Theresa é sanguínea

Thereza, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Mel Lisboa.
Thereza, personagem de Mel Lisboa.

O temperamento sanguíneo traz leveza e dinamismo nas relações humanas. Pessoas sanguíneas são mais comunicativas e curiosas, gostam de lidar com pessoas e expressar suas ideias. São inquietas e gostam de chamar a atenção por onde passam.

Quando você vê a Theresa pela primeira vez, isso fica nítido. É a mais libertária do grupo, sempre se considerou feminista, e a única que trabalha em um posto de destaque. 

Ao contrário da Adélia, que era doméstica, Theresa é colunista em uma revista, e a única mulher na redação. Começa a história como colunista, resolve escrever um livro e depois se torna radialista, sem deixar de lado a vida social. 

É naturalmente expansiva e eclética, sempre está disposta a fazer amizades e fala muito bem em público, costuma ser vista como anfitriã mesmo sendo apenas uma convidada.

Como podemos ver, os empreendedores sanguíneos possuem múltiplas habilidades e adoram explorar as diversas possibilidades. Eles podem ter uma empresa de tecnologias, dar aulas de violão, fazer uma faculdade de saúde e escrever artigos no tempo livre, tudo ao mesmo tempo. 

Adaptáveis, tendem a trabalhar com comunicação ou áreas que permitem lidar com pessoas, como o comércio. Eles sabem dialogar com vários públicos e trabalhar com vários formatos e canais.

Porém, sua natureza multipotencial também revela uma dificuldade em focar no que é importante. Fazem tantas coisas ao mesmo tempo que largam muitos projetos no caminho. 

Impulsivos, podem simplesmente enjoar do que fazem e pular para outra ideia sem pensar com clareza, é um grande risco no empreendedorismo. 

Além disso, passam a ideia de superficialidade e exagero, pois sabem muito sobre diversos assuntos ao invés de se aprofundar em poucos e essenciais. O empreendedor precisa sim saber um pouco de tudo, mas é fundamental construir uma base em alguns pontos estratégicos.

Para os empreendedores sanguíneos, busque trabalhar perto de pessoas e para pessoas, já que sua personalidade magnética é sua arma mais poderosa. Mas é preciso sair da bolha e se aprofundar no que é mais importante para o seu negócio, para que ele possa se sustentar com as adversidades. 

Vale a pena frear os impulsos e cultivar o foco para não se perder no processo, entendo onde você está e onde quer chegar. O lenhador que gasta mais tempo amolando o machado corta mais árvores com menos esforço.

Lígia é melancólica

Lígia, uma das protagonistas de Coisa Mais Linda, interpretada por Fernanda Vasconcellos.
Lígia, personagem de Fernanda Vasconcellos.

O temperamento melancólico representa as pessoas sensíveis e introspectivas. Os melancólicos são complexos, intuitivos, sensíveis e desconfiados, pessimistas convictos, mas podem se tornar incrivelmente leais ao conquistar sua confiança.

E dentro do quarteto, Lígia é a mais melancólica. Valoriza as amigas e a família acima de tudo, é doce, sensível, carinhosa e amável. Tem paixão pela música, apesar de sentir medo de se arriscar nesse meio, por isso vive no conflito de  seguir seus sonhos ou manter sua vida “perfeita”.

Com a ajuda das amigas, Lígia se permite expressar sua paixão pela voz, e conforme ganha destaque nos palcos, se sente mais viva. Vive reprimindo suas paixões, além de sofrer repressões em seu casamento, o principal motivo pelo qual passou tantos anos ignorando seu sonho de ser cantora.

O maior perigo para os empreendedores melancólicos é a insegurança, por serem pessoas sensíveis tendem a se fechar em seus próprios sentimentos para não se magoar. É difícil lidar com a rejeição, então ao invés de abrir um negócio e se colocar em posição de vulnerabilidade, podem optar por uma vida pacata.

Além disso, são pessoas altamente desconfiadas que não gostam de depender do outro, tendem a buscar carreiras onde possam lidar sozinhos. Trabalhar em equipe não é o ponto forte desse temperamento, agindo de forma rígida com as pessoas para não transmitir fraqueza 

São muito críticas e duras consigo mesmas, acabam se cobrando tanto a ponto de ser um grande obstáculo a superar. Em contrapartida, esse tipo de pessoa é altamente dedicada e detalhista, buscam a perfeição em tudo o que fazem, por isso sempre entregam um excelente trabalho. 

E sua veia artística não deve ser menosprezada. Muitos podem buscar empreender na arte, seja na pintura, música, design, arquitetura, dança, teatro, redação. Ou então procuraram despertar beleza com seu negócio.

Para o empreendedor melancólico, valorize o seu potencial e não se diminua, acredite no seu potencial e não tenha medo de se expor. Use a sua sensibilidade para dar voz aos seus clientes e trazer para a sociedade o que você faz de melhor. 

E saiba que confiar no outro não é uma fraqueza, aprenda a trabalhar junto para somar as diferentes expertises e assim contribuir para que seu negócio seja mais completo. Quem vai acompanhado chega mais longe.

E você, conseguiu se identificar com uma das protagonistas e seus temperamentos? Conta pra mim nos comentários. E mais uma vez recomendo essa série incrível da Netflix.

Um grande abraço e até a próxima!

Referências